• advertisement_alt
  • advertisement_alt
  • advertisement_alt

Adriano

B-Membros
  • Content Count

    107
  • Joined

  • Last visited

  • Days Won

    6

Everything posted by Adriano

  1. Julgamentos refletem seus preconceitos e suas tendências atávicas -- suas marcas mentais, que são o guia dos comportamentos automáticos, inconscientes. Como creio que Ramakrishna disse, a mente é uma serva dócil, mas uma senhora cruel. É preciso ir além da mente para dominá-la, desidentificar-se com ela, para começar, como você não se identifica com o seu corpo físico. A metáfora de se tornar um espelho é uma referência a uma mente limpa, clara, onde as coisas possam refletir como são. Dentro da tradição oriental, e num sentido muito amplo, há uma ênfase na limitação do intelecto para compreender a existência, e daí vem um forte direcionamento à busca de transcender a mente. Meditação é, em grande parte, um exercício de observação da própria mente num, por assim dizer, ambiente controlado, onde essa observação possa ser o mais nítida possível. O que significa julgar? Formar um juízo, tomar uma posição. É completamente tautológico. Se eu digo "você é isso", trata-se de um julgamento por definição. Não é um julgamento só quando é negativo, condenatório. Dizer "você é bonito" é um julgamento tanto quanto dizer "você é feio". O espelho é só uma metáfora. Um espelho reflete o que se põe diante dele sem preferência, sem discriminação. É como, na linguagem abraâmica, Deus, que "faz raiar o sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos". Está simplesmente consciente, sem necessariamente um objeto para o foco da consciência. Se você, por um instante, perdesse acesso a todos os seus órgãos do sentido e, nesse momento, além disso, silenciasse a sua mente, deixaria de estar consciente? No hinduísmo, em particular, fala-se do estado de samadhi, que segundo algumas visões envolve justamente esse silêncio absoluto onde surge uma percepção mais ampla e profunda, verdadeiramente cósmica.
  2. Como tenho um gosto um tanto seletivo para música, dificilmente o que toca por aí me agrada, então me acostumei a simplesmente não prestar atenção, o que não é difícil quando não é um som tão alto. Vira ruído de fundo, como o som do trânsito ou qualquer outra forma de poluição sonora. É claro que seria melhor se não estivesse ali, mas dá para se desligar e ignorar. Se o volume estiver alto, não fico no ambiente. Frequentemente alguém fica meio boquiaberto comigo por nunca ter ouvido alguma música que faz muito sucesso e "todo mundo conhece". Provavelmente, em muitos desses casos, já até ouvi, mas não dei atenção nenhuma e assim não ficou registrado, pelo menos numa camada mais superficial e acessível da memória. É importante notar que memorização exige atenção. É verdade que absorvemos muita coisa por "osmose", mas o grosso vem de atenção dirigida. Essas músicas são compostas para serem grudentas, viciantes. São verdadeiros memes. Aí se você acontece de memorizar, vai ficar repetindo eventualmente, porque, como o Sandro disse, a mente (não-educada) opera dessa forma. Comigo, essa experiência desagradável de ficar com uma música ruim na cabeça é coisa antiga, de quando era mais novo e acabei exposto a mais lixo musical do que minha mente pôde filtrar. Ainda ouço música e, naturalmente, de vez em quando me pego a ouvindo internamente ou cantarolando. Aí é como qualquer outro pensamento recorrente. Você pode aprender a lidar com isso treinando lucidez, presença, mindfulness, etc. Eu tendo a adotar a navalha de Occam e sempre dar preferência para a explicações mais simples. Uma observação atenta da mente revela que ela funciona mesmo de forma compulsiva, repetitiva, automática. Como essas músicas são feitas seguindo padrões simples, fáceis de captar e repetir, é natural que acabem pegando. Pode ser algo mais elaborado num caso muito dramático, mas infelizmente não precisa de chip nem de ondas harp para uma melodia ficar na cabeça. Quase todo mundo neste nosso mundinho já é totalmente neurótico. Haha.
  3. Parece ter sido uma projeção lúcida mesmo. Naturalmente o grau de lucidez pode variar entre a inconsciência completa e a consciência cósmica, mas pelo seu relato seu nível de lucidez parecia bom. Você sabia que estava fora do corpo, que estava no seu quarto, reparou tanto no seu estado pessoal quanto no ambiente, não surgiram elementos claramente oníricos, não houve nenhum surto... O que faltou, pelo que me parece, foi controle. Talvez, para ser mais exato, a clareza mental ou presença de espírito de pensar: "Ah, estou fora do corpo, então vou aproveitar para fazer isso ou aquilo..." É por isso que se fala tanto da importância de se ter um plano de antemão. Às vezes ficamos meio desorientados quando saímos, sobretudo quando falta experiência e ocorre de surpresa, como foi o seu caso. É muito fácil, por exemplo, principalmente para quem não teve ainda muitas experiências, ficar eufórico, e qualquer oscilação emocional forte prejudica a projeção, sendo a forma mais comum arremessar o sujeito de volta para o corpo, hehe. (Uma oscilação emocional, mesmo em astral, repercute no corpo, aí ele libera adrenalina e possivelmente outros hormônios que o deixam em alerta e pronto, você desperta.) Tem ainda o fato de que, no seu caso, você estava projetado próximo ao corpo físico, e nessa região (que chamam de "faixa de atuação do cordão de prata") há maior dificuldade com lucidez, clareza de percepção, controle do corpo astral, etc. Diante disso, minhas sugestões são para que, numa próxima ocorrência, você já tenha algum tipo de plano projetivo, algum tipo de alvo mental que você recorde com facilidade, e que, de qualquer forma, procure se afastar do corpo físico o mais rápido possível.
  4. Eu não tinha lido seus outros relatos quando escrevi minha resposta. Estava falando genericamente, com base no comportamento comum que vejo entre iniciantes na projeção e em assuntos parapsíquicos/místicos em geral. Observo com muita frequência as pessoas surtando por medo do desconhecido ou por travar contato com algo que de fato não é lá muito elevado, o tomando por muito pior do que é e, consequentemente, se bloqueando. Entendo que essa reação é natural e eu mesmo, presumivelmente, já passei muito por isso. Mesmo hoje, mais experimentado, isso ainda tende a acontecer se estiver com a lucidez particularmente baixa. Agora, algo ser natural não quer dizer que não deva ser trabalhado e aperfeiçoado, e foi nesse espírito que fiz a admoestação. Basicamente sempre que escrevo num fórum público, faço o possível para não tornar a mensagem demasiado pessoal e assumo que várias pessoas diferentes vão ler e podem quiçá tirar algum proveito. Pois então somos dois! Tamo junto. Fico contente que tenha lhe dado algo em que pensar. Mais do que isso estaria além das minhas capacidades manifestas. Sei que fui um tanto incisivo na expressão e, sinceramente, até pensei em reescrever amenizando o tom antes de postar, mas enfim confiei na espontaneidade. Uma das características que aprecio neste fórum é que dá para conversar sem afetações daquela santidade inerme que não é incomum em meios espiritualistas.
  5. Talvez algo como um transtorno dissociativo de identidade ou algum outro tipo de desordem psíquica como esquizofrenia? Isso interpretando como um estado mental patológico do tipo que se encontra entre encarnados.
  6. Qual é o benefício de voltar imediatamente para o corpo no meio de uma projeção lúcida? Claro que isso faz sentido num caso muito dramático em que você possa, por exemplo, ser vítima de um aprisionamento no baixo astral por um "mago negro" ou algo assim. Tanto pela minha (restrita) experiência pessoal quanto pelo meu (parco) conhecimento da literatura projetiva, esses casos são raríssimos. Na maioria das vezes, penso, esse tipo de fuga para o corpo é simplesmente fruto do medo. Equivale, a meu ver, a enfiar a cabeça num buraco enquanto o resto do corpo fica à mostra, porque, se você presencia um assédio no astral, não fica livre dele simplesmente por retornar ao corpo. Na verdade, um dos proveitos da projeção consciente é justamente tomar ciência desse tipo de processo extrafísico e poder, então, tomar alguma atitude a respeito. De modo que sempre que presencio alguém relatando que uma consciex presumivelmente bem intencionada sugeriu uma volta ao corpo, minha atitude é de suspeita. Acho bem inocente querer se projetar só para visitar cenários lindos, entrar em contato com mentores maravilhosos, se colocar na posição de amparador, etc. Se você só tem experiências assim maravilhosas, ótimo para você, mas isso é raro. A maioria vai ter suas passagens por dimensões mais trevosas, se deparar com problemas que rolam nos bastidores, etc. Isso aí é simplesmente o nível da Terra, e o nosso nível pessoal dificilmente fica muito acima disso. Dá para aproveitar essas experiências "desagradáveis" para aprender muita coisa e resolver muitos problemas. O que bloqueia são expectativas irreais e sobretudo medo. (Isso dito, naturalmente faz sentido voltar ao corpo num momento estratégico com o objetivo de facilitar a rememoração, mas não me parece ser o caso aqui.) Em relação a você ter identificado essa consciex com a sua irmã, não dá para saber qual foi o caso: se era ela mesma projetada (muito improvável), se era alguém se passando por ela (bem possível, mas tenho a impressão de que essa hipótese, que parece ser a número um da maioria das pessoas, é um pouco superestimada), se você que associou a figura da sua irmã a ela, seja por falta de lucidez, seja por associação cerebral na rememoração, ou se foi só produto da sua imaginação. Quer dizer, a não ser que você tenha mais lucidez e melhor percepção durante a própria experiência, fica meio infrutífero especular. Por quê? Entendo "aceitar o recesso", porque manter uma projetabilidade consistente é trabalhoso e podemos ter outras prioridades. Interromper as atividades energéticas e conscienciais acho bem mais difícil de entender. Ter uma projeção cega? Check. Ficar preso e impotente na "faixa de atividade do cordão de prata"? Check. Ser puxado contra minha vontade de volta para o corpo? Check. Penso que tudo isso sejam experiências comuns para projetores. Receber uma sugestão de retornar ao corpo sem explicação ou razão óbvia? Check. E no passado já cheguei a aceitar cegamente esse tipo de sugestão. Analisando em retrospecto, vejo que o motivo dessa submissão era essencialmente medo. Hoje sou um pouco mais rebelde, crítico e corajoso.
  7. Para mim tem bastante cara de ter sido um sonho com alguns momentos de relativa lucidez. É muito comum sonhar com contextos do passado, sobretudo com a infância e a adolescência. Tendo isso em vista, fica muito difícil tirar conclusões, a partir dessa experiência, sobre o que é real e o que é puro onirismo.
  8. No meu entendimento, quase todas as aptidões dependem essencialmente de três fatores: predisposição sutil (por falta de melhor termo), predisposição genética e desenvolvimento/treinamento. Por predisposição sutil estou me referindo às habilidades mentais adquiridas pelo espírito ao longo de suas diversas vidas, inclusive no período intermissivo, e independentes do corpo atual. Predisposição genética dispensa explicações: é o potencial do corpo físico atual. E desenvolvimento de habilidades, além de treinamento formal, prática por repetição sistemática, também envolve questões mais dramáticas, como uma adequada nutrição desde a concepção e, criticamente, nos anos iniciais, em que o desenvolvimento é acelerado. (Em muitas áreas, como música ou xadrez, praticamente todos os prodígios começam a receber treinamento desde muito cedo.) Para termos um gênio, é preciso uma combinação favorável dos três fatores. Um espírito muito inteligente, com grande predisposição sutil, que tenha sido, por exemplo, um filósofo ou um cientista por diversas vidas, pode nascer com um aparato biológico defasado (seja por genética desfavorável ou má formação) ou, mesmo este sendo bom, pode não receber cuidados e estímulos suficientes para o seu desenvolvimento, como um gênio nascendo uma região de extrema miséria, sem acesso a qualquer educação digna do nome. Note-se também que existem muitas pessoas com capacidades cognitivas avançadas, um alto QI, e que receberam boa educação, mas que não têm amplitude e profundidade de visão, criatividade ou maturidade intelectual. Nesses casos, diria que falta a tal predisposição sutil. Enfim, observam-se todos os tipos de casos. É importante ressaltar também que inteligência não é uma única coisa. Existem diversos tipos de habilidades cognitivas. Um grande matemático pode ter problemas em se expressar, enquanto um grande escritor pode ser fraco em raciocínio lógico. Há também, por exemplo, aqueles que têm certa facilidade para tudo, mas não se destacam grandemente em nada, como há aqueles que parecem ser totalmente desprovidos de qualquer talento digno de nota. Em relação aos prodígios dos esportes, a meu ver se trata de casos em que, obviamente, o corpo físico, no seu aspecto mais grosseiro, faz muita diferença. Num esporte como basquete, por exemplo, altura elevada é uma grande vantagem. No futebol, ao contrário, encontramos grandes jogadores que não eram altos, nem fortes, nem particularmente rápidos ou atléticos em qualquer sentido. Podem se destacar por visão de jogo, capacidade de tomar boas decisões, rápida reação, criatividade, e outras características mais mentais do que físicas. Sem falar em grandes treinadores que nunca foram grandes esportistas, mas claramente possuem um tipo de habilidade, no nível mental, que seus corpos simplesmente não foram capazes de expressar. Eu entendo que "inteligência física ou motora" também está no pacote que eu chamei de predisposição sutil, isto é, habilidades que precedem ao corpo e se mantêm para além dele. Um espírito que foi caçador, gladiador, artista marcial, artista de circo, etc., deve ter mais facilidade, se não nascer num corpo muito desfavorável e tiver bom desenvolvimento na infância e na adolescência, em se tornar um bom atleta. Provavelmente vai focar em uma atividade específica, digamos que futebol, e então essa vai ser sua especialidade, a área onde vai brilhar. Mas talvez pudesse ser outra. Entre esportistas de alto nível, não é incomum que eles tenham, nos anos de formação, praticado modalidades diferentes e mostrado desempenho acima da média em várias delas. Como o mundo demanda especialistas e não generalistas, eles acabam focando. No caso de um cantor, claro, ter uma boa voz (um bom timbre, bom alcance, boa afinação, bom controle) é basicamente essencial, e isso está relacionado ao corpo, à genética e ao desenvolvimento físico, fortemente favorecido com treino. Agora, um cantor excelente, além de ter essas qualidades de voz e técnica, é também um ator, alguém que consegue expressar de formas mais sutis as emoções transmitidas pela música. É isso que diferencia, por exemplo, uma Maria Callas ou uma Elis Regina de outras cantoras que têm grandes "instrumentos vocais", mas não encantam especialistas nem empolgam um público mais amplo. Sobre o caso de computação, é basicamente uma sub-área da matemática. Para programar, necessita-se acima de tudo de boa capacidade de formular problemas com precisão, lógica para resolver os problemas, e capacidade de expressar essa solução numa linguagem precisa. Antes de existirem cursos específicos de ciência da computação, os cientistas da computação eram matemáticos e engenheiros eletrônicos, isto é, pessoas bom boa habilidade em exatas. Os pais da computação são pessoas como Alan Turing, Kurt Gödel, Alonzo Church e von Neumann, todos matemáticos e lógicos. E matemática e lógica existem há milênios. De modo que não concordo totalmente com o Sandro que haja evidências de que isso é totalmente aleatório. Os fatores "aleatórios" seriam a genética e as condições de desenvolvimento, fora as "fatalidades" da vida. Outro fator a ponderar: existem informações na literatura espiritualista de que o perispírito/psicossoma interfere no desenvolvimento do corpo em conjunto com os fatores genéticos e ambientais. Então, por exemplo, um espírito inteligente pode ter maior probabilidade de desenvolver um cérebro mais capaz ao reencarnar.
  9. Nunca senti dor física por conta de algum transe, estado alterado de consciência ou um trabalho energético. Muitas sensações diferentes ocorrem: leveza, formigamento, eletrização, insensibilidade do corpo, pulsação, arrepios, expansão, contração, calor, frio, etc. Mas dor, pessoalmente, nunca experimentei. Uma possibilidade que geralmente me ocorre quando ouço esse tipo de relato é que a pessoa esteja interpretando como dor alguma outra sensação que lhe cause desconforto, talvez por ser incomum e, por isso, a assuste. No astral, as percepções são muito mais "líquidas", dependentes de como você interpreta as coisas. Mesmo quando não estamos projetados, mas já há alguma soltura, esse também tende a ser o caso. É só uma possibilidade que eu levaria em consideração se estivesse no seu lugar.
  10. Penso em duas variáveis que podem explicar a sua percepção: i) na verdade são outras pessoas e você, por lucidez insuficiente durante a projeção ou por dificuldades na rememoração, associa a pessoas que você conhece no físico, e ii) essas experiências talvez estejam mais para sonhos (semi-)lúcidos do que para projeções. Se você tiver lucidez suficiente, pode perguntar para elas sobre essa diferença. Por que não? Pela minha experiência, os tabus e reservas sociais são muito menores no astral. Em geral me sinto à vontade de perguntar, projetado, coisas que me sentiria inibido de perguntar no físico. Acho difícil que alguém como esse seu vizinho ("usuário de droga e muito violento, quebra as coisas na casa dele, ameaça a mãe, gosta de fazer escândalos e intimidar as pessoas com seu olhar") seja um anjinho fora do corpo, daí eu considerar mais razoável supor uma distorção da sua parte.
  11. Estimo que a probabilidade de isso ser só uma fantasia, e das mais grotescas, é de uns 99,9%. Não consigo nem encontrar motivo para crer que Chico Xavier de fato fez tais previsões. Até onde sei, é só a palavra de um sujeito, segundo o qual Chico teria divulgado tais informações para ele com exclusividade. Posso estar enganado, mas nesse caso em particular é bem mais razoável tomar a posição de enorme ceticismo, dado o histórico de profecias apocalípticas (spoiler: nenhuma nunca se concretizou) e o caráter bizarro dessa em particular, sem falar nessa história esdrúxula de "um médium famoso já desencarnado me contou anos atrás...".
  12. Para mim, tem cara de ter sido uma projeção semilúcida. Quer dizer, você estava realmente fora do corpo, estava consciente disso, mas ainda havia alguma confusão. Isso é muito normal. Nível de lucidez é algo que pode variar infinitamente, desde onirismo completo até o patamar de consciência cósmica. Não é incomum, principalmente quando não se tem muita experiência, associar alguém que você vê projetado com alguém que você conhece no físico. Nas minhas primeiras projeções via com frequência minha mãe me acompanhando e até me ajudando de alguma forma. Depois de algumas ocorrências desse tipo, ficou claro para mim que não podia ser minha mãe projetada, porque em algumas dessas experiências ela estava inclusive acordada. Aí percebi que eu estava associando uma amparadora com ela, por familiaridade. Existia aquela presença feminina experiente e benevolente, como uma figura materna, e aí eu associava com a minha mãe. Depois dessa constatação, essa associação começou a perder força, e aí só confundia quando a lucidez estava bem baixa mesmo, mas logo que acordava e repassava a experiência na cabeça, me tocava que provavelmente não era minha mãe. (Diversos médiuns confiáveis já perceberam um espírito feminino próximo a mim, como uma mentora que me acompanha. Imagino que seja a mesma.) A minha recomendação é que, uma vez projetado, você trabalhe constantemente o seu senso crítico. Isso ajuda muito a manter um bom nível de lucidez, principalmente porque oscilações ocorrem naturalmente, até pelas oscilações no ciclo do sono, então precisamos ter, metaforicamente falando, âncoras que nos ajudem a manter o centro. Além do senso crítico em si, pode tentar focar em algo, fechar o foco de percepção temporariamente, quando sentir que a lucidez está baixando. É um pouco como um exercício de concentração de bolso. Outra recomendação, mais subjetiva, é que ao sair do corpo você não fique encucado com as coisas do físico, sua família, suas questões cotidianas. Tudo bem que às vezes você pode querer sair do corpo com o objetivo específico de investigar algo assim, mas fora isso me parece mais produtivo não se prender a essas questões. Esse tipo de experiência aumenta a sua propensão de se confundir ou de sofrer algum abalo emocional, o que atrapalha a projeção.
  13. Eu estou muito longe de ter tido algo como 800 projeções lúcidas, mas a minha experiência também não chega a ser desprezível, e posso dizer que também nunca tive foco em fazer amparo. É o tipo de coisa que, para mim, quando acontece, é espontâneo. Do mesmo modo como não faço nenhum trabalho sistemático de assistência social no plano material, mas diante de uma situação em que eu possa ajudar alguém, procuro ajudar. Na classificação hindu dos diversos tipos de caminhos espirituais, esse da assistência é o que eles chamariam de karma yoga, o caminho do serviço altruísta. É o mais comum junto com o caminho da devoção, bhakti yoga, mas não o único. No ocidente, a maioria das religiões foca devoção e serviço, o que é comum nos meios religiosos populares. Geralmente é nas tradições esotéricas que você vai encontrar práticas que vão para um outro lado. Para mim também faz sentido que você receba mais auxílio de seres extrafísicos para se projetar se estiver interessado ou engajado em algum trabalho de assistência. Mas precisa ser um interesse genuíno, claro.
  14. Não entendo bem o que fazer "algo de errado" pode ter a ver com dificuldade para se projetar. Você acha que suas projeções mais frequentes eram patrocinadas e que, pelas suas atitudes, perdeu esse auxílio na saída?
  15. Primeiro é importante distinguir entre transexualidade e homossexualidade. A transexualidade diz respeito à condição em que o indivíduo não se identifica com o sexo ou gênero do seu corpo -- uma mulher que psicologicamente se identifica como homem e, em geral, gostaria de ter um corpo que se alinhasse com essa identidade, e vice-versa. Não diz respeito necessariamente à preferência sexual do indivíduo. Existem, por exemplo, homens trans (coloquemos assim, mulheres fisicamente, mas com identidade psicológica masculina) que sentem atração física e afetiva exclusivamente por mulheres, mas outros exclusivamente por homens, como também podem ser por ambos. A homossexualidade se refere aos indivíduos que sentem atração física e afetiva por pessoas do mesmo sexo ou gênero -- um homem que gosta exclusivamente de outros homens, ou uma mulher que gosta exclusivamente de outras mulheres. Um homossexual não se sente em desalinho com o sexo do seu corpo físico, a não ser que seja também transexual. Bissexual é quem sente atração física e afetiva por ambos os gêneros. A distinção é importante porque sua questão pressupõe que seria mais fácil para um homossexual ter nascido no sexo oposto, o que no geral não é verdade. Um homem gay, por exemplo, se nascesse mulher e fosse apegado a identidade masculina, poderia ser um transexual. Ser trans é, por certo, bem mais difícil do que ser gay. A maioria das pessoas encarnadas é cisgênero (se identifica psicologicamente com o sexo do corpo) e heterossexual (sente atração pelo sexo oposto), mas há casos de todos os tipos, com todas as combinações possíveis, e até de pessoas que não se identificam com nenhum dos polos. Como toda identidade ou preferência, isso tudo é resultado de condicionamento. Essa é a explicação num nível bem fundamental, e cada caso específico vai ter seus detalhes. Se você é homem, por exemplo, e se identifica fortemente com esse gênero, com o corpo correspondente, e até com os papeis culturais associados, talvez por vir nascendo homem há muito tempo, imagine como seria nascer num corpo feminino, se necessariamente sua identidade migraria para o polo complementar. (Faça o exercício imaginário: realmente se imagine sendo mulher, com corpo de mulher, recebendo "educação de mulher", sendo tratado como mulher, se comportando de maneira feminina, etc. O objetivo aqui não é descobrir se você seria transexual ou não, mas apenas gerar empatia por quem passa por essa situação.) Se além de homem você é heterossexual, gosta muito de mulher, imagine se deixaria de gostar só porque nasceu num corpo feminino. (Faça o exercício de fato: se imagine sendo mulher e ficando com homens e gostando disso.) O corpo, por si só, não determina a sua identidade ou suas preferências, sexuais e no geral. Essas marcas estão gravadas num nível mais profundo. Note que mesmo uma pessoa cis e hétero tem suas preferências particulares: o cara que gosta especialmente de loiras, ou de baixinhas, ou de novinhas, etc. Essas preferências não são ditadas pelo físico, mas por marcas nos níveis profundos da mente. E isso não só no que diz respeito a questões de identidade de gênero ou preferências sexuais, mas a todas as características da sua personalidade. Homossexualidade e transexualidade são realidades. A homossexualidade, em particular, acontece também entre animais. Por que se espantar tanto com isso? Se você é gay ou trans ou bi e tem conflitos por conta disso, é compreensível e natural que procure se informar, se decidir e se resolver. Digo que é natural que haja conflito, no mínimo, pelo fato de ser uma condição menos comum, e obviamente porque existe tanto tabu e preconceito em relação a isso. Se você não é, a única postura sensata me parece ser deixar cada um cuidar da própria vida. Cada um segue seu caminho, inevitavelmente. De maneira geral, se meter na vida dos outros de forma insolicitada só vai gerar problemas e entrelaçamentos cármicos indesejáveis. Sobre a questão do planejamento reencarnatório, considere que pode haver outras prioridades, que podem existir limitações sobre o nível de controle das condições, que essa experiência de ter um corpo diferente do seu alinhamento psicológico pode ser benéfica, e mesmo que nem todos passam por planejamentos tão detalhados quanto outros. Para muitos espíritos, reencarnar por si só já é uma dádiva e não há o luxo, ou mesmo a necessidade, de escolher os detalhes.
  16. Técnicas de catarse podem ajudar, como a meditação dinâmica do Osho. Na verdade, ele desenvolveu várias técnicas desse tipo que têm como ideia trabalhar corpo, psique, energia e mente para se chegar a um quadro de limpeza integral que permita um estado meditativo mais profundo do que a maioria consegue atingir sob condições normais. Existem várias outras técnicas catárticas, não necessariamente ligadas a alguma tradição espiritualista, mas às vezes a formas de psicoterapia ou ao Movimento do Potencial Humano.
  17. Na perspectiva budista (e hinduísta em geral), as virtudes que nós, pessoas comuns, não-iluminadas, cultivamos por repetição, seja essa repetição deliberada ou não, ainda são samskaras, ou seja, "marcas mentais", que é a base do karma. A ideia básica é que não somos ainda seres de fato livres, na prática, pois agimos quase sempre de maneira reativa e automática, de acordo com a personalidade, com suas aversões e apegos, desejos e medos, com um senso de eu (ou self) e de mundo que são ilusórios -- o que comumente se chama de ego e de maya, respectivamente. Se você começar a meditar, por exemplo, uma das coisas que deve perceber, com o tempo, é como tem emoções e sobretudo pensamentos compulsivos, que vêm à mente como que por conta própria, sem que você procure instigá-los. E que, mesmo quando tenta evitá-los, eles ainda tendem a vir à tona. Num passo seguinte, começa a se dar conta de que o mesmo ocorre no dia-a-dia, e que esses impulsos comumente são os verdadeiros guias das suas ações e o foco da sua atenção. Um ser liberto, iluminado, seria basicamente um que superasse essa ilusão e esses condicionamentos. Num tal ser, o que consideramos virtudes -- como a compaixão, a equanimidade, o discernimento, o bem-estar -- floresceriam de maneira totalmente natural, como resultado inevitável de uma visão mais ampla e profunda do que é a vida, por assim dizer, e além disso elas seriam incondicionadas, independentes dos eventos do mundo, e permanentes. Isso não quer dizer que cultivar virtudes seja negativo. O próprio Buda Xaquiamuni deu ensinamentos sobre moralidade, falou sobre ações virtuosas e não-virtuosas, etc. Isso é uma parte do que ele chamou de o nobre caminho óctuplo, que é o método budista básico para a liberação. Aqui, a ideia é que agindo de maneira virtuosa, mesmo que temporariamente ainda de um modo condicionado, você acumula méritos (karma positivo, em essência) e se coloca numa posição mais favorável às transformações que conduzem eventualmente à iluminação. No mínimo, acaba sofrendo menos no percurso, e é importante entender como a virtude conduz a bons resultados nessa fase. Em suma, sob essa perspectiva, embora sejam sim vícios, são vícios positivos e parte do próprio método -- ou do aprendizado, como você disse. (Repare que qualquer hábito é um tipo de vício, e apenas reservamos esta última palavra para os hábitos que consideramos prejudiciais, ou seja, é só semântica.) Em abordagens específicas o enfoque pode ser outro. No Zen, por exemplo, geralmente se focam menos virtudes e mais o reconhecimento direto da sua natureza primordial. É um caminho mais voltado, digamos, para o trabalho interior do que para os resultados que trabalhos mais exteriores (como o serviço, a prática da caridade) acabam por ter sobre o interior. (Na linguagem dos meios esotéricos, a primeira abordagem seria mais um caminho de mão esquerda, mais explicitamente autocentrado, e o segundo, de mão direita. A maioria dos budistas segue o se chama o caminho do meio, tentando balancear as duas coisas.) Por fim, sim, é possível acessar essas qualidades da mente búdica de maneira mais espontânea, e na verdade isso já acontece, intermeado com as reações condicionadas. É bom que você reconheça isso. Na verdade, no budismo se ensina que sua natureza já é perfeita, que o buda que você vai se tornar, na verdade, sempre esteve lá, e é apenas uma questão de reconhecê-lo e liberá-lo.
  18. Minha experiência é muito similar à do Sandro. Muitas vezes só me lembro do meu aniversário porque olho um calendário e a memória automaticamente faz a associação de que a data está próxima. Logo me esqueço e aí só volto a recordar no dia, quando algumas pessoas bem próximas me cumprimentam. Não divulgo a data e e não promovo nenhum evento comemorativo. Se alguém eventualmente insiste, a minha insistência é maior. É só mais um dia e, se tem algo de especial, é apenas simbólico, portanto apenas uma criação mental. Eu não tenho nada contra símbolos, pelo contrário, ou implicância especial com datas comemorativas. Gosto do Natal, por exemplo, mas o dia em que fui parido me parece totalmente irrelevante. O interessante é a observação de que nem sempre foi assim. Quando era mais novo, adolescente, embora minha postura exterior fosse similar, interiormente ficava mais emotivo e me dava a reflexões do tipo que as pessoas têm no Réveillon: como tinha sido o último ano, como queria que o próximo viesse a ser, etc. Isso acabava me levando a experimentar um dia diferenciado no meu aniversário, mas mesmo assim nunca notei nenhum fator espiritual ou metafísico em ação. Eram mesmo só emoções e pensamentos meus. (Só por curiosidade, não costumo me lembrar nem do aniversário de membros da minha família. Minha mãe que geralmente me liga no dia do aniversário dela, haha. Isso não é um problema para ela: ela sabe que eu sou assim, que não ligo para essas coisas e que não quer dizer nada sobre meus sentimentos por ela.)
  19. Qualquer estímulo físico pode interferir na projeção. Sua consciência pode estar centrada no psicossoma, e este pode estar afastado do corpo, mas ainda permanece ligado a ele pelo chamado cordão de prata, que conduz informações entre um e outro. Estímulos no corpo interferem nos sonhos, para começar, como quando você sonha com comida porque está com fome, ou com uma turbina de avião por causa do ruído do ventilador, etc. Se influenciam sonhos, podem influenciar uma projeção. Lembro-me, por exemplo, de o Saulo Calderon comentar sobre o uso de algum tipo de técnica projetiva que envolvia jejuar, e aí quando saiu não conseguia manter a lucidez por causa da fome (fenômeno que se dá no corpo físico) e ia até a geladeira tentar se alimentar em astral. O caso extremo de interferência é quando um estímulo externo faz você acordar, como um barulho suficientemente alto ou alguém o chacoalhando. Se o som que você estiver ouvindo for alto (ou talvez abrupto) o suficiente, imagino que você vá ter dificuldade para pegar no sono, o que é essencialmente uma condição necessária para a projeção. Pode ser também que, mesmo dormindo e saindo do corpo, exista alguma interferência na experiência, como ocorre no caso dos sonhos direcionados por estímulos físicos. Não quer dizer que seja impossível se projetar lucidamente ouvindo algum tipo de áudio. Se alguém diz que conseguiu, eu não tenho motivos sérios para duvidar. Pessoalmente, nunca tentei. Não existe bem uma fórmula secreta que funcione para todo mundo, senão todos estariam se projetando diariamente, né? O negócio é testar várias técnicas (num sentido bem amplo do termo) e ver o que funciona para você. Não tenho nenhuma observação pessoal sobre a interferência de aparelhos eletrônicos. Só posso dizer que sou bastante cético em relação a isso.
  20. Eu gosto de jogar videogames, inclusive jogos de tiro em primeira pessoa. No meu entendimento, não são tanto os jogos em si que podem ser problemáticos, mas como você os joga (isto é, como você se comporta dentro dos jogos) e qual a sua relação com eles. Você sai do seu centro emocional, perde a lucidez (quer dizer, numa abordagem bem minimalista, esquece que é só um jogo?), se irrita, briga com outros jogadores, fica com raiva, se frustra, etc.? Você acha que está jogando demais, que está em algum nível viciado, que isso está atrapalhando outros aspectos da sua vida? Essa atividade traz algum benefício para você, prejudica alguém? Penso que questões como essas sejam úteis para avaliar se o jogo, ou basicamente qualquer hobby, é auspicioso ou não. Para mim tem sido uma experiência interessante jogar mantendo uma postura mais sóbria, mais equilibrada. Até certo ponto, vejo como parte da minha prática espiritual. Ora, se eu não conseguir ser como quero dentro de um contexto de fantasia, de uma realidade simulada, o que poderei esperar de mim mesmo na vida real? Pessoalmente, reparei, por exemplo, que quando estou mais lúcido, mais presente no momento, menos perdido em pensamento, menos reativo às minhas marcas mentais e emocionais, além de não me alterar negativamente com o jogo, tenho um desempenho muito melhor. Isso ilustra os efeitos que esse tipo de postura pode ter na vida em geral. Para mim, só como curiosidade, é muito mais desafiador manter o equilíbrio jogando xadrez, que também aprecio e a que já me dediquei como hobby, do que um joguinho de atirar em bonequinhos animados numa tela. Qualquer hobby tem como um objetivo básico relaxar, se divertir, fugir um pouco daqueles aspectos da rotina que consideramos mais sérios -- comumente os profissionais. Isso faz parte da vida e não tem nenhum problema por si só. Cada indivíduo vai, de acordo com suas inclinações, condicionamentos e oportunidades, escolher algo diferente. Alguns amigos meus usam uma expressão em inglês que acho muito engraçada: "guilty pleasure". É um prazer que você tem, mas se sente culpado ao desfrutá-lo. Geralmente é algo como: "Ah, Game of Thrones é lixo cultural. Eu deveria estar lendo Dostoiévski ou Proust, isso sim. Mas é meu 'guilty pleasure', então me permito assistir." Acho um exagero. A nossa cultura nos incentiva insanamente à produtividade, a acumular não só bens materiais, diplomas, certificados, mas também boa forma física, cultura, principalmente "alta cultura", inclusive cultura espiritual. Ignoram-se as pequenas coisas, o inconsequente, o que tem fim em si mesmo. Não tenho nada contra ser produtivo, nada contra as belas artes, a filosofia, boa saúde e boa aparência, as "coisas sérias" em geral -- muito pelo contrário --, mas também reconheço que a maioria de nós precisa de alguma válvula de escape. É uma mera constatação prática. Como em tudo, convém equilíbrio e bom senso. Se você quer virar algum tipo de yogi do Himalaia, passar três anos, três meses e três dias meditando em total isolamento, comendo migalhas, sem nenhum estímulo sexual, sem distração que seja, acho uma ideia maravilhosa, desde que você esteja preparado e não fantasiando que conseguiria. Se você quer ser o próximo Vicente de Paulo, um santo que personifica o serviço desapegado ao próximo, largar tudo e seguir esse caminho, idem. Agora, convenhamos que isso tudo é para pouquíssimos. E é necessário? Talvez em algum estágio do seu percurso evolutivo, mais provavelmente não agora. Ninguém culpa uma criança de 10 anos que está na quarta série por não estar na universidade, certo? Mas é bom se é um aluno de quarta série aplicado. Em suma, a ideia geral é: não são as coisas em si, mas a nossa relação com elas e como deixamos que elas nos afetem. Basicamente qualquer acontecimento pode ser engrandecedor ou levar a um desequilíbrio. Pela minha experiência, tirando casos que são obviamente nocivos, é sempre por aí. Já joguei airsoft algumas vezes e achei divertido. Também achei que exige bastante condicionamento físico, o que o torna uma atividade física interessante. Talvez alguém venha com uma opinião muito diferente da minha. Esteja aberto a todas, use seu melhor julgamento, com todo o seu discernimento, e entenda que, de qualquer forma, falar é fácil e, ademais, ninguém vai viver sua vida por você. Meu meio centavo.
  21. Todos nós estamos em constante permuta de energias com os ambientes pelos quais passamos e com as pessoas com quem temos contato. Por esse mecanismo, é inevitável que impregnemos os ambientes em que passamos mais tempo com a nossa assinatura energética, isto é, com energias imbuídas da qualidade que nos é própria. A sua casa, e em particular o seu quarto, são casos em que isso é especialmente intenso, dado o tempo que você passa aí. (Considerando a média de 8h diárias de sono, isso dá pelo menos um terço do seu dia passado no seu quarto.) Diante disso, o principal ponto a se observar é a sua própria postura. Se você é uma pessoa equilibrada, positiva, altruísta, suas energias naturalmente vão ser boas e isso vai se refletir na sua casa e no seu quarto. Em relação à presença de consciências extrafísicas, isto é, de espíritos desencarnados, pela lei básica de que semelhante atrai semelhante, nesse caso você atrair boas companhias e repelir companhias indesejáveis de maneira natural. Se a sua postura é oposta, o resultado vai ser oposto. Realisticamente, nós que vivemos neste mundo somos consciências ainda um tanto complicadas, mas sempre temos a possibilidade de trabalhar para a nossa melhoria íntima. Isso vai inevitavelmente repercutir nos aspectos mais exteriores de nossas vidas, mesmo que de uma maneira que não nos pareça óbvia. É claro que, na prática, esses são espaços que costumamos dividir com outras pessoas, família e em especial cônjuge, mas também visitas que recebemos. Eu sou bastante seletivo com quem recebo na minha casa, e basicamente nunca levo ninguém "de fora" para o meu quarto. Além disso, uso o quarto apenas para dormir, fazer sexo, meditar, realizar práticas espirituais em geral e ler obras, digamos, engrandecedoras. Não vejo televisão no quarto. Não acesso redes sociais no quarto. Não me deito na cama e fico pensando em problemas. Isso é um cuidado que não me custa nada e é benéfico. Fora isso, você pode, sim, fazer trabalhos específicos de limpeza e proteção, não só do quarto mas da sua casa como um todo. Quando sentir algo "denso" que não é típico ou que, até onde você percebe, não é simplesmente um reflexo do seu estado íntimo, exteriorize energia com a intenção firme de limpeza ou proteção, sem medo ou raiva de presenças indesejadas, porque isso só estreitaria a sua conexão com elas. Pode parecer conflituoso na superfície, mas é perfeitamente possível expulsar seres indesejados sem a intenção deliberada de prejudicá-los. (Se, por exemplo, um morcego entra na minha casa, eu não quero matá-lo; só tirá-lo dali, sem machucá-lo, devolvendo-o para o seu ambiente próprio.) Seja como for, acredito que todos temos o direito à autodefesa. Conforme você desenvolve (I) a sua percepção parapsíquica e (II) a sua lucidez, fica mais fácil perceber intrusões e problemas sutis em geral. Existem muitas técnicas específicas para limpeza e proteção, incluindo métodos ritualísticos tradicionais, mas, até onde entendo, todos eles se baseiam, no fundo, na dupla concentração-vontade. Se você não tiver foco, não funciona; se a sua intenção não for clara e forte o suficiente, não funciona. De todo modo, como eu comecei dizendo, o que vai ser mais determinante é a sua postura geral. Não é de grande valia passar o dia todo em desarranjo emocional e depois tentar fazer mágica e resolver o problema.
  22. Acho que não é tanto questão de fazer parte de uma religião quanto de ser fundamentalista. Existem religiosos de virtualmente todas as vertentes com um entendimento de que a religião que escolheram é um aspecto da verdade, ou um caminho de evolução espiritual, mas que existem outros. Dentro do Budismo, por exemplo, o próprio Buda Xaquiamuni explicou que a doutrina que ele ensinava era como um barco que ajudava a levar os homens de uma margem do rio, a da ignorância, para a outra, a da liberação, e que ao chegar ao outro lado o que se faz é abandonar o barco. Para ilustrar, uma citação do Lama Padma Samten, extraída do livro "Meditando a Vida": Agora, algumas tradições deixam isso de que há muitos caminhos para o mesmo destino mais ou menos explícito, outras, seja por manipulação ou qualquer motivo, se oferecem como a Verdade. Simultaneamente, tem gente estudando religião comparada e tentando buscar o fundo comum a todas as elas, como os perenialistas. É duro achar que Buda é budista, Jesus é cristão, Lao Zi é taoísta, etc. Hehe.
  23. Para praticar yoga, de fato, é recomendável que você tenha um instrutor qualificado, e aí naturalmente vão estar envolvidas coisas como hora marcada, lugar fixo e pagamento pelo serviço. Para meditar, por outro lado, você não precisa de essencialmente nada além de algumas instruções básicas e motivação para praticar. Você encontra no YouTube vídeos de professores de budismo, por exemplo, explicando em poucos minutos como meditar. No geral se começa com meditação com foco na respiração ou similar. (Pessoalmente, recomendo a Monja Coen ou o Lama Padma Samten.) Então aprender como se medita não é um problema. Quanto a reservar tempo, é ilusório achar que você vai começar a meditar e ficar ali de cara uma hora seguida ou mais. Não cabe bem essa coisa de "encaixar no dia-a-dia", porque você provavelmente vai conseguir meditar, no máximo, uns 15 ou 20 minutos, se não tem experiência com esse tipo de coisa. Não se frustre se nem chegar aos 10 minutos. Tente algo como alguns minutos de manhã e mais alguns minutos antes de dormir. O recomendável é começar assim mesmo, aos poucos. Não é muito importante fazer sempre no mesmo horário, nem existe um horário excepcional que se você seguir vai ser especial. Não se prenda a detalhes desse tipo. A chave é persistência, manter a consistência na prática dia após dia. A não ser que você tenha um parapsiquismo muito desenvolvido, não espere nenhuma experiência mística só porque você se sentou e focou sua atenção. Se acontecer, desconfie de que é só criação mental sua, observe e siga meditando. Esse tipo de coisa (e qualquer outro tipo de acontecimento, para falar a verdade), na prática de meditação, é só distração. O primeiro passo é aprender, o segundo é começar.
  24. Só pelo bem da precisão, OLVE (Oscilação Longitudinal Voluntária de Energias) é uma coisa, EV (Estado Vibracional) é outra. A OLVE é uma técnica, um método: uma sequência de procedimentos realizada com dadas finalidades. Uma delas é justamente atingir o EV, que é um estado, uma condição do energossoma ou holochacra -- ou seja, para simplificar, das suas energias. Para ilustrar melhor a diferença: você faz exercícios físicos (técnicas), por exemplo, para ter mais saúde (estado do corpo físico). Quando você está se exercitando e alguém lhe pergunta o que está fazendo, você não responde: "estou fazendo saúde", certo? Do mesmo modo, quando você se deita e usa a técnica projetiva da sua preferência, você está seguindo procedimentos, mas não está projetado. Pode se projetar pela aplicação da técnica, mas também pode não acontecer, e você não confunde uma coisa com a outra. Eu sei que o pessoal tem usado expressões como "fiz um EV" e similares e, muitas vezes, quer dizer na verdade que fez algum exercício de movimentação energética, geralmente a própria OLVE. O EV, nesses casos, pode ter sido atingido ou não, mas as pessoas que têm se expressado dessa maneira não costumam especificar. É um abuso de linguagem e muita gente pode achar que é pura chatice, mas num campo que já é bem difuso como espiritualidade, acho válido tentar ter cuidado com alguns detalhes. Aliás, o EV pode ser atingido por várias outras técnicas energéticas e até pode ocorrer espontaneamente. A OLVE pode não levar ao EV, e mesmo assim é benéfica. Para complicar, acredito que é possível uma pessoa, no corpo físico, entrar em EV mas não ter os sintomas clássicos, e assim nem saber dizer, em princípio, se houve EV ou não. Existem pessoas que têm menor percepção direta das energias, principalmente no corpo físico, mas isso não quer dizer que elas não possam trabalhá-las e obter todos os benefícios dessas práticas.
  25. É um inferno porque você vê assim, por causa de como você reage, não pelo que acontece em si. Tem muita gente aqui que faz técnicas há tempos e ainda não conseguiu ter as experiências que você já teve espontaneamente, sem esforço, sem nem as desejar. Eu, pessoalmente, não vi nada claramente terrível no seu relato. O problema é a maneira como você reage ao que experiencia -- com medo. Medo é a coisa mais natural do mundo. É tão natural quanto, por exemplo, desejo sexual ou nojo de excrementos. Sim, porque é uma reação instintiva que todos trazemos na nossa, por assim dizer, assinatura biológica. Existem razões muito práticas, e até favoráveis, para sentirmos esse tipo de coisa. Aí a questão, como com todo instinto, é de superação, transcendência. Não querermos sermos só macaquinhos com poucos pelos e polegares opositores, certo? Uma coisa é, por exemplo, ser hipertenso e ter receio de sofrer um AVC. Aí não é só possivelmente medo da "morte", mas de talvez ficar incapacitado, debilitado de um jeito muito limitante. Outra é ter medo do desconhecido. Em grande parte, é fruto do medo que nos foi imposto do "oculto" por séculos de doutrinação religiosa simplista, ignorante e, frequentemente, mal intencionada. Isso tudo faz parte, e a maioria passa por isso em algum momento. Mas vamos trabalhar isso, né? Um método que costuma funcionar bem é o do estudo. Pense comigo... Você é criança e algum adulto inconsequente coloca em você medo do bicho papão e whatnot. Aí você cresce, estuda e descobre que isso é tudo mito, que não há aí nada a se temer. O seu caso, claro, é mais complicado, porque você está descobrindo que há mais coisas entre a Terra e o Céu do que julga a sua vã filosofia. É uma descoberta e tanto! Procure se informar, em primeiro lugar. Leia sobre projeção da consciência, sobre plano astral e temas correlatos. A maioria esmagadora das fontes respeitáveis vai atuar no sentido de convencê-la de que não há nada a temer. Também vai ensiná-la como se defender caso surjam problemas. Eventualmente você ainda vai sentir medo -- eu mesmo, quando a lucidez está baixa, sinto medo. Aí quando desperto no corpo, o que penso é: "Caramba, que bobagem!" Só não fico bravo comigo mesmo porque prefiro achar graça e rir, sempre tentando crescer com cada experiência. Você provavelmente está, quando isso ocorre, no chamado estado hipnagógico, que é essencialmente um intermediário entre a vigília e o sono. Ter percepções extrafísicas não é incomum nesse estado. Mas uma parte considerável do que você percebe pode ser, e provavelmente é, criação mental sua mesmo. Qualquer projetor sabe que a grande dificuldade é, não só ter lucidez, mas manter essa lucidez com boa estabilidade. E, sem isso, fica muito difícil distinguir o que é real do que é produto do seu inconsciente. E sabe também que a proximidade do corpo físico é um grande dificultador. Acaba sendo um corolário que em hipnagogia a lucidez vai ficar, para a maioria, muito prejudicada. Diante disso, meu conselho é que você não leve essas percepções tão a sério. Observe-as, tente usar o senso crítico. Se estiverem a incomodando muito, tente focar algo bem específico e abstrair todo o resto. Meditação é um tipo de prática que pode ajudar no desenvolvimento dessa habilidade. Exercícios de concentração em geral, a mesma coisa. Procure aprender técnicas de separação, testá-las, ver qual funciona para você, sair do corpo, se afastar dele e -- ufa! Então é muito provável que você tenha uma experiência agradável. Não sei se entendi bem o que você realmente quer, se parar tudo, voltar à normose, ou levar adiante seu desenvolvimento parapsíquico, conseguir ter projeções conscientes. Se quiser parar tudo, um jeito bem prático é procurar um psiquiatra e tomar uns medicamentos derruba-leão. Uma amiga minha, médium ostensiva, "resolveu" o problema dela desse jeito. Basicamente qualquer pessoa suficientemente sedada vai ter um apagão e não vai passar pelo que você enfrenta. Vale a pena seguir esse caminho? Não creio. Você vai estar só adiando questões com as quais vai ter de lidar mais cedo ou mais tarde. Em certo sentido, dá para dizer que o que você tem é um dom. No mínimo, uma facilidade, o que não é muito diferente. Quer dizer que é uma possibilidade a ser explorada, com a qual você pode aprender, prestar auxílio aos outros, ampliar sua mentalidade, etc. Como dizia o sábio Uncle Ben, com grandes poderes vêm grandes responsabilidades. Não é à toa que você tem essa facilidade. A minha experiência com projeções é muito parecida com a do Sandro. Tive muitas, espontâneas e com grande lucidez no começo. Depois tive de correr atrás. Para mim, pessoalmente, mais importante do que o fenômeno da projeção em si, o que isso me trouxe foi uma abertura da minha visão de espiritualidade, uma motivação especial para trabalhar questões como equilíbrio emocional, lucidez e desenvolvimento energético, e para estudar espiritualidade. Como eu disse no começo, o principal problema me parece ser o seu medo. Se quiser levar adiante, tem de superar isso. Felizmente somos maquininhas de adaptação e aprendizado e, na pior das hipóteses, uma hora você vai começar a se acostumar e não se assustar mais como hoje. Se você for pró-ativa e se ajudar, tanto melhor. Procurar auxílio aqui no fórum já é um ótimo passo. Dá para notar também que você não é ignorante do tema. Legal. Tá indo bem. Você menciona que seu pai é espírita, que sua avó é isso, que sua mãe é aquilo. Eu não sei onde você mora, mas existem grupos especializados em projeção e assuntos correlatos. Mesmo no meio espírita tradicional, onde se esperaria talvez informação de qualidade sobre o assunto, no geral o que se encontra é ignorância adornada com tabus e recheada com medo. Procure, se puder, um instituto como o IIPC, o IPPB, ou talvez algum grupo esotérico da sua preferência. Se não tiver nada por perto, você vai se virando com a internet mesmo. Hoje a informação sobre esses temas está amplamente divulgada. Tem uns esquizotéricos por aí, gente falando besteira e até gente só interessada no próprio bolso. Desenvolva seu senso crítico, desenvolva sua intuição, e mãos à obra. Peço desculpas se pareci ser duro. Minha intenção é estimular você a superar esse medo e seguir seu desenvolvimento, em oposição a fugir e enfiar a cabeça num buraco. Desejo-lhe muita ventura!