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Adriano

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Everything posted by Adriano

  1. Como eu disse, é possível interpretar de várias maneiras diferentes. Exemplo alternativo de como se pode ver a mesma coisa: alguns acreditam que somos simples e ignorantes no início, e que pelas experiências vividas evoluímos num sentido de integração e sabedoria. Estar manifesto aqui ou acolá é simplesmente um estágio do desenvolvimento, como um curso adequado para as necessidades e capacidades de uma pessoa sob dadas circunstâncias. Você diz que um indivíduo é culpado por não ser mais evoluído. Alternativamente, é possível pensar que ele ainda está num estágio mais primário de desenvolvimento. Eu não diria que uma criança de 10 anos é culpada por estar ainda na quarta série em vez de, por exemplo, na oitava, ou mesmo uma de 11 ou 12, ou 9 ou 8 ou a idade que for. O que você vê como fruto de um erro, eu vejo como um processo natural. No fundo, é só uma questão de linguagem, mas a linguagem não só reflete um enquadramento de visão, como molda outros. Eu mencionei a tradição cristã porque ela é a predominante na nossa cultura. É claro que a narrativa de castigo e punição não vem do cristianismo especificamente. No Velho Testamento, cuja fonte é o Tanakh judaico, portanto muito anterior ao advento do cristianismo, a narrativa já segue essa linha. E hoje já se tem um entendimento considerável de como muitas das histórias da Tanakh e da cultura judaica em geral foram influenciadas pelas de outras civilizações mesopotâmicas, inclusive a suméria. Só para deixar claro, quando falo em tradição cristã, estou me referindo à maneira como as instituições que se autodenominam cristãs têm historicamente entendido os ensinamentos de Jesus e de outros "profetas" que reconhecem. É possível tomar os mesmos textos e fazer leituras diferentes, como a espírita, por exemplo, que é diferente da católica e da protestante em pontos essenciais, e mais ainda se você tomar a leitura de um professor espiritual ou autor de outra tradição. Sob uma perspectiva bem binária, alguém pode preferir uma população totalmente subjugada intelectualmente e conduzida à força a seguir determinados preceitos e agir de certa maneira, que foi essencialmente o que aconteceu na Idade Média na Europa, ou pode preferir que haja liberdade total, que seria o oposto disso, e possivelmente resultaria em caos. Eu não acredito em prescrições genéricas que possam servir para todo mundo. Cada um toma o seu caminho, e este provavelmente não vai ser totalmente preto nem branco; vai estar num tom de cinza mais ou menos claro, e isso ainda vai variar com o tempo. A meu ver, o curso evolutivo de um indivíduo é no sentido de ganhar autonomia, ao mesmo tempo em que se integra mais harmonicamente ao todo, sem contradição entre uma coisa e outra. Também não acredito nesse cenário de ninguém estar evoluindo. Acho totalmente implausível. Parece-me que nós somos basicamente máquinas de aprender com as experiências. Vamos sendo empurrados em algum sentido pelas próprias forças da existência, e aí vamos reagindo, registrando, nos adaptando. Avaliar o ritmo de evolução é outra questão. O ponto central é que nada no mundo manifesto fica parado. Eu estava falando de evolução individual mesmo. A coletividade é só uma coleção de indivíduos, afinal. Existe, claro, uma evolução sócio-cultural que vai moldando os indivíduos num dado tempo, numa dada localidade, e que não é senão a soma histórica de contribuições individuais. Em muitos aspectos, a humanidade vem há séculos numa onda de progresso em muitos frontes, sobretudo conhecimento natural e tecnologia. Pode estar em regressão em outros aspectos, como nas relações do homem com o meio ambiente. Nada garante que isso não possa ser revertido, por exemplo, por uma grande catástrofe global, como uma guerra termonuclear. Mas ainda que isso acontecesse, isso não implicaria no retrocesso de um espírito especificamente. Esta aqui é só uma morada na casa do Pai, e os moradores são só visitantes que vêm e vão. Enquanto serve para você, enquanto você se encaixa bem aqui, você fica aqui. Não tive essa impressão, não. Uma das coisas de que gosto neste fórum é que o pessoal não é dado a mimimi. Também não tenho nenhuma intenção de ser grosseiro.
  2. Existem diferentes maneiras de interpretar os fenômenos, cada uma delas com sua própria lógica e coerência. Na visão cristã tradicional, predominante na nossa cultura, os humanos são culpados já de cara, por conta de uma leitura bastante direta e simplista da alegoria do pecado original. Essa ótica negativa justifica e amplifica um sentimento de culpa profundo e quase permanente nas pessoas. Fica mais complicado ainda quando se considera que essas doutrinas não são nem reencarnacionistas, ou seja, segundo elas você nasce aqui já endividado, em condições pouco favoráveis, e ainda é esperado que você atinja os padrões de atitude de um santo, tudo isso numa só vida que, temporalmente, é um nada em comparação com qualquer escala evolutiva da natureza, seja geológica ou da evolução da própria vida, sem falar na escala cosmológica. Em suma, o homem é mau e se torna bom pelas purificações do sofrimento, que são punições por seus erros. Mesmo em tradições mais modernas e em algumas esotéricas ocidentais, esse negativismo e esse sentimento de culpa são imanentes, se não pela letra dos ensinamentos em si, pela maneira como eles geralmente são entendidos por seus adeptos. Na sua maior parte, isso é uma herança da visão tradicional que chegou a se incorporar à psique do sujeito num nível profundo, subconsciente. Eu, pessoalmente, não vejo punições na vida, só causas e consequências. Eu jamais diria que uma criança que pôs o dedo na tomada e levou um choque elétrico foi punida pelas leis do eletromagnetismo, muito menos por, digamos, Deus. Vejo na vida um processo de desenvolvimento que se baseia no aprendizado com a experiência. Além disso, tomar um dado acontecimento isolado como bom ou ruim é bem mais complicado do que parece à primeira vista, porque uma dificuldade, que alguns veriam como punição, mais tarde pode parecer ter sido apenas um desafio que impulsionou um crescimento significativo. Da mesma maneira como uma aparente bênção de um dado momento pode se revelar mais tarde uma maldição. A maneira como avaliamos as experiências é muito limitada, porque temos muito pouca visão do todo, e o próprio fator subjetivo por trás desse tipo de julgamento é mutável, está ele próprio em evolução. Essa é a minha maneira de ver, que para mim funciona bem. Respeito visões divergentes, mas acho que a exposição a diversos pontos de vista e o diálogo tendem a ser enriquecedores para todos. Não vejo controle, punição e culpa como demônios que atrasam a humanidade. Pelo contrário, acredito que tenham um papel importante a cumprir, mas que a fase em que eles são eficientes e desejáveis chega a um fim, a partir de quando a consciência pode se guiar mais pela razão, pelo senso de autodeterminação, pela percepção de que não é um sistema isolado que pode se dar bem à custa dos outros ou a despeito dos outros, e por sentimentos mais elevados, menos egóicos, que já floresceram.
  3. Sentir culpa é natural, mas o fato de algo ser natural não o torna desejável. É preciso tomar cuidado com a falácia naturalista, que justifica o natural como correto e aceitável. A saga evolutiva humana, em certo sentido, é justamente em sentido oposto, de se afastar do primitivismo animal. Você encontra de tudo no "mundo natural", incluindo comportamentos que são inaceitáveis entre humanos, como fêmeas que assassinam os parceiros após o acasalamento, machos que matam a prole se houver oportunidade, etc. Esses animais não apresentam um desvio de comportamento; pelo contrário, esse é o modo normal de operação da espécie deles. É perfeitamente possível ter um senso claro de responsabilidade desacompanhado de um sentimento negativo de culpa. Seres mais primitivos precisam de culpa para estabelecer uma conduta mais idônea, mas à medida que evoluímos passamos a agir mais e mais de forma ilibada espontaneamente, como reflexo de um estado de consciência mais elevado, e a pressão da culpa se torna desnecessária, assim como a pressão das regras de conduta religiosas e civis. Um psicopata é um portador de um transtorno mental, é uma exceção ao modo normal de comportamento humano. Mas um espírito ascensionado também não deixa de ser uma exceção, de ser, por assim dizer, pós-humano ou além-do-humano.
  4. É, tinha lido essa resposta e imediatamente pensado que podia ser uma das coisas em que você teria interesse nas proximidades da zona física. Obrigado pelo exemplo!
  5. Era exatamente isso o que pensava enquanto lia o seu post. Nunca fiz nenhum experimento preciso como os seus, mas minhas projeções na real-time zone sempre me deram a impressão de que a passagem do tempo seria a mesma que se estivesse no corpo. Seria bem estranho se não houvesse essa correspondência, aliás, porque você poderia se projetar, ficar observando os eventos do físico, e depois voltar ou no passado ou no futuro do que você já tinha observado. Não diria que completamente implausível, mas seria muito bizarro, no mínimo. Sei que é off topic, mas você poderia explicar por que esse interesse restrito? Imagino que você já tenha levantado essa hipótese, mas em princípio poderia ser uma retrocognição, não?
  6. O tempo percebido numa projeção não acompanha o tempo passado no físico. Acho que essa percepção é uma das mais universais entre projetores. Creio que, no geral, a um dado período fora do corpo corresponde um intervalo de tempo menor no plano físico. Mas percepção de tempo é algo bastante subjetivo mesmo, então não duvido que haja experiências em que o observado é o contrário. Eu diria que, de toda a fenomenologia associada à projeção, esse efeito é um dos menos surpreendentes, no sentido de que mesmo no plano material existe a relatividade de medições de tempo, que, na física, depende tanto de velocidade relativa quanto do campo gravitacional local. Agora imagine o que acontece quando estamos falando de dimensões ou planos de realidade diferentes.
  7. Aí você está projetando no mentor uma atitude julgamentosa de aprovação/desaprovação que, se ele tiver um nível de consciência suficientemente elevado, ele não apresenta. Um mentor realmente evoluído não vai criar expectativas de que você dê mais do que possui, por assim dizer. Ele entende o seu estado melhor do que você mesmo, a ponto de você se tornar, na verdade, bastante previsível aos olhos dele. É conforme aquela máxima, de cada um de acordo com sua capacidade. Simplesmente não é sábio esperar além disso. Também é perfeitamente possível reconhecer uma atitude não-elevada, entender suas consequências desfavoráveis, suas motivações baixas, quer dizer, ter uma postura crítica diante dela, sem que a isso se agregue uma reação emocional negativa. Uma criança fez cocô nas calças. Bem, é desagradável, indesejável, mas você entende que crianças novas fazem isso, e que crianças diferentes vão superar essa questão em tempos diferentes, e você pode, inclusive, adotar uma postura ativa e tomar medidas educativas para ajudá-la, tudo isso sem que haja um "aceno negativo de cabeça" que denota desapontamento ou condenação.
  8. Sobre a questão dos walk-ins, reza a tradição hindu que o grande mestre Adi Shankara, eminente no estabelecimento da tradição Advaita Vedanta (doutrina védica não-dualista), foi um walk-in temporariamente enquanto ainda estava encarnado. Em síntese, ele teria deixado seu corpo em algum estado cataléptico e ocupado provisoriamente o corpo de um rei quando este estava para morrer. Depois teria retornado para o seu corpo original. Um resumão do caso, em inglês, pode ser ouvido no vídeo abaixo (no tempo marcado -- o vídeo em si é longo). https://youtu.be/1XZSmB1--2k?t=3234 Só para acrescentar mais um caso, com a curiosidade de que esse seria um walk-in que estava encarnado num corpo próprio quando tomou posse do corpo de outrem.
  9. Por que tipo de motivo um mentor bloquearia suas projeções? Muita gente diz esse tipo de coisa, e sempre tenho grande dificuldade de entender essa linha de raciocínio. Todos nós já saímos do corpo quando ele adormece, e a projeção é apenas ter lucidez durante esse processo. Como ter lucidez sobre qualquer coisa pode ser ruim a ponto de um mentor barrar o processo? Não afirmo que não possa ser o caso, mas é sincera minha incredulidade.
  10. Não entendo bem como é a sensação associada a cada um desses tipos de energia: terra, água, fogo, ar, éter. Tenho certo entendimento conceitual, mas como é experiencialmente entrar em contato com essas energias? E como as produzir intencionalmente para além de apenas evocar mentalmente o conceito?
  11. Por que estranho e fajuto? A meu ver, quanto mais evoluído o espírito, mais universalista e, por conseguinte, menos restrito a visões e práticas de uma ou outra tradição. Mas nem precisa ser tão evoluído assim. Pense em quantas vezes já nascemos e por quantas culturas diferentes já devemos ter passado, se filiando ora a uma linhagem, ora a outra. Para quem está encarnado, pode causar alguma estranheza, porque as linhas de separação parecem rígidas, mas para um espírito desencarnado razoavelmente esclarecido, isso é tudo bem mais relativo e desimportante. Quanto à questão de egrégora, não creio que nos liguemos só a uma, ou que egrégoras elevadas sejam incompatíveis, ou qualquer coisa desse tipo. Posso estar perdendo algo...
  12. Você pode dar uma ideia, pelo menos, de quais seriam essas confirmações? É interessante o caso.
  13. Mesma coisa aqui. Tenho a impressão de que muita gente fica apegada demais aos fenômenos corporais enquanto faz práticas. Observo muita gente falando sobre sentir o coração acelerar, ficar preocupada com a respiração, incomodada com a salivação, etc. Melhor negócio é se desligar do corpo, que é o objetivo de qualquer forma.
  14. Faz algum tempo que li o Projeções da Consciência, do Waldo Vieira, mas na época, salvo engano, ele era casado e devia dormir com a esposa. Imagino que dentre aquelas inúmeras experiências muitas delas tenham ocorrido enquanto ele dormia com ela no quarto. Pessoalmente, nunca percebi diferença para a projeção entre estar dormindo sozinho ou acompanhado, fora o caso óbvio de ser acordado no meio da experiência. Mas até nisso acho que já houve vantagem. Recentemente mesmo, fui despertado no corpo quando estava no meio de uma projeção e tive a clara sensação (que pode ser equivocada) de que não teria rememorado a experiência do contrário. Aliás, uma curiosidade é que essa volta súbita foi bem chocante. Demorei alguns segundos para me localizar e até para reconhecer quem estava ao meu lado me acordando.
  15. É interessante você fazer essa pergunta depois de dizer: Em O Livro dos Espíritos, quando Allan Kardec pergunta qual o meio prático mais eficaz para o homem se auto-aperfeiçoar, a resposta que recebe é “Um sábio da antiguidade vo-lo disse: Conhece-te a ti mesmo.” Eu sou aderente a essa visão, acho que o auto-conhecimento é essencial. Vendo por aí, acho que você está bem encaminhado. Existem muitas doutrinas espirituais diferentes, com linguagens diferentes, assim como há caminhos ou abordagens gerais diferentes -- por exemplo, com foco na devoção, ou no serviço desinteressado (caridade), ou no autoconhecimento, ou na estabilização de mente-corpo-energia. Qual deve funcionar melhor para você depende das suas afinidades e preferências. O ideal é que você se aproxime daquilo que ressoa em você, não que alguém dite em que você deve acreditar e quais ou tais práticas deve ter, etc. Todas as tradições "legítimas" levam ao mesmo lugar. (As "ilegítimas" também, porque a própria vida conduz inevitavelmente, mas o caminho nesses casos tende a ser mais tortuoso.) Essas coisas não precisam acontecer e em geral não acontecem independentes umas das outras. A prática da projeção da consciência é muito eficiente para o auto-conhecimento e passa invariavelmente por trabalho com lucidez, equilíbrio emocional e conduta elevada. Se você tem interesse pelo tema, sugiro que continue estudando e praticando. O Saulo Calderon, que eu suponho, por estarmos neste fórum, que você conheça, sempre fala a respeito.
  16. Se ela tem tantos problemas com o sono, parece recomendável buscar algum auxílio espiritual, além do cuidado médico que, pelo que você diz, ela já procurou. Na verdade, esse tipo de problema que ela enfrenta tem cara de ser mais espiritual do que fisiológico, a meu ver. Meu sono também sempre foi um tanto conturbado, por assim dizer, mas melhorou bastante depois que eu comecei a estudar projeção e passei a entender melhor o que se passava de fato. Mas cada caso é um caso. Talvez ela possa receber assistência num centro espírita ou de umbanda, por exemplo. Depende da linha de espiritualidade com que ela se alinha mais. Seria ideal um lugar em que houvesse um bom entendimento sobre projeção da consciência e fenômenos correlatos, mas só de frequentar um lugar em que haja amparo, tomar passes, etc., já pode haver um alívio. O pessoal da Conscienciologia tem bastante expertise em projeções e tratamento de assédios. Se tiver algum IIPC próximo, pode ser uma boa pedida, mas ainda assim vai depender de como ela se sente em relação a essa abordagem.
  17. Imagino que ele tenha querido dizer que quando há Amor não há separatividade, vivencia-se o Outro como a Si Mesmo, e vice-versa, dentro do espírito "somos todos Um". Os gregos antigos tinham várias palavras para isso que chamamos de amor, e a forma mais elevada era chamada agape, que é um amor universal e incondicional. Amar, verbo intransitivo, sem objeto, porque qualquer objeto se aplica. "Eu amo a mim mesmo, eu amo você, eu amo todos, eu amo tudo. Eu amo." Aliás, gostei do texto. Legal você ter transcrito!
  18. As experiências que temos no astral são um reflexo da vida que levamos e, sob uma perspectiva mais profunda e sutil, do nosso estado de consciência. Nós atraímos aquilo que se assemelha a nós, e nos planos mais sutis que o físico essa atração é mais imediata e clara. Se você tem experiências em dimensões densas, com espíritos negativos, pode encarar como um convite para uma renovação de pensamentos, sentimentos, atitudes, interesses, companhias, etc. Basicamente todo mundo que encarna na Terra tem problemas, questões conscienciais complicadas para trabalhar, de modo que ninguém deve se sentir "privilegiado" por estar nessa situação. A maioria não tem nem noção do que acontece nos bastidores, dos assédios que sofre, das dimensões astrais a que está ligada, etc., de forma que ter um vislumbre disso já uma vantagem. Eu não conheço você, não sei como você vive, etc., então o meu objetivo não é ser julgamentoso, insinuar que porque você teve uma experiência ruim a situação deve estar feia, nada disso. Não encare desse jeito. A ideia é colocar a observação de maneira geral e impessoal, afinal estamos num fórum público e outras pessoas acabam lendo a mensagem. E, além disso, como eu dizia, ter experiências em dimensões mais baixas é normal, não quer dizer necessariamente muita coisa. É você que tem de analisar o seu caso com bom senso, informação, maturidade, imparcialidade, criticidade. Buscar ajuda é recomendável, e é por isso, claro, que você veio ao fórum. Só que, a não ser que alguém aqui tenha uma parapercepção fora do comum, fica difícil fazer um "diagnóstico" a partir de um relato isolado e razoavelmente vago. Existem procedimentos e rituais de proteção que você pode pesquisar aqui no fórum mesmo, mas, como comecei dizendo, o mais importante é o trabalho de auto-aperfeiçoamento. Isso vai repercutir naturalmente nas experiências que você tem no corpo e fora dele.
  19. No geral é melhor mesmo não parar para pensar nessas questões ligadas ao corpo físico quando estamos projetados. Estou respirando? Tal ou qual deficiência está presente? Etc. Se a projeção está funcional, aproveite. É claro que, por outro lado, pode ser interessante e esclarecedor parar para reparar nessas questões, se o objetivo for justamente estudá-las, mas isso pode exigir uma certa estabilidade, porque pensar no físico tende a puxar a consciência de volta para ele.
  20. Como ela sabe que é um espírito "maligno do mal"? Pela minha experiência, assediadores não têm muito interesse em retirar encarnados do corpo lucidamente. Não precisam fazer isso nem para vampirizá-los, nem para fazer indução de ideias. Existe exceção para basicamente tudo, mas no mínimo me parece incomum e, portanto, acho que é válido o questionamento. O fato de ela enxergar esse espírito como um vulto escuro, a princípio, não quer dizer muita coisa. A visão no astral, ou mesmo em catalepsia projetiva ou qualquer estado de transe, é uma questão complicada. Existem fatores energéticos que influenciam muito e, além disso, nesse tipo de fenômeno a maleabilidade do que é percebido é muito maior, isto é, o fator subjetivo, a indução da própria mente, consciente ou inconsciente, pesa muito. A sensação, do tipo sexto sentido mesmo, que ela tem desse ser pode ser um indicativo melhor, mas para isso seria importante ela controlar o medo, senão as coisas se misturam. Se você tem medo de cachorro grande, vai se assustar e tender a ter uma impressão desfavorável de qualquer cachorro grande, mesmo com aqueles que na verdade são muito dóceis. Também o fato de ela não querer se projetar não implica que esse espírito seja um assediador por tentar forçar a experiência contra a vontade dela, se é que é realmente essa a intenção dele. Senão todo pai que força o filho a, por exemplo, tomar remédio seria um assediador, né? Às vezes é melhor para nós levarmos um empurrão no rumo certo, mesmo à nossa revelia. Quanto aos remédios que induzem sono, pela minha experiência eles tendem, sim, a dificultar a projeção. Remédios psicoativos em geral parecem embotar nossa percepção extrafísica. Enfim, com base no que você disse, e você pode dar informações adicionais se quiser, eu acho que esse caso é digno de uma análise mais cuidadosa e que não é muito cabível concluir de cara que é um assédio.
  21. Vou citar um excerto de um livro do próprio Osho em que ele desenvolve mais o tema. O livro é "Antes que você morra" ("Until you die", no original), e aborda o Sufismo. (O livro pode ser encontrado na rede em pdf tanto em português quanto no original, assim como se encontram os áudios dos discursos originais.) E o negócio vai longe...
  22. Na prática, podemos pensar em três esferas concêntricas de posicionamento. Na mais externa, a esfera pública, existe relevância em se posicionar, denunciar, criticar ou aplaudir. Na mediana, a esfera interpessoal, de relacionamentos, também podemos ser chamados a opinar, aconselhar, e inclusive a admoestar. Na mais interna, a esfera da consciência individual, é possível que o modo padrão seja de não-julgamento, sem prejuízo da capacidade de fazê-lo, e com muito discernimento, quando necessário, como nos casos em que precisamos atuar nas esferas mais exteriores. Meu entendimento é que alguém como Jesus operava mais ou menos dentro desses moldes. Podemos ler sobre suas admoestações públicas, como aos escribas e fariseus, sobre seus diálogos um a um com diversos indivíduos. Sobre sua postura íntima, só podemos especular, mas me parece razoável supor que ele não andava por aí se escandalizando com tudo que via, com uma vozinha na cabeça reclamando de tudo e de todos nesse mundinho atrasado em que ele reencarnou. Ou mesmo que precisasse repetir internamente algo como "é normal, é o estágio evolutivo deles, são as condições desse mundo de matéria grosseira, um dia passa...", como que se consolando.
  23. O Osho de fato nunca escreveu nenhum livro. Todos os livros (várias centenas deles) publicados sob seu nome são transcrições de discursos orais. Alguma edição pode estar envolvida, naturalmente. Os áudios completos de muitos desses discursos podem, inclusive, ser baixados gratuitamente. Mas estão todos em inglês ou hindi.
  24. Meu julgamento, com todo respeito, é que essa é uma simplificação um tanto grosseira. ;) Nas tradições orientais há uma forte visão não-dualista, tanto no taoísmo, quanto no hinduísmo ou no budismo. Dentro dessa perspectiva, qualquer julgamento é subjetivo, relativo, arbitrário, parcial. As palavras são maleáveis e carregam sutilezas dependentes de contexto, então no meio budista, por exemplo, muitas vezes você vai ouvirem falando em "discernimento" em vez de "julgamento", como falam em "aspiração" em vez de "desejo", ou "realização" em vez de "conquista". Sem falar de um sujeito ocidental chamado Jesus que era outro que pregava o tal do "não julgar". Existem muitos níveis em que tudo isso pode ser analisado. Feita essa ressalva, é claro que os que desejam abusar procuram manipular suas vítimas de todas as maneiras possíveis. Como agora o caso do médium de cura João de Deus, o qual, segundo inúmeros depoimentos, dizia coisas como "confie, se entregue, é assim que você vai se curar", enquanto abusava sexualmente de mulheres que o procuravam para ajuda.