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Tiago-psi

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  1. Olá pessoal. Último repost para este tópico, já que os caps não serão mais postados aqui, somente no blog. Hoje começou o volume 2 das crônicas, para quem leu o volume 1 estava ansioso para este dia, já que nosso protagonista agora percorre o plano astral. Para quem acompanhou também esta semana, notou que postei um vídeo ligado ao novo volume. Agradeço aos leitores por terem acompanhado o volume 1 e que possamos caminhar juntos nesta nova jornada, a jornada do plano astral. http://cronicasomne.blogspot.com/
  2. Obrigado pelo comentário Erivelto, já tinha te respondido por mp, sinta-se a vontade, fico grato. É isso aí pessoal, último capítulo do volume 1. Dia 01/01/11 postarei no blog as datas para as novidades de 2011. Feliz natal a todos e bom ano novo. Boa leitura. 4 MESES ATRÁS... Em uma esquina escura na noite da cidade, tudo vazio, sem movimentos, o frio era intenso, a neblina assustava o ambiente, uma fumaça cinza integrava em um pequeno espaço, tomando uma forma cada vez mais humana, se materializou Huncamé, parecia exausto, andando um pouco, entre os becos do local, encontrou uma mulher, a qual atacou ferozmente, mordendo seu pescoço, ela desmaiou, porém, não ficara marcas. Huncamé apresentava um aspecto melhor, se alimentou do ectoplasma da mulher, embora não a tenha matado. Após entrar em uma boate, encontrara seus servos, Kalu, Naton e Jean, sutilmente alimentando-se das energias densas do lugar, Huncamé exalava medo com sua máscara nas pessoas, após encontrá-los, recrutou-os. “Se aproveitando dessas energias?” “Mestre Huncamé!” “Sentimos tanto sua falta, ficamos desorientados após todos esses anos.” “Tive muitos problemas, obstáculos para prender as trevas, porém conseguimos dar um grade passo, e agora que estou aqui está na hora de fazermos os preparativos para o grande dia.” “O que o senhor precisa?” “Primeiramente um local para ficarmos, em seguida trabalharemos num processo de obtenção de ectoplasma, nossas cientistas desenvolveram uma forma eficiente de armazená-lo, em recipientes de metalamina, metal astral isolante muito eficiente.” “Há uma casa abandonada a algumas quadras daqui, as ruas são pouco movimentadas, ideal para algum plano.” “Ótimo, vamos para lá.” 2 MESES ATRÁS... Em um dia claro, uma fumaça de aspecto verde surge próximo ao hospital onde Sarah trabalha, materializando Vishnu. “Huncamé, suas ações estão sobre suspeita do conselho espiritual.” Enquanto isso na casa abandonada. “Qual o seu nome?” “Ga-Gabriel...” “Qual o seu propósito?” (…) “Gabriel não estava inicialmente em meus planos, nem sabia de sua existência, mas ele pode ser útil para os planos maiores das trevas.” 1 MÊS ATRÁS... “Quantos tonéis de ectoplasma já possuímos?” “Oito.” “Precisamos de mais, trabalhem logo, espere, estou sentindo uma criação mental muito poderosa, pode ser muito útil em nosso trabalho, vou tentar atraí-lo.” DIAS ATUAIS.... Huncamé cruzou seu braço criando um campo que empurrava o ar, atirando Vishnu ao longe. “Seus poderes não são nada comparados ao meu, não vou permitir que você interferia em todo o trabalho de ectoplasma que arranjei.” Uma mulher de cabelos ruivos se aproxima de Vishnu, ajudando-o a levantar. “Talvez ele não, mas eu vou derrotá-lo Huncamé.” “Sarah!” “Olá Vishnu, e Huncamé.” “Sarah, você aqui...Kalu, Naton, Jean, detenha-a.” “Vishnu, você tem energia suficiente?” “Acredito que sim.” “Preciso para o ritual de Huncamé, cuide dos servos dele.” “Entendi.” Sarah e os agentes das trevas iam em direção um do outro, porém, ela pulara por cima deles, chegando próximo a Huncamé, que executava o ritual de energização e controle da criatura mental do livro através de seu punhal, Vishnu aproveitou a situação, se colocando contra os servos, formando um raio verde que contornava seu braço, após atingir certo grau de iluminação o lançara em direção a eles, empurrando-os com grande força para os campos próximos a rua, seu plano era afastá-los para mais longe possível de seu mestre. Sarah tocou no solo com a palma de sua mão, provocando um pequeno, mas intenso terremoto desestabilizando Huncamé, após cair, tentou continuar com o ritual, um lento raio roxo emergia do livro para as alturas, Sarah retirou uma pequena pistola, apontando para ele. “Sarah, por favor, armas não funcionam comigo, se esqueceu que não tenho um corpo físico?” “E que tal uma arma com munição de metalamina?” Dando diversos tiros, as balas penetravam Huncamé criando pequenos vórtices em seu corpo, logo começara a evaporar, dissolvendo-o lentamente no ar. “Isso é algo que não esperava, mas isto não representa minha morte, vou me vingar Sarah, vou recuperar minha habilidade de ascensão, você verá que ninguém fica no caminho dos senhores das trevas!” O livro fechou sozinho, impedido do ritual ser completado, Vishnu voltou para Sarah. “Então você conseguiu!” “Ele está no astral agora, mas Vishnu, ele podia ter muito bem ter parado ou desviado das balas, por algum motivo ele quis, de propósito, voltar para o astral, ascender...essa habilidade pode ser perigosa...” Ao voltarem para o lado da cidade, se depararam com uma multidão que assistira ao evento, estavam perplexos, o que assustou ambos. “Droga, eles viram tudo.” “Vamos logo sair daqui.” Uma fumaça preta emergiu do chão, escondendo Sarah e Vishnu, que acabaram desaparecendo da rua, foi uma forma deles escaparem dali, já em outro local, voltaram a discutir. “O que faremos agora que eles perceberam?” “Precisamos nos manter em silêncio, escondidos, não tem como eles provarem do acontecimento, porém os relatos ficarão, só espero que esqueçam logo.” “Preciso ir me encontrar com seu irmão.” “Por favor, cuide bem dele.” O local ao qual Vishnu mandou Gabriel era um apartamento na região pobre da cidade, após o acontecido, retornara, onde Gabriel aguardava em frente ao local. “Vishnu! Você está bem?” “Estou sim.” “O que aconteceu com Huncamé?” “Ele está em outro plano de existência agora.” “Você matou ele?” “Tecnicamente, ele já está morto, afinal, não tem corpo físico.” “Acho que entendi.” “Bem, vamos entrar?” “Que lugar é esse?” “Gostaria que você conhece-se uma pessoa, venha comigo.” Entrando no prédio, subiram escadas com formato triangular, até chegarem no apartamento número 139, Vishnu bateu na porta, um jovem que abriu, imediatamente percebendo quem era negou. “Não!” Gabriel olhou para Vishnu com uma expressão de que não havia entendido. “Ele é assim mesmo.” Após bater na porta, voltou a repetir. “Já disse que não!” “Por favor, eu telefonei para você, por que não respondeu?” “Porque não quero oras.” “O irmão da Sarah, Gabriel, está aqui, precisamos de sua ajuda. A porta foi aberta novamente, encarando Vishnu. “Eu sei que você está bravo comigo, depois de todos esses anos, mas precisamos de sua ajuda, Huncamé tinha conseguido entrar no plano físico, isso não impede de outros virem também.” “Entrem.” “Gabriel, este é James, foi um grande amigo a algum tempo atrás.” “Olá.” “Vishnu venha comigo.” O apartamento aparentava ser totalmente sujo, Gabriel sentou no sofá que era um dos poucos lugares menos imundo, havia símbolos espalhados por todo o lugar, círculos e o que parecia ser sal na porta de entrada, enquanto Vishnu e James discutiam na cozinha. “Você disse Huncamé?” “Sim, ele esteve aqui no físico e obteve uma massiva quantidade de ectoplasma, por sorte, Sarah conseguiu mandá-lo de volta para o astral.” “O que você quer?” “Gabriel desconhece a projeção, você é experiente nisso.” “Por que ele?” “Porque ele herda um grande poder da família Egne, precisa ser treinado.” “Está bem, mas não pense que vou ficar de babá.” “Não se preocupe com isso, eu mesmo vou treiná-lo.” Ao voltarem para a sala, James perguntou a Gabriel o que ele sabia a respeito da projeção, este respondera quase nada. “A projeção astral permite que você transfira sua consciência ativa do corpo físico para o corpo astral, assim podendo ter acesso ao plano astral, um plano de existência muito maior que este, eu sou um psinner, uma classe de projetores dedicada a projetar outras pessoas, animais, objetos, qualquer coisa, uma classe, infelizmente, em extinção.” “O que vai acontecer?” “Eu vou projetá-lo, como você não tem experiência, pode doer um pouco.” “Não se preocupe Gabriel, estarei todo tempo do seu lado, vejo você no astral.” “Deite agora.” Após deitar no sofá, James aproximou sua mão na cabeça e barriga de Gabriel, após alguns minutos ele ficou paralisado, não conseguia mover nenhum músculo, sentindo uma dor enorme, como ácido corroendo seus ossos, especialmente em sete pontos que se estendem da base da coluna até o topo da cabeça, então ficara inconsciente. Uma brisa leve soprava seu rosto, Gabriel abriu os olhos, sentia-se leve, estava deitado de barriga para baixo, notou que estava no topo de uma montanha, Vishnu, ao seu lado, estendeu a mão. “Bem-vindo ao plano astral.” FIM DO VOLUME 1
  3. Obrigado pelo comentário Erivelto. É isso aí pessoal, penúltimo capítulo, lembrando que agora dia 23 vem o último capítulo do volume 1. Boa leitura. Capítulo 9: O encontro “Qual o sentido da vida, se não nascer, viver e renascer?” As viagens de Fugit O dia iniciava chovendo, Gabriel, novamente em seu quarto, aguardava por oportunidade, sua tia com certeza não lhe daria ouvidos, fugir já não era mais uma opção, restava apenas esperar. Huncamé saiu da casa abandonada com seus três servos, ao qual eram tratados como agentes das trevas. “E então, por onde começamos mestre?” “Quando detectei uma criação mental, senti seu enorme poder contido, uma pessoa normal não pode controlá-lo, mas eu posso.” “E como podemos encontrá-lo?” “Após sentir sua presença tentei atraí-lo, porém uma outra força conseguir aprisioná-lo, fiquei um certo tempo rastreando, até conseguir achá-lo.” “Onde?” “No depósito de Lucian Luxiter.” Era claro, Huncamé se referia a criatura aprisionada no livro dito amaldiçoado, ao qual a primeira equipe teve que intervir. Ao chegarem no local, estava tudo fechado, Naton encostou a mão em um cadeado que cerrava a porta, abrindo instantaneamente, entrando no pavilhão Huncamé ergueu sua mão como um sensor afim de localizar o livro, em meio ao escuro, de repente, acendera uma luz, era Lucian. “Huncamé? O que vocês estão fazendo aqui?” “Já faz muito tempo Lucian, me lembro quando você era apenas um garoto assustado.” “O que vocês querem?” “Uma simples mercadoria, um pequeno livro, escrito em runas, deve conhecer.” “Não posso entregá-lo.” “Entendo, você não trabalha de graça, Kalu.” Kalu materializou um tonel completo com ectoplasma. “Acredito que assim fica mais fácil.” “Quanto de ectoplasma tem neste tonel?” “Vinte e cinco quilos.” “É mais que a quantidade total de energia vital de um ser humano.” “Tentador, não? Facilite as coisas Lucian, uma simples troca.” “Está bem, mas com uma condição.” “Qual?” Enquanto isso, Alexandre falava ao telefone. “Escute, eu sei que você não quer falar comigo, após todos esses anos, mas preciso de sua ajuda, eu tenho uma pessoa que você gostaria de conhecer, por favor, assim que ouvir essa mensagem me comunique.” Alexandre ia em direção a casa de Gabriel, o céu parava de chover, enquanto ficava nublado, ao chegar, notou grades soldadas na janela do quarto de cima, subindo em cima da casa, conseguira arrebentá-lo mais ou menos com facilidade, Gabriel ouviu o barulho enquanto dormia, ao levantar percebeu quem era. “Alexandre? O que você está fazendo aqui? Olhe o que você fez aqui!” “Não se preocupe Gabriel.” “Se minha tia lhe pegar vendo isso, ela vai ser capaz de colocar a culpa em mim!” “Gabriel...” “Olha isso!” “Gabriel! Acalme-se, você quer embora?” “Embora?” “Sim, sair daqui, há algumas coisas que quero lhe mostrar, você não aguenta mais ficar, não é mesmo?” Ouviu-se passos em direção a porta, Alexandre olhava em sua direção, como sabendo quem era, ao abrir, Isabel. “Você!” “Olá tia Isabel.” “Vocês se conhecem?” Perguntou Gabriel. “O que você quer aqui?” “Vim buscar o Gabriel.” “O que você quer com ele?” “Você não acha que está na hora?” “Hora de que?” Assustado falou Gabriel. “Gabriel, você não quer a verdade do mundo?” “E do que adianta? Eu sou me deparei com crueldade nisto tudo.” “Aqui você tem duas escolhas, ficar com sua tia, continuar seus estudos, ter um emprego, uma família, envelhecer e morrer, ou vir comigo e descobrir como o universo pode ser grande.” Por um momento Gabriel olhou para sua tia, ela fez uma expressão que desta vez daria uma escolha. “Eu vou ir, quero saber o que se esconde por trás de tudo o que presenciei.” “Arrume então suas coisas Gabriel.” “Você tem certeza disso?” “Sinto muito tia, eu realmente tenho que ir, é isso o que quero para mim, uma vida de verdades.” Após saírem, Gabriel sorri. “Obrigado tio Jones, obrigado tia Isabel.” Enquanto andavam, Gabriel revelou a Alexandre um fato curioso. “Não sei porque, mas sinto que lhe conheço.” “Deve ter sido em sonho.” “Sonhos...foram interessantes nestes últimos tempos.” Em uma das ruas, a dupla e Huncamé com seus servos se cruzaram. “Ora ora, que surpresa.” “Não, não, não, você! Você é o Huncamé, eu tinha sonhado com você.” “A questão é que não foi apenas um sonho, não é mesmo, Vishnu?” “Vishnu? Então você é o Vishnu, Alexandre!” “É, Alexandre foi um nome que criei para os repertores não suspeitarem.” “Foi você que me curou, eu lhe devo muito.” “Não se preocupe com isso, é meu dever ajudá-lo, escute, as coisas aqui vão ficar perigosas, vá até este endereço.” “E quanto a você?” “Vou ficar bem, vejo você lá, agora vá.” Após Gabriel partir, Vishnu encarou Huncamé. “Então Gabriel se tornou seu pupilo.” “Ele é uma boa pessoa, ele merece conhecer o outro lado, é seu desejo saber a verdade.” “E seu desejo é guiá-lo então, pode ir, eu não me importo.” “Acha realmente que vou permitir que você ande por aí? Ainda mais com esse livro, como conseguiu?” “Negócios negócios, amigos à parte.” “Lucian...aquele traidor.” “Está na hora de mudar este mundo.” Huncamé abriu o livro até a metade, um vapor fino de aspecto roxo emergiu, vozes eram ouvidas no ambiente. “Pare com isso!” “E o que você vai fazer?” Huncamé cruzou seu braço criando um campo que empurrava o ar, atirando Vishnu ao longe. “Seus poderes não são nada comparados ao meu, não vou permitir que você interferia em todo o trabalho de ectoplasma que arranjei.” Uma mulher de cabelos ruivos se aproxima de Vishnu, ajudando-o a levantar. “Talvez ele não, mas eu vou derrotá-lo Huncamé.” “Sarah!”
  4. Obrigado pelo comentário Erivelto. Isso aí pessoal, chegamos no antepenúltimo capítulo, mas não, não é o fim, vou revelar algumas surpresas. Como vocês sabem, todo sábado é postado um novo capítulo, porém, o capítulo 9 será postado dia 20/12 e o último capítulo do volume 1, o capitulo 10, será postado dia 23/12 (presente de natal XD). Mas não se preocupem, janeiro inicia o volume 2, no ínicio do próximo mes irei informar no blog as datas específicas, juntamente com as novidades para 2011. Até então, boa leitura. Capítulo 8: Abissal “Em quantidades universais, o astral é exímio.” História do plano astral Vol 1 Era muito para aguentar, Gabriel refletia se devia continuar, desde que conheceu a primeira equipe de repertores se sentia diferente, inferior, com tanto a se saber, com um mundo mais real lá fora, seria realmente uma oportunidade o que estaria passando? Ou uma maldição por obsessionar o desconhecido? O dia estava tão nublado quanto sua mente, toda sua curiosidade o levou a crueldade do mundo. No pavilhão, estavam Lucian, Arthur e Alexandre. “Isto está parecendo um interrogatório.” “O que você esconde Alexandre? Ou será que posso lhe chamar de...” “Acalma-se Lucian, podem haver pessoas por perto.” “O que é esta força sombria que Arthur sentiu?” “Nada que cabe a vocês.” “Claro, só porque um plano de existência nos separa não significa que devemos ficar ocultos do que ocorre lá, vocês precisam de nós.” “Não me subestime Lucian, sua arrogância o impede de ver a real situação.” “Real situação? Podemos estar a beira de uma guerra sem saber.” “Não cabe a você, nem aos repertores, há algo muito cruel acontecendo, nosso objetivo é não trazê-lo ao plano físico.” “Nem mesmo ao Gabriel?” “Estou caindo fora, preciso me encontrar com os outros, e Gabriel vai comigo, chegou a hora.” “Escute bem Alexandre, você afundará ele junto a toda verdade que esconde.” Após Alexandre se retirar, Arthur demonstra grande preocupação. “E agora?” “Agora estamos por conta própria, mas antes que Gabriel vá embora, vou colocá-lo uma última vez na quinta equipe.” Começara a anoitecer, horário para o encontro com os repertores, Gabriel decide ir, mantendo dúvidas em sua mente, ao chegar no local, a quinta equipe aguardava, exceto por Alexandre. “Onde ele está?” “Não lhe interessa.” Respondeu Susana. Era claro que não se sentiam confortáveis na presença de Gabriel, afinal desejavam muito acompanhar a primeira equipe, onde não tiveram oportunidade. “Não devemos deixar que as emoções falem mais alto, não devíamos ter inveja, e sim ficar feliz dele ter tido esta oportunidade.” “Na verdade, mesmo que outra pessoa tenha ido, não teria feito nada, mal pude compreender o que realmente aconteceu lá.” “Alexandre não é mais um repertor, Lucian me convocou agora, sou o novo líder da quinta equipe.” Respondeu Roberto. A quinta equipe não parecia contente, nem mesmo Roberto, que não se sentia apto a liderar o grupo, Alexandre era carismático e passava muitas informações uteis, se sentiam desamparados perante a falta de sensibidade de Lucian, após alguns minutos de silêncio, Gabriel mostra sua indignação. “Então é assim que as coisas ficam?” “O que mais podemos fazer?” “Sair não é uma opção, não depois de tudo o que passamos.” “Precisamos falar com Alexandre.” “Até poderíamos, mas não sabemos onde ele está.” “Lucian me deu este caso para resolvermos, talvez possamos encontrar algo que possa nos ajudar.” “E do que se trata?” “Um caso de obsessão, vamos logo.” Isabel seguiu Gabriel, acabando por descobrir que se tornara um repertor de Lucian, não poderia ficar mais furiosa, após o grupo partir, cuidadosamente seguiu, mantendo distância, para ver onde isto chegaria. Ao chegarem na casa, a quinta equipe viu apenas uma pessoa, em estado normal, Susana sentiu a presença de muitos vermes astrais, após alguma conversa a quinta equipe soube que a pessoa dita possuída estava amarrada em um quarto, tinham chamado diversas de pessoas das mais variadas religiões, inclusive exorcistas, todos falharam, foi quando contratou os serviços de Lucian para resolver o problema. Entrando no quarto, César, o possuído estava amarrado, Susana relatou que a quantidade de vermes astrais ali era muito grande, o ambiente estava pesado e escuro, então partindo para um trabalho imediato de limpeza energética, enquanto os outros tentavam resolver, porém, o espírito reconheceu Gabriel, ao qual ficara com medo. “Você me conhece?” “Gabriel, sou eu, Carlos, seu colega de escola, que fez o jogo do copo.” Seu espanto era notável, entre as pessoas que fizeram a brincadeira, Carlos havia falecido naquele dia devido ao cansaço extremo que ocorreu, sua condição energética era clara, com tantos vermes invisíveis do outro mundo e um odor terrível, não estava em melhores condições. “Por favor, me ajude.” “O que você precisa?” “Está tão escuro, tão frio...não aguento mais isso!” O corpo de César tremeu semelhante a um ataque epilético, em instante, a quinta equipe não sabia o que fazer, neste momento houve necessidade de Alexandre, porém, Roberto notou o quão dependentes estavam, respirou fundo. “Segurem ele, Gabriel, você conhece esta alma, saiba o que fazer.” “Carlos, acalme-se, está tudo bem, estamos aqui, olhe para mim, vamos tirar você dessa.” “Gabriel, algo muito horrível está vindo, uma força maligna de proporções inimagináveis.” “Que força?” Antes que Carlos pudesse responder, havia desparecido, Roberto acredita que ele foi amparado por entidades superiores, mas nada poderia garantir, ao César acordar, pareceu desorientado, sendo aos poucos voltando ao estado normal. “Consegui limpar o ambiente dos vermes, mas somente o tempo vai afastar certas energias densas presentes.” “Ótimo Susana, vamos embora.” “E agora? Nós não sabíamos o que fazer naquele momento, vamos ficar assim?” “Não tenho certeza, vamos desfazer a quinta equipe, deixar o tempo passar, talvez Lucian possa colocar um novo instrutor, até então não vamos mais nos encontrar mais.” Após a saída, quando Gabriel já estava sozinho, aparece Isabel. “Então era isso o que você estava fazendo!” “Tia Isabel? Você não pode me seguir desse jeito!” “E você não pode trabalhar com canalhas como Lucian, ao menos está ganhando algum dinheiro?” “...não...” “Então volte para casa, e sem mas, não quero vê-lo trabalhando com esse tipo de laia novamente.” Enquanto isso, na antiga casa abandonada da cidade, os servos de Huncamé, Kalu, Naton e Jean, juntamente com seu próprio mestre, elaboravam sua perversidade; “Então chegou a hora mestre? Ora ora, finalmente vou poder me alimentar do desespero, não vejo a hora de olhar nos olhos das pessoas e perceber seu medo, será fascinante.” Huncamé afiava um punhal contendo seu símbolo. “Já temos ectoplasma suficiente, bom trabalho a todos, finalmente podemos dar nosso primeiro passo no grande plano das trevas, vamos bagunçar o plano físico de uma forma como os humanos jamais viram.”
  5. Obrigado pelos comentários svedese01 e Erivelto. Este é o primeiro capítulo que fala sobre projeção astral (dá apenas uma pincelada), ainda assim estamos nos encaminhando para o final do volume 1, que será o capítulo 10 (sendo postado no próximo dia 23). Boa leitura. Capítulo 7: Dobro “Que muitos mundos para serem sentidos, separados apenas por uma simples janela.” Delírios de um universo ilusório Imediatamente após o ser artificial escapar do livro, a quinta equipe dirige-se ao pavilhão de Lucian, encontrando ele, após explicar-lhe a situação, é convocada uma reunião com a primeira equipe, enquanto aguardavam em uma mesa octogonal, onde Lucian se ocupara em outra sala, Gabriel questiona Alexandre. “O que é este lugar? E todas estas caixas? Olhei em uma aberta e notei certos frascos que me poe em dúvida.” “Além de comandar sua equipe de repertores, Lucian trabalha com outros negócios, do ponto de vista material poderia ser considerado tráfico (de diversos itens), porém, este não é o caso, ao analisar bem, percebemos que nada que Lucian trabalhe está inteiramente e exclusivamente ligado ao plano físico.” “Ele vende drogas?” “Drogas não seria o termo exato, são essências energéticas que levam a consciência a um nível de êxtase ou tortura, dependendo do cliente, e isto é apenas um de seus negócios.” “Quais seriam os outros?” Antes que Alexandre respondesse, Lucian entra na sala, voltando-se a Gabriel. “Não há necessidade de você permanecer aqui, a primeira equipe pode ser um tanto quanto assustadora, sobre as revelações, é algo que está muito acima do nível ao qual está acostumado.” “Eu preciso saber.” Lucian olha para Alexandre, este faz um gesto de sim. Após alguns segundos os três membros da primeira equipe entraram, um se vestia como monge, outro com um terno e uma com uma armadura leve que lembrava as da idade média. “Olá Lucian, Alexandre, quinta equipe.” “Arthur, Jones, Mal'Ak.” “Parece que a equipe de iniciantes continua...iniciando.” “Lucian havia nos entregado um caso de nível três, como espera que nós tratássemos? Ainda mais quando de repente passa a ser nível um, está acima do que a equipe cinco pode fazer.” “O que importa agora é o caso, um ser artificial andando por aí é muito perigoso, imaginem se a humanidade descobrir, seria um desastre.” “Precisamos nos focar agora em como encontrá-lo, Arthur, como projetor, varra o plano físico em busca dele, Jones, prepare o livro para selá-lo, Mal'Ak, você fica com o trabalho duro, faça a criatura voltar.” “Sim Lucian.” “E quero um iniciante com a primeira equipe, Gabriel, vá com eles.” “No que você está pensando Lucian!” Exclamou Alexandre. “Pode servir como bom aprendizado.” “Por que não outro, mande Roberto, ele é o mais experiente entre os iniciantes, seria algo útil para ser promovido para a quarta equipe.” “Gabriel precisa aprender algo que desconhece ainda, vá Gabriel.” “Ao menos deixe ele tomar esta decisão.” “Sinto muito Alexandre, eu quero realmente saber o que está por trás de tudo isso, é por isso que estou aqui, e é por isso que vou com eles.” A equipe um se retirou, juntamente com Gabriel. “Aos iniciantes, tenho um novo caso que podem resolver, gostaria que Roberto liderasse neste objetivo, Alexandre está estressado emocionalmente, ele ficará aqui, vocês conseguem lidar sozinhos, por enquanto estão dispensados. Após a retirada da equipe cinco, restara na sala Lucian e Alexandre. “Por que você fez isso?” “Está na hora dele dar o próximo passo.” “Ele não está pronto ainda.” “Cada um tem seu livre-arbítrio, você pode aconselhar, mas não pode interferir, não é mesmo? A propósito, Arthur sabe de tudo, fico me indagando se ele pode contar a verdade a Gabriel.” “Seu materialista arrogante, as pessoas devem evoluir dando passos por vez, não saltando.” “Eu sou um exemplo de que sua frase não é válida.” Enquanto isso, a equipe cinco percorre as ruas discutindo melhor o plano, Gabriel queria fazer muitas perguntas aos três. “Arthur, Lucian se referiu a você como projetor, já tinha ouvido falar nisto, mas é possível?” “Perfeitamente.” “Alexandre não lhe ensinou os mecanismos Gabriel?” “Não.” “A projeção astral permite que saiamos do corpo afim de adentrar nas profundezas do plano astral em busca de pistas para casos muito complicados.” “Entre os repertores, somente Arthur e Alexandre são projetores ativos.” “E o que você pode me dizer sobre a projeção e o plano astral?” “Lá reserva toda a verdade do mundo, para mim, a projeção é o caminho, o único, para conhecer melhor a si mesmo.” “Por que Alexandre não me falou sobre isso?” “Também faço a mesma pergunta.” “Chegamos pessoal.” A primeira equipe chegou em um hotel pertencente a Lucian, em um corredor particular, Arthur trancou-se em um quarto, Jones desenhava figuras complexas, centralizando o livro, enquanto Mal'Ak mantinha o local em segurança contra possíveis ameaças. Gabriel ficara somente observando, após poucos minutos uma fumaça de tonalidade cinza aparecera no lugar, foi adquirindo forma humana até completar-se totalmente, era Arthur, materializado no corredor, era de se esperar que Gabriel ficasse espantado. “O que está acontecendo? Você não tinha entrado no quarto?” “E estou ainda no quarto, quero dizer, meu corpo físico repousa na cama enquanto materializei meu próprio corpo astral, agora não há tempo para mais explicações, há algumas legiões das trevas por perto, preciso me concentrar.” Arthur sentou em uma posição de meditação, era visível perto de seu corpo astral pequenas ondas emergindo de sua cabeça, estava rastreando o ser artificial, demorou cerca de vinte minutos até ele falar. “O ser artificial está longe, em outro país, conseguiu fugir rapidamente, vou atraí-lo para cá...espere...há uma força oculta também o está atraindo, sua assinatura é de grande poder sombrio, Mal'Ak, prepara-se quando ele entrar, já ative sua clarividência.” Após alguns segundos foi possível ouvir um som semelhante a um rádio diminuindo seu volume até ficar mudo, Mal'Ak fez uma posição como se estivesse abraçando alguma coisa, na verdade, estava segurando a criatura, embora não fosse visível para Gabriel. Em uma das figuras que Jones desenhou foi de um pentagrama, acendendo as cinco velas e pronunciando um ritual, rapidamente o ar começou a movimentar-se em direção ao livro, ao qual virava as páginas sozinho, a quantidade de energia desprendida foi tão grande que tornou possível a visualização do ser artificial no físico, uma esfera roxa que emitia vozes de terror, quando Jones centralizou a primeira página em branco, a criatura foi em direção, sendo presa, rapidamente o livro foi fechado e selado com uma linha preta nos sentidos vertical e horizontal. Logo Arthur desapareceu do corredor, acordando no quarto. “Caso resolvido, embale o livro e entregue para Lucian.” “O que acontece agora?” “Lucian irá entregar para alguém da segunda equipe, afim de que o ser artificial possa ser destruído.” “Destruído? Ele é um ser vivo!” “Não, um ser artificial é como um robô, se movimenta, segue ordens, pode até parecer humano, ainda assim não possui vida, ele é muito perigoso, aquela força oculta que senti desejava a criatura, com certeza para fins maléficos, vamos embora.”
  6. Obrigado pelo comentário Erivelto. Capítulo novo e com imagem (blog) [Divagação do autor]Ao postar aqui no GVA notei um tópico sobre vermes astrais, coincidentemente também foi explicados neste capítulo, achei interessante*[off] Boa leitura. Capítulo 6: O livro amaldiçoado “Nem tudo o que reluz é ouro.” Ditado popular Gabriel refletia em sua cama tudo o que estava acontecendo, ao olhar pela janela, o pôr do sol nos campos vastos, ao lado da cidade, a sensação que lhe passava era de ansiedade, tristeza e esperança, na noite a face escura do mundo desperta sua luz para verdade. Jones entrou no quarto, sendo bem recebido, pois Gabriel lhe deve, afinal apontou um caminho em meio ao desespero. “Olá tio.” “Olá Gabriel, como está?” “Um pouco melhor, pelo menos tenho algo para me guiar, ainda assim, é tão diferente, tão surreal.” “Entendo, sei como se sente, a família Egne sempre demostrou essa curiosidade aguçada, está no sangue. Como está Lucian?” “Ele é diferente do que imaginava, apegado a matéria, como pode alguém que liberta as pessoas para a verdade ser dessa forma?” “Lucian sempre acaba passando essa impressão, não se engane por tudo aquilo que vê Gabriel, os olhos podem enganar”. No inicio da noite, Gabriel foi até o local combinado por Alexandre, ao chegar lá não encontrou os outros membros. “E os outros Alexandre?” “Daqui a pouco chegam, gostaria que você viesse comigo até Lucian, conhecer mais como funciona o sistema que compreendemos.” Os dois andaram algumas quadras até chegarem em um grande pavilhão, entrando por uma porta ao lado acessando uma pequena sala como uma secretaria, onde o guarda, mesmo da boate, estava protegendo a porta de entrada, após o reconhecimento energético, entraram. No local, muitas caixas embaladas, destinandas para vários lugares do mundo, pequenos carros de carga transportavam caixas maiores para outras salas do local, curioso, Gabriel observa algumas abertas, notando latas em isopores, se lembrando das palavras de Lucian que não somente trabalhava com grupos de investigação, antes de questionar Alexandre, encontraram-no endereçando cartas. “Soube que o caso de hoje é difícil.” “É de nível três, iria passar para o terceiro grupo, porém sua habilidade no trato de objetos encantados me fez passar ao quinto grupo, além disso vai servir como boa experiência, especialmente ao Gabriel.” “Do que se trata?” “Um suposto livro realizador de desejos que vem matando quem as escreve nele, tome o endereço, último local onde ocorreu o incidente. Antes de vocês irem, gostaria de conversar com Alexandre a sós, então por favor Gabriel.” “Claro.” Após Gabriel sair da sala, Lucian voltou a Alexandre. “Até quando isso vai durar?” “Ele não está pronto ainda.” “E quem define quando ele está pronto ou não?” “Você sabe quem, além disso, não estou prejudicando seus negócios, pelo contrário, não é mesmo?” “Esse não é o problema, Eric falou comigo ontem, ele vem notando uma sensação estranha, e você sabe o porque, não pode ficar andando de um lado para outro desse jeito.” “Não se preocupe, tomei minhas precauções logo antes de vir.” Ao saírem do pavilhão os outros membros estavam esperando. “Qual será o caso de hoje?” “Nível três.” “Três? Como Lucian pode entregar um caso de nível três?” “Será uma boa experiencia, logo poderão ingressar no quarto grupo. O local é um pouco longe, Eric , leve-nos até este endereço.” Alexandre passa as informações básicas, montando um plano. “Susana, você continue procurando por vestígios dos vermes astrais.” “De novos os vermes? Por que sempre eu tenho que fazer isso? O Eric tem mais experiência nisso, ele pode muito bem cuidar disso.” “É justamente por você não ter experiência nas criaturas do astral que lhe cabe este objetivo, por estar iniciando precisa lidar com as mais variadas coisas que pode enfrentar em um caso no futuro.” “O que são estes vermes astrais?” Pergunta Gabriel. “São criaturas do outro plano de existência, o plano astral, eles vem acompanhados pelos umbralinos até o físico, onde podem provocar diversos distúrbios na saúde corporal, podem ser de diversas formas, mas geralmente assemelham-se a sanguessugas, mas ao invés de sangue, é a energia vital, as pessoas contaminadas com este tipo de ser ficam com uma aparência velha, podendo entrar em um estado psicológico grave, como uma depressão. ” “Isso não tem nada a ver com minha especialidade.” “Especialidade?” Perguntou novamente Gabriel. “Sim, estudo na faculdade de física, meu trabalho no grupo consiste em estudar a física do astral e sua interação com o plano físico, chamada de metafísica, não ficar cuidando vermes astrais.” “Os vermes astrais tem mais ligação com a metafísica do que você imagina Susana.” Ao chegarem no local havia duas pessoas mortas, com seus corpos estendidos no chão, não havia marca de ferimentos, o grupo ficou impressionado. “Não se assustem pessoal, estamos aqui procurando um livro, Eric, vigie a porta, Susana, você sabe o que fazer, Roberto e Gabriel, procurem pelo livro, acredito que em sua capa deva estar escrito em um alfabeto diferente do latino.” Não demorou muito até Gabriel encontrar na cama de um dos quartos o livro, como Alexandre havia dito, em sua capa um círculo formado por letras que o desconhecia, chamou Alexandre. “Como era de se esperar, grande parte dos objetos encantados tem algo escrito neles em outro idioma, neste caso, escrito em runas, vamos preparar as pedras, me ajude Roberto.” Alexandre retirou de sua mochila diversas pedras ovaladas, cada uma com uma letra em runas. Os dois as distribuíram ao redor do livro, completando um círculo, enquanto pronunciava algumas palavras. “Nornes Freyja.” Imediatamente o livro abriu-se, virando as páginas até a parte em branco, dava para notar os pedidos que pessoas haviam escritos ali. Alexandre rearranjou as pedras repronunciando a frase, após isso uma esfera de luz roxa saiu em meio as páginas, rapidamente, indo em direção a saída, Eric mal percebeu e já havia caído. “Eric! Você está bem?” “Sim, esse foi rápido, me empurrou com força.” “O que foi aquilo?” “Como eu pensava, é uma criação mental, aparentemente, adquiriu consciência.” “Criação mental?” “Algumas pessoas, tanto benévolas quanto malévolas, criam seres artificiais, pelos alquimistas foram chamados de homúculos, assim como também pode ser designado como criações mentais ou artificiais, este foi um caso de criação artificial que falhou, na tentativa do criador de construir um ser que pudesse realizar seus desejos, fez um livro, o aprisionando para que todas as ordens assim escritas ele possa seguir sem questionamentos, criar um ser já é questionável, imaginem torná-lo escravo, era de se esperar que ele se rebelaria, porém, os encantos fortes demais o prenderam no livro, em sua fúria, todo aquele que escreve pedidos acaba sendo morto.” “E agora?” “O ser artificial conseguiu escapar de alguma forma do livro, provavelmente conseguiu energia suficiente para a libertação matando pessoas, ele pode estar em qualquer lugar, não podemos lidar com isso, é um caso muito avançado, passaremos o caso para o primeiro grupo, os repertores mais experientes de Lucian.”
  7. Obrigado pelos comentários Erivelto e Vinicius. Mais um capítulo lançado. Boa leitura. Capítulo 5: uma casa diferente “Arrogante aquele que tem fé sem agir, pois somente acreditar não mudará o mundo.” O livro da ordem Vol 6 Cap 23 “Ainda não entendo, como conhece meu tio? Como sabe meu nome? Quem é você?” “Muitas perguntas para pouco tempo, não acha Gabriel?” “Logo estará amanhecendo...” “Parece que entendeu, mas vou sanar algumas dúvidas suas, meu nome é Lucian, estou há muito tempo trabalhando com negócios do além, por assim dizer, me lembro de seu tio, e tenho informantes referentes aos que já participaram desse grupo.” “O que é esse grupo?” “Grupos, na verdade, coordeno e financio grupos de investigação ao sobrenatural, embora pertença ao meus negócios menos lucrativos, vêm demonstrando como fonte de pesquisa e informação excepcional.” “Quando começo?” “O grupo ao qual você irá participar é destinado para aqueles que estão iniciando sua jornada pela busca da verdade, é constituído por quatro integrantes, sendo um experiente afim de que possa ensiná-los, agora volte no fim da tarde, há muita coisa a se fazer.” Gabriel voltou para casa, Isabel estava preocupada. “Isso é hora de voltar para casa?” “Estava ocupado.” “Fazendo o que? Buscando agora qual é o propósito da vida?” “Não me ofenda desse jeito, estou tendo algum progresso.” “Ah é? Como o que?” Gabriel se lembrou do pedido de seu tio para não contar a verdade. “Não lhe interessa.” “Depois eu que fico ofendendo nesta casa.” “Estamos quites então.” “Gabriel!” “Tia Isabel! Estou cansado disso...por favor...me dê algum tempo, e mais que isso, algum espaço para refletir, além disso hoje são os resultados no colégio, tenho coisas a mais para me preocupar.” Do ponto de vista de Isabel, Gabriel estava cada vez mais parecido com Sarah. Ao chegar na escola, Gabriel foi logo receber suas notas. “Embora seu aproveitamento escolar foi decaindo ao longo do ano, ainda conseguiu ficar acima da média, está aprovado para o terceiro ano, parabéns. “Obrigado.” “Espero que se esforce mais ano que vem.” “Acredito que as coisas ficarão melhores até lá.” Ao entardecer, Gabriel voltou a boate, na entrada estavam quatro pessoas em frente a porta, a qual estava fechada. “Vocês viram Lucian?” “Ele não vai vir hoje.” “Estava esperando por ele.” “Espere...você é Gabriel?” “Sim.” “Nós somos o grupo iniciante de investigação, Lucian nos falou sobre você.” “Somente quatro?” “Trabalhamos em poucas pessoas por grupo, sou Alexandre, professor de biologia, aqueles são Eric, motorista profissional, Susana, estudante de física e Roberto, psiquiatra forense.” “Psiquiatra...tenho um problema com eles.” “Eu fiquei sabendo de seu pai naquela época, foi muito estranho, não acredito que ele realmente tenha se matado.” “Sério?” “Naquela época não conhecia Lucian, investiguei por conta própria, e me deparei com coisas severamente estranhas, infelizmente faltaram informações, mesmo para a minha condição atual no grupo.” “Entendo.” “Já está começando a anoitecer, vamos logo.” “Que caso temos hoje?” “Uma casa que é dita mal assombrada, nada demais.” “Mal assombrada?” “Nervoso Gabriel?” “Um pouco.” Ao chegarem na casa, estava suja, a família era de imigrantes de Israel, estavam assustados, crianças choravam, Alexandre conversava com eles enquanto sons de mesas rugindo vinham de um quarto ao lado da cozinha. “Eles disseram que esses sons já começaram faz alguns dias, assustam as crianças e está alterando a situação psicológica dos adultos.” “E o que vamos fazer?” “Investigar, é para isso que estamos aqui, Roberto, fique na porta como vigia, não deixe nada escapar, Susana, procure por vestígios de vermes astrais nas pessoas, Gabriel, venha comigo.” Ao entrarem no quarto, a cadeira de balanço movimentava-se, a mesa ecoava um som como se estivesse sendo entortada, Gabriel engoliu a própria saliva. “Não tema Gabriel.” Alexandre retirou de sua mochila um pote de sal fino, jogando uma porção em cada canto do ambiente, explicou que certas energias das trevas acumulam-se nos cantos perpendiculares, o sal permite que possa circular tais energias. Após alguns minutos os sons foram reduzidos drasticamente, foi novamente Alexandre a retirar algo da mochila, desta vez um giz e uma vela, desenhando um pentagrama com um círculo no centro no chão, posicionando a vela entre as cinco pontas, acendeu a vela e pronunciou algumas palavras. “Que a luz vos guie.” Gabriel ouviu vozes como sopros e logo todo o som havia desaparecido. “Pronto.” “Como assim?” “Terminamos, os espíritos não eram das trevas, pois, ao jogar sal nos cantos, o som nos móveis foram reduzidos, nada mais são do que consciências perdidas, precisando de ajuda, com certeza a visão deles deve estar muito afetada pela escuridão, por isso a vela, a luz guia entre a escuridão e frio, ao se aproximarem acabam aumentando sua frequência, indo para outro plano de existência, o plano astral.” “E o que acontecerá com eles?” “Isto cabe somente aos pensamentos deles.” Ao saírem da sala, Roberto havia confortado as pessoas, Eric aplicou um passe energético para limpar as impurezas, Susana não encontrou nenhum verme astral. “Está tudo certo então, vou reportar ao Lucian, quanto a vocês, podem ir para casa.” “E agora?” Perguntou Gabriel. “Por enquanto continue apenas observando, há muito a se aprender sobre tratamento com consciências de outros planos de existência, o que achou?” “Foi interessante, com certeza estarei de volta na próxima investigação.” “Então está tudo bem, vejo você logo.”
  8. É facinante esse tema. Prova que não somos superiores aos animais, estamos apenas a um nível de evolução maior, e portanto é nossa responsabilidade guiar os que estão atrás no caminho do eterno aprendizado. Obrigado pelo texto
  9. Obrigado pelos comentários Erivelto e Vinicius, grande apoio de vocês Capítulo 4 postado, boa leitura. Capítulo 4: Investigação "Somente os curiosos são merecedores do conhecimento." O livro da ordem Vol 9 Cap 9 “O que está acontecendo comigo?” Gabriel imagina se não estaria sonhando após os eventos recentes, não acredita em milagres, portanto pensa que há algo errado, tentando achar uma forma em como explicar para sua tia sua capacidade de mover-se novamente. O fato é que nem tudo pode ser explicado pela lógica e ainda que possa ferir nossa mente, parte do universo existe somente para ser sentido. Ao descer as escadas para sala, Isabel estava assistindo televisão, seu silêncio era em estar pensando o que falar, ao chamar por seu nome, ela nota com espanto e euforia. “Isto só pode ser um milagre, um milagre do senhor!” “Tia...não comece...” “E qual seria a outra explicação para o fato de estar caminhando? Agradeça.” “Agradecer a quem? Com certeza não estou bem pelo motivo de estar curado do nada.” “E o que você pode fazer? Nada, não tem como você descobrir o por que de estar curado, somente aceitar este fato.” “Primeiro eu sou raptado por um homem de máscara assustadora a quadras daqui e depois ele, estranhamente, me solta para acabar sendo atropelado por um caminhão e ficar tetraplégico, e agora estou de pé.” “Quadras daqui? Gabriel, você foi atropelado na frente da casa.” “Não me diga que foi só um sonho aquilo?” “Acredito que você teve sonambulismo naquela noite, entenda Gabriel...” “Eu não vou aceitar isso.” Gabriel retira um casaco e dirige-se à porta quando, ao mesmo tempo, seu tio chega, Isabel persiste. “Onde você pensa que vai?” “Descobrir o que está acontecendo.” “Não mesmo, vai ficar aqui.” “Você não manda mais em mim.” “Gabriel, você está...” “Sim tio, somente a tia não acha estranho.” “Deixe ele ir Isabel.” Gabriel lança uma expressão de agradecimento a Jones, sendo que seu tio somente o pede para tomar cuidado, e então parte. “Você sabe como as coisas são Isabel, mais cedo ou mais tarde ele acabaria por descobrir a verdade.” “Só não gostaria que não fosse desse jeito.” Foi naquela manhã de céu claro que Gabriel voltara a caminhar pelas ruas, sentia-se estranho e renascido ao mesmo tempo, como se tivesse dado um próximo passo em sua vida. Ainda que não sabia exatamente por onde começar, imaginando se o encontro com Huncamé não passara mesmo de um sonho, decidiu ir até a casa abandonada onde fora sequestrado. Ao chegar na casa, notou que estava realmente vazia, não havia ninguém dentro, poderia ser que eles não estariam no momento ou foram embora, mas o odor característico também não estava presente, assim como as pinturas internas diferentes e velhas, chegando a conclusão que realmente foi apenas um sonho. Porém, não desistiu, ainda que não passasse de ilusão Gabriel realmente acreditava que haveria alguma ligação, ocasionalmente, caminhando, encontrou um templo religioso, semelhante a uma capela, o que lhe chamou atenção foi a máscara acima da porta de entrada, idêntica a que Huncamé usava, não poderia deixar de lado e então entrou no local, lembrara um pouco as igrejas católicas, exceto pelos detalhes, como pinturas ao redor representando grandes muralhas e lanças espalhadas pelo corredor, o sacerdote do local estava palestrando. “Pois ao senhor Emacnu devemos nossas vidas, ele será nosso guia para o paraíso no falecimento de nossos corpos, ele nos representa, nos dá força e mantemos assim o elo com o divino, a entrega de bens materiais a casa nossa que o representa é de vital importância para a iluminação espiritual de vossos caminhos.” O absurdo falado indignava Gabriel, mas conseguia controlar sua raiva, notou logo a semelhança entre os nomes Emacnu e Huncamé, voltando a se perguntar se fora realmente um sonho, se retirou do local, voltando para casa. No outro dia, voltou para e escola, seus colegas, como esperado, estavam espantados, tentando achar algum modo de não parecer sobrenatural explicou que o motivo de estar caminhando era devido a uma cirurgia que fez na coluna, mas a notícia do momento veio de sua sala. “Naquela noite que havíamos feito a brincadeira do corpo, Carlos...morreu...” “O que? Como assim?” “Uma das palavras formadas na tábua foi morte e então dois tiveram convulsões sendo que um foi muito grave, todos nós ficamos cansados.” “Eu sempre ouvi falar que a brincadeira do copo podia provocar suicídio, mas não morte...eu...sinto muito...deveria estar lá...” Gabriel se sentiu culpado, afinal tinha ensinado a eles como fazer a brincadeira mas não como proceder em caso de problemas, achou muito estranho alguém ter sido morto por uma convulsão provocada por um jogo. Em seu quarto, refletia sobre o que deveria fazer, imagina se havia algum grupo que suspeitasse, ou até mesmo investigasse eventos estranhos, realizou várias ligações, procurou pela rede virtual, ainda assim, ninguém sabia, começara a concluir que sua tia era portadora da razão, porém, seu tio entrou no quarto, mostrando uma esperança. “Como está Gabriel?” “Com dificuldades, não consigo entender...” “Você acha que há lógica em todas as coisas.” “Talvez isso seja um defeito.” “Não por enquanto.” Jones retira um cartão de seu bolso, onde estava escrito Seguidores, e um endereço. “O que é isso?” “Sabe...quando eu era jovem, participei de um grupo de pessoas que explorava o sobrenatural, ainda que éramos amadores, obtivemos grande sucesso em alguns casos, o tempo passou e as pessoas com quem trabalhava foram passando seus cargos para filhos, netos, sobrinhos, enfim, para pessoas desta geração, acredito que seja hora de passar para você também.” “Como eu nunca soube disto antes? A tia sabia?” “Isabel sabia, mas sempre mantivemos em segredo, só não conte para ela, quando você chegar no local procure por alguém de casaco vermelho com o símbolo de um triângulo estampado no peito, mostre o cartão, diga que fui eu que lhe dei, ele saberá o que fazer.” “Certo, obrigado tio.” Já era noite quando Gabriel chegou no local, era uma boate, na entrada um corredor que subia, onde estava um guarda com um triângulo no peito, mas não estava de casaco vermelho, ele o impediu de entrar, sendo que, ao mostrar o cartão de seu tio, o liberou. O ambiente era escuro e moderno, pessoas dançavam ao som de música eletrônica em uma ambiente esfumaçado por gelo seco, algumas pessoas embriagadas pela bebida, outras não tinham pudor e praticam atos impróprios para o local, não tão estranho, era padrão quando o sol vai embora na cidade. O homem do casaco vermelho é encontrado subindo algumas escadas, sentando em uma poltrona, apreciando os prazeres materiais. “Com licença...você deve pertencer a um grupo chamado Seguidores, correto?” “Não pertenço ao grupo, sou o líder do grupo, diga logo, o que você quer?” “Meu tio participou a muitos anos atrás, agora ele me deu este cartão.” “Ah sim, então o sobrenatural atingiu sua vida, está procurando entendimento, não é mesmo?” “Exatamente...” “Bem vindo ao time.” “Como é?” “Exatamente o que você ouviu, conheço seu tio Jones, Gabriel Egne, amanhã você começa em um grupo que está iniciando, vai ser interessante.”
  10. Obrigado pelo comentário Erivelto É isso aí pessoal, capítulo novo postado como todo sábado. Vale lembrar que na última quarta teve Omne Quo no blog, está lá para quem quiser dar uma lida. Boa leitura. Capítulo 3: A cura “Ainda que eu ande no vale das sombras, não temerei mal nenhum, pois o senhor está comigo(...)” Bíblia Salmo 23 Lá estava Gabriel, deitado em sua cama, cada vez mais depressivo, lembra-se do sonho em que podia andar, começou a valorizar aqueles que conseguem, queria acabar com aquele sofrimento, mas nem seu próprio corpo lhe dava essa chance, o tempo era uma tortura e cada vez mais desejava não existir. Vishnu o observava de perto, sabia que sua próxima ação mudará o rumo dele, e ainda que Sarah o tivesse pedido para cobrir a verdade, será inevitável sua revelação. Os três subordinados de Huncamé, Kalu, Naton e Jean, começaram a sofrer os efeitos da falta de ectoplasma, energia essencial para manter materializado os corpos do plano astral, sua escassez leva a uma fadiga extrema e grande dificuldade respiratória, solicitaram a seu mestre uma dose da energia, que para os seres de baixa densidade trazia sensações prazerosas, tal qual as drogas. “Vocês precisam aprender a racionar o ectoplasma em seus próprios corpos.” “Mestre, por favor, nos ajude, a dor está se tornando insuportável.” “A dor é passageira, após o ectoplasma ser esgotado seus corpos materializados são dissolvidos, retornando para o plano astral.” Huncamé materializou em sua mão o que parecia ser uma injeção, em seu interior ectoplasma, de aspecto entre liquido e gasoso, com tonalidade cinza, ejetando a energia em seus subordinados, ao entrar no corpo, podia ser visto percorrendo veias energéticas chamadas nadis, semelhantes as veias sanguíneas, a diferença é que nos nadis percorrem a energia vital, chamada de chi ou ki, o ectoplasma mantém denso esta energia, portanto, materializado. “Nossas reservas estão ficando escassas, arranjem um meio de encontrarem mais.” “Sim mestre.” Gabriel recebe visitas em seu quarto, seis colegas de escola, não imaginava que tantas pessoas se preocupavam com ele. “Olá Gabriel, você não apareceu nos últimos dias, ficamos preocupados, então ligamos para sua tia e soubemos o que aconteceu, viemos lhe dar um apoio.” “Preocupados?” “Não fique assim, mais pessoas queriam vir, a professora também, nós gostávamos quando você explicava o sobrenatural.” “Como você está Gabriel?” “Não pergunte isso a ele Carlos.” “Estou levando, mas ficar aqui deitado vinte e quatro horas por dia é entedioso, tudo o que posso fazer é assistir TV e dormir.” “A escola é entediosa também, não é mesmo?” Gabriel deu um leve sorriso, estava se sentindo confortável com aquelas pessoas a sua volta. “Nós vamos fazer a brincadeira do copo esta noite no parque, queríamos que você estivesse lá.” “É, também queria...a brincadeira do copo?” “Como você nos ensinou.” “É um tanto perigosa, tomem cuidado.” “Teremos.” Quando chegou a noite, os seis colegas de Gabriel estavam reunidos em um parque na cidade, se aproveitaram do momento que não tinha mais ninguém, carregavam a tábua Ouija, uma tábua onde está distribuída letras em ordem alfabética e os números de zero a nove. Sentaram ao redor da tábua, colocaram o copo ao centro onde cada um pudesse tocar no topo com seus dedos. “Deixem os dedos leves, o que precisamos é conduzir a força da energia do espírito, não a nossa própria. Enquanto isso, os servos de Huncamé partiram da casa. “Está uma ótima noite para assustar criancinhas.” “Kalu, nosso objetivo é obter ectoplasma.” “Eu sei, eu sei, mas sempre prefiro obtê-lo de modo divertido, se me entende...” “Comecem procurando por esquinas, depois parques e bordéis” No parque, iniciaram o ritual para a comunicação com algum espírito. “Ó espírito, você está aí?” Passaram trinta segundos e nada aconteceu, voltaram a repetir a frase, ainda assim nenhum movimento, ocasionalmente, Kalu, um dos servos de Huncamé passou pelo parque e notou a prática do grupo, ele estava desmaterializado, portanto não seria visto ou ouvido, aproximou-se. “Ora ora, parece que temos algo divertido aqui, vou chamar os outros” O copo deslocou para a palavra sim na tábua, os seis ficaram espantados. “Funciona..” “Certo, vamos manter a calma, ó espírito, quem é você?” A palavra formada foi: um amigo. “Um amigo, não estamos tão mal assim.” “E agora?” Durante o ritual Naton e Jean inseriram um tipo de cano finíssimo na nuca de cada um enquanto Kalu movimentava o copo com um pouco de ectoplasma necerrário, o cano tem como propósito retirar a própria energia, sendo drenado para um tipo de tonel que foi formado ali. “Pessoal, estou me sentindo meio cansada” “Calma, amigo, nós o conhecemos?” A palavra formada foi: sim. “Poderia dizer quem?” A palavra formada foi: morte. “Morte? Já chega, isso é brincadeira de mal gosto, vou me retirar” Quem ia se retirar desmaiou, tendo convulsões, entraram em pânico, não conheciam os procedimentos. “O que está acontecendo?” “Alguém faz alguma coisa!” “Meu deus...” “Chamem uma ambulância, agora!” O tonel de ectoplasma foi completado, após isto, voltaram para a casa abandonada que possuíram para organizarem suas ações. Gabriel volta a sonhar, mas desta vez em um local diferentes do último que teve, como estava sem lucidez, não notou que estava sem a paralisia corporal. O lugar parecia um arquipélago, em umas das ilhas pequenas havia ruínas que lembravam colunas gregas, em mármore puro, gramíneas cresciam entre elas, a atmosfera era leve e silenciosa, o mar calmo, muitas árvores pareciam centenárias, ninguém vinha há muito tempo, ao andar até um círculo entre aquelas colunas encontra Vishnu, escorado em um totem de origem indígena, um tanto rupestre, mas condecorado com diversos símbolos, abaixo a lua, acima o sol, e entre eles, faces de pessoas. “Passaram por aqui muitas culturas do mundo, todas deixando sua marca.” “Que lugar é esse?” “Um templo, por assim dizer, onde civilizações antigas compartilhavam seu conhecimento acerca do universo, infelizmente foi abandonado desde que a curiosidade pelo saber foi tomada por uma era de escuridão, me diga Gabriel, por que saiu de casa?” “Fui procurar Sarah e...deu tudo errado.” “Tem certeza quanto a isso? Era realmente Sarah quem você estava procurando? Pode mentir para todos, exceto para si mesmo.” “Eu não quero aquele tipo de vida...” “O que você quer então?” “Eu não sei...sinto como se tivesse algo escondido, que esteja além da compreensão humana, gostaria tanto de alcançar...como procurar por algo que você não conhece?” “É uma boa pergunta. O que você faria se tivesse uma pista?” “Iria continuar perseguindo seja o que estiver procurando.” Vishnu aproxima de Gabriel, toca em sua cabeça, sussurrando em seus ouvidos. “Ainda há tempo, tem meu respeito.” Gabriel acorda, já não se lembrara do sonho que teve, como um reflexo leva a mão até a testa e então percebe, estava se movendo, tanto os braços quanto as pernas, não era mais tetraplégico, seu espanto o fez levantar, estava andando, embora não se lembrava do sonho, acabava por ficar em seu inconsciente, a pista que tanto queria, ao invés de sorrir, tomou uma atitude. “Tenho que descobrir o que está acontecendo.”
  11. Só tenho uma coisa a dizer: sete dias! KKKKKKKKKKKKKK OMFG, assustador e ao mesmo tempo curioso, é muito claro a mulher dizendo, com certeza merece investigação e parabéns pelo trabalho Luan. Quero ver agora a chuva de pessoas testando isso ahauahuahau. Será que em TV tbm funciona? Que tal gravar a imagem estática para ver se aparece alguma coisa... Enfim, muito interessante.
  12. VOLUME 1 Capítulo 1: Ser “E no começo havia o caos e os noves guardiões organizaram o caos, esta foi a primeira vinda(...)” O livro da ordem Vol 1 Cap 1 Gabriel acorda exausto, olha suas mãos para perceber se ainda estava sonhando, em seu quarto uma pintura do sistema solar, ainda com o nono ex-planeta, a dor de cabeça era suportável, mas incomodava, precisava lavar o rosto, checar como estava o lado de fora, noite agradável para um pesadelo, onde anjos faziam carnificina com humanos e criaturas horrendas devoravam suas partes em um céu assustador que cuspia fogo, nada demais, precisava acordar cedo, para mais um dia rotineiro e tedioso, a vida parece tão sem graça, vendo pessoas indo e vindo com propósitos semelhantes. Durante o dia, Gabriel, caminhando para o colégio, cabeça baixa, como se a percepção do mundo estivesse sendo fragmentada, na escola, nada bem, notas baixas, não tinha motivação para estudar, isolado, sem muitos amigos, aos quais também evitava presença, perguntava se era merecedor de sentimentos, como amizade, sua atenção estava descuidada, rabiscava nos cadernos paisagens de um mundo imaginário. O sinal toca, sua professora queria falar com ele, mais uma daquelas lições de moral, perda de tempo. “Gabriel, o que está acontecendo?” “A senhora não entenderia...” “Você era um aluno exemplar, e agora neste estado, preciso falar com seu responsável” “Minha tia...ela não...de novo não...” “Entregue esta carta a ela, uma solicitação para vir aqui” Gabriel não queria entregar a carta, da mesma forma que não queria problemas. “Sarah...gostaria que você estivesse aqui...” Sarah, irmã de Gabriel, 26 anos, ruiva, era a única amiga verdadeira que seu irmão considerava, mas após um conflito familiar com sua tia Isabel a seis anos ela absteve-se de aparecer em casa, a última notícia é que trabalhava como enfermeira em uma cidade vizinha. No hospital onde Sarah trabalha um amigo antigo aparece, alto, olhos verdes e uma grande expressão de nobreza, Vishnu Delta como era conhecido, mas ao encontrar a irmã de Gabriel não parecia contente, em seus olhos notava-se preocupação, passaram a dialogar: “Olá Sarah” “Vishnu? O que faz aqui? Está infligindo uma lei de lá” “Tenho permissão do conselho, não sou quem quebrou as regras” “Não me diga que...” “Sim, ele está aqui, ou mais precisadamente, na cidade de seu irmão, ele pode fazer algo, devemos estar atentos” “Gabriel...precisamos fazer algo, se eles se encontrarem...ele não está preparado para isso, tão longe qualquer um, Vishnu...” “Você sabe que sempre preferi a verdade do que este mundo de ilusões, não posso lhe prometer que conseguirei cobrir tudo quando chegar lá” “Obrigada” Gabriel mora na casa de seus tios, Isabel e Jones, desde cinco anos de idade, seu pai foi um renomado psiquiatra que matou a própria esposa e após cometeu suicídio, desde então tornou-se reservado e solitário, desejando que este mundo fosse apenas mentira, tal como o sonho, Isabel é muito rigorosa e ele não a tem com muito respeito devido a Sarah, Jones possui uma expressão imparcial. Era momento do jantar, como em todas as outras ocasiões o silêncio pairava no ar até então. “Gabriel, andei olhando em sua mochila e encontrei uma carta de sua professora” “Eu ia lhe entregar” “De dois dias atrás? O que eu falei sobre mentir, além disso uma reunião acerca de seu baixo desempenho? Por que, pelo menos uma vez na vida, você não se comporta como uma pessoa normal?” “Porque, devido a sua falta de discernimento, Sarah não está mais aqui, porque não aguento mais isso, todos os dias é sempre as mesmas conversas, mesmas rotinas, vou para meu quarto” “Gabriel!” “Deixe ele Isabel” “Mas Jones...” “Cada vez mais parecido com ela, não é mesmo?” “Acho que está no sangue dessa família, só não sei dizer se é uma benção ou maldição” Em seu quarto, Gabriel refletia, queria tomar uma decisão, de ir embora, procurar Sarah, e após algum tempo concluiu, largar tudo para recomeçar a vida, arrumou em uma pequena mochila algumas roupas e partiu, pela janela, enquanto seus tios dormiam. Cruzar as ruas na cidade noturna vendo o submundo era uma tarefa difícil, liberdade sem restrições beiravam a anarquia, prostituição, mercado negro, tráfico, tudo claramente visível, mas para alguém que abandonou uma vida não parecia uma tarefa árdua, basta entra em colapso consigo mesmo para perceber, talvez isso seja o motivo daquelas pessoas que vivem dessa forma, em um mundo cada vez mais triste, alguns escolhem fugir de tudo que pode representar uma vida onde nascer-viver-morrer não é bastante, no fundo todos acabam tendo o mesmo sentimento. Diante daquelas avenidas, cada vez mais escuras, Gabriel depara-se com algo estranho, um carro escuro lhe seguia a alguns metros, semelhante a uma van, na tentativa de despistá-los dobrava cada rua que visse, até mesmo contornando a mesma quadra, mas pareceu ser uma tarefa impossível, como se eles pudessem adivinhar cada passo seu. Quando o carro ficou próximo, seu corpo inteiro paralisou, não podia correr ou gritar, foi uma situação de grande pânico, podia ouvir o coração batendo em grande intensidade, o carro parou descendo três pessoas com capuzes negros que cobriam toda a face, amarram Gabriel pelas mãos e pernas, além de ter sido vendado seus olhos e boca, foi jogado para dentro. Após algum tempo o carro parou, foi sentado em uma cadeira, o ambiente fedia como carne em decomposição, as vendas foram retiradas, o ambiente estava em quase penumbra, os murmúrios entre aquelas três pessoas que lhe raptaram era de um idioma diferente. Um dos homens se aproxima: “Quem é você? Por que estão fazendo isso comigo?” “Calado garoto, amanhã você vai acordar sem lembrar de nada, apenas coopere” Uma outra pessoa, com um manto negro aparece: “O mestre chegou, ele quer falar com você” “Droga, bem na hora que eu iria apreciar o medo e desespero” Os dois saíram para a sala de entrada da casa abandonada onde estavam, uma quarta pessoa entrou ao qual foi referido como mestre Huncamé, cabelo longo e escuro, sobretudo negro com uma divisa perto do pescoço, e uma máscara semelhante as usadas na cultura maia, exalava medo no ar. Após conversarem durante alguns minutos, Huncamé entrou na sala principal, com um olhar penetrante e uma voz aterrorizadora, fala com Gabriel: “Qual o seu nome?” “Ga-Gabriel...” “Qual o seu propósito?” “O que? Eu fui raptado, quer me soltar logo?” “Corajoso, como sua irmã” “Como sabe dela?” “É uma longa história, posso ver em sua assinatura energética o parentesco” Era notório em Gabriel a tristeza e desesperança, ao Huncamé perceber isso, inesperadamente deu uma ordem: “Solte o garoto” “Senhor...” “Faça” Gabriel foi solto, ao perceber disso, correu para fora. “Mestre Huncamé...” “Conheci ele anos atrás, quando era um bebê ainda, pode ser eventualmente útil, mas sua miopia para a verdade é grande, não servirá para nada, somente fornecer ectoplasma por enquanto, não há necessidade de mantê-lo trancado. Ao chegar na rua, Gabriel estava assustado, em pânico, ao perceber, uma luz em sua direção, um caminhão, arrebentando-o para longe, seria esse o fim? Capítulo 2: O acidente “Na noite em que o vazio cruzou o céu surgiu o ser humano(...)” O livro da ordem Vol 3 Cap 10 Deitado na rua, vendo o céu noturno, sem conseguir se movimentar, estava Gabriel, ironicamente, mais calmo, desce o caminhoneiro: “Você está bem?” Com grande dificuldade de respirar e falar responde “Não consigo me mexer” “Já chamei uma ambulância, há algum parente que posso chamar também?” “Minha irmã...Sarah...trabalha no hospital principal da próxima cidade” A ambulância chega, os hospitais da cidade estavam todos ocupados, portanto seria levado à próxima cidade, Vishnu vigiava a distância, aparentemente tinha chegado tarde demais. Ao chegarem no hospital estava Sarah. “Gabriel! O que aconteceu com ele?” “Atropelado por um caminhão, está perdendo muito sangue, precisamos fazer uma transfusão imediatamente” “Maninha...” “Eu posso doar, ele é meu irmão” Após várias horas, Sarah recebe uma triste notícia, Gabriel teve um grave lesão na medula espinhal o deixando tetraplégico, não poderia mover mais as pernas e braços, ao entrar no quarto Gabriel acabara de acordar. “Sarah, tive um sonho muito estranho...o que foi? Por que não consigo me mexer? “Você ficou tetraplégico Gabriel” “O que? Como assim?” Gabriel tentava desesperadamente movimentar-se, o máximo que conseguia era o pescoço” “Não, não!” “Gabriel...” “O que vou fazer? Como vai ser minha vida neste estado?” “Nossa tia está vindo lhe buscar, e preciso ir embora, sinto muito Gabriel” “Sarah! Por favor, volte, olhe para mim, Sarah!” Partindo do quarto, Sarah chorou desesperadamente, Vishnu tenta consolá-la. “Sinto muito Sarah, não deu tempo” “Então essa é sua desculpa? Não deu tempo? Sabemos que você tem medo Vishnu, medo de quebrar as regras” “Sabe que não posso interferir, seria ir contra o conselho, passariam a achar que estou do lado de alguma legião das trevas” “Se preocupa mais consigo mesmo do que com as pessoas ao redor, seu poder de cura se torna inútil quando não quer usá-lo” Em meio a discussão, aparece Huncamé. “Ora ora, se não é a dupla de deprimidos” “Você! É tudo culpa sua!” “E parece estarem cegos aos domínios do astral” Sarah, em um ataque de fúria, através de suas habilidades psíquicas, consegue levantar Huncamé pelo pescoço. “Me dê uma razão para não dissolvê-lo agora” “Simples, você não pode, julgando Vishnu por sua incompetência, mas não quer também quebrar as regras, não, isso lhe amedronta, desde a última vez” “Não quero ver você mais por aqui” “Tolos, enquanto esse medo preenchê-los a guerra se alastrará até o físico, e quando isto acontecer...não terão nenhuma chance” Huncamé desaparece, usando uma habilidade de eterização, onde as partículas de matéria passam a vibrar em outra frequência, o indivíduo passa a ficar invisível gradativamente até adentrar em outro plano de existência. “Huncamé tem razão Sarah, o conselho não se importa mais com a guerra, e ela está cada vez mais notável, não podemos ficar de braços cruzados” “O que você planeja?” “Agir, recrutar, os Mensageiros das Sombras estão escasso em pessoas, principalmente de projetores, precisamos estabelecer um grupo independente, que possa combater” “Mas o conselho...” “Dane-se o conselho, o que mais importa para você? A salvação do mundo ou o alastramento das trevas?” “Como faremos isso?” “Você precisa ir para Confugii, falar com Marcos, vou resolver alguns problemas aqui no físico, por enquanto seremos os mais discretos possíveis, lembre-se que nem todos estão preparados para ver” No hospital, Isabel chega para buscar Gabriel. “O que você fez” “Não tenho que lhe dar satisfação” “Vamos embora” Gabriel, em uma maca, foi posto em uma ambulância, sua expressão era de alguém que tinha desistido da vida, após chegar em casa, só podia ficar em sua cama, vendo a pintura do sistema solar, tão perto e, ao mesmo tempo, tão longe, não podia estender o braço para tocá-lo como queria, a chuva começava, as cortinas da janela lhe impediam de ver, apenas ouvir o som que lhe marcava como o fim de sua vida. À noite, após várias horas tentando dormir, Gabriel entrou na fase de sono, se vendo em um cemitério, podia movimentar seus membros, mas seu estado de pouco lucidez lhe impedia de notar suas próprias características, caminhava em direção a uma luz azul em meio a névoa densa, ouvindo murmúrios, os túmulos, de características medievais, aparentavam se mexer, o cheiro lhe lembrava quando fora raptado e o chão não parecia firme, ao caminhar um pouco mais notou um suave som de vibração vinda da luz em forma de esfera, se aproximando, pode notar que ela flutuava acima do teto de uma cúpula que estava enterrada, exceto pela parte de cima, a esfera era hipnotizadora, emitindo um sensação agradável de paz, queria tocá-la e ao tentar um homem lhe impediu. “Isto pode ser perigo Gabriel” “Quem é você” “Sou conhecido como Vishnu, um amigo antigo de sua irmã, esta esfera de luz serve para atrair certas consciências que estão perdidas entre os cemitérios e querem se redimir, esta sensação de paz ajuda em sua busca, já que é o que desejam, para você estar aqui deve estar procurando paz, não é mesmo? “Não...” “Não não preocupe Gabriel, ainda que eu caminhe no vale das sombras” “Não temerei mal nenhum...Como posso confiar em uma suposta divindade quando não posso movimentar meu corpo?” “Tem certeza que você não o está movimentando?” Gabriel olha a si mesmo e por um momento fica lúcido, notando que podia movimentar-se, mas sua euforia foi excessiva, acabando por acordar, percebendo que seus braços e pernas não se mexiam” “Foi só um sonho...” Vishnu estava do lado dele, ainda que não podia percebê-lo ou ouvi-lo, sussurrou em seus ouvidos: “Por que o senhor estás comigo...vai ficar tudo bem Gabriel” Capítulo 3: A cura “Ainda que eu ande no vale das sombras, não temerei mal nenhum, pois o senhor está comigo(...)” Bíblia Salmo 23 Lá estava Gabriel, deitado em sua cama, cada vez mais depressivo, lembra-se do sonho em que podia andar, começou a valorizar aqueles que conseguem, queria acabar com aquele sofrimento, mas nem seu próprio corpo lhe dava essa chance, o tempo era uma tortura e cada vez mais desejava não existir. Vishnu o observava de perto, sabia que sua próxima ação mudará o rumo dele, e ainda que Sarah o tivesse pedido para cobrir a verdade, será inevitável sua revelação. Os três subordinados de Huncamé, Kalu, Naton e Jean, começaram a sofrer os efeitos da falta de ectoplasma, energia essencial para manter materializado os corpos do plano astral, sua escassez leva a uma fadiga extrema e grande dificuldade respiratória, solicitaram a seu mestre uma dose da energia, que para os seres de baixa densidade trazia sensações prazerosas, tal qual as drogas. “Vocês precisam aprender a racionar o ectoplasma em seus próprios corpos.” “Mestre, por favor, nos ajude, a dor está se tornando insuportável.” “A dor é passageira, após o ectoplasma ser esgotado seus corpos materializados são dissolvidos, retornando para o plano astral.” Huncamé materializou em sua mão o que parecia ser uma injeção, em seu interior ectoplasma, de aspecto entre liquido e gasoso, com tonalidade cinza, ejetando a energia em seus subordinados, ao entrar no corpo, podia ser visto percorrendo veias energéticas chamadas nadis, semelhantes as veias sanguíneas, a diferença é que nos nadis percorrem a energia vital, chamada de chi ou ki, o ectoplasma mantém denso esta energia, portanto, materializado. “Nossas reservas estão ficando escassas, arranjem um meio de encontrarem mais.” “Sim mestre.” Gabriel recebe visitas em seu quarto, seis colegas de escola, não imaginava que tantas pessoas se preocupavam com ele. “Olá Gabriel, você não apareceu nos últimos dias, ficamos preocupados, então ligamos para sua tia e soubemos o que aconteceu, viemos lhe dar um apoio.” “Preocupados?” “Não fique assim, mais pessoas queriam vir, a professora também, nós gostávamos quando você explicava o sobrenatural.” “Como você está Gabriel?” “Não pergunte isso a ele Carlos.” “Estou levando, mas ficar aqui deitado vinte e quatro horas por dia é entedioso, tudo o que posso fazer é assistir TV e dormir.” “A escola é entediosa também, não é mesmo?” Gabriel deu um leve sorriso, estava se sentindo confortável com aquelas pessoas a sua volta. “Nós vamos fazer a brincadeira do copo esta noite no parque, queríamos que você estivesse lá.” “É, também queria...a brincadeira do copo?” “Como você nos ensinou.” “É um tanto perigosa, tomem cuidado.” “Teremos.” Quando chegou a noite, os seis colegas de Gabriel estavam reunidos em um parque na cidade, se aproveitaram do momento que não tinha mais ninguém, carregavam a tábua Ouija, uma tábua onde está distribuída letras em ordem alfabética e os números de zero a nove. Sentaram ao redor da tábua, colocaram o copo ao centro onde cada um pudesse tocar no topo com seus dedos. “Deixem os dedos leves, o que precisamos é conduzir a força da energia do espírito, não a nossa própria. Enquanto isso, os servos de Huncamé partiram da casa. “Está uma ótima noite para assustar criancinhas.” “Kalu, nosso objetivo é obter ectoplasma.” “Eu sei, eu sei, mas sempre prefiro obtê-lo de modo divertido, se me entende...” “Comecem procurando por esquinas, depois parques e bordéis” No parque, iniciaram o ritual para a comunicação com algum espírito. “Ó espírito, você está aí?” Passaram trinta segundos e nada aconteceu, voltaram a repetir a frase, ainda assim nenhum movimento, ocasionalmente, Kalu, um dos servos de Huncamé passou pelo parque e notou a prática do grupo, ele estava desmaterializado, portanto não seria visto ou ouvido, aproximou-se. “Ora ora, parece que temos algo divertido aqui, vou chamar os outros” O copo deslocou para a palavra sim na tábua, os seis ficaram espantados. “Funciona..” “Certo, vamos manter a calma, ó espírito, quem é você?” A palavra formada foi: um amigo. “Um amigo, não estamos tão mal assim.” “E agora?” Durante o ritual Naton e Jean inseriram um tipo de cano finíssimo na nuca de cada um enquanto Kalu movimentava o copo com um pouco de ectoplasma necerrário, o cano tem como propósito retirar a própria energia, sendo drenado para um tipo de tonel que foi formado ali. “Pessoal, estou me sentindo meio cansada” “Calma, amigo, nós o conhecemos?” A palavra formada foi: sim. “Poderia dizer quem?” A palavra formada foi: morte. “Morte? Já chega, isso é brincadeira de mal gosto, vou me retirar” Quem ia se retirar desmaiou, tendo convulsões, entraram em pânico, não conheciam os procedimentos. “O que está acontecendo?” “Alguém faz alguma coisa!” “Meu deus...” “Chamem uma ambulância, agora!” O tonel de ectoplasma foi completado, após isto, voltaram para a casa abandonada que possuíram para organizarem suas ações. Gabriel volta a sonhar, mas desta vez em um local diferentes do último que teve, como estava sem lucidez, não notou que estava sem a paralisia corporal. O lugar parecia um arquipélago, em umas das ilhas pequenas havia ruínas que lembravam colunas gregas, em mármore puro, gramíneas cresciam entre elas, a atmosfera era leve e silenciosa, o mar calmo, muitas árvores pareciam centenárias, ninguém vinha há muito tempo, ao andar até um círculo entre aquelas colunas encontra Vishnu, escorado em um totem de origem indígena, um tanto rupestre, mas condecorado com diversos símbolos, abaixo a lua, acima o sol, e entre eles, faces de pessoas. “Passaram por aqui muitas culturas do mundo, todas deixando sua marca.” “Que lugar é esse?” “Um templo, por assim dizer, onde civilizações antigas compartilhavam seu conhecimento acerca do universo, infelizmente foi abandonado desde que a curiosidade pelo saber foi tomada por uma era de escuridão, me diga Gabriel, por que saiu de casa?” “Fui procurar Sarah e...deu tudo errado.” “Tem certeza quanto a isso? Era realmente Sarah quem você estava procurando? Pode mentir para todos, exceto para si mesmo.” “Eu não quero aquele tipo de vida...” “O que você quer então?” “Eu não sei...sinto como se tivesse algo escondido, que esteja além da compreensão humana, gostaria tanto de alcançar...como procurar por algo que você não conhece?” “É uma boa pergunta. O que você faria se tivesse uma pista?” “Iria continuar perseguindo seja o que estiver procurando.” Vishnu aproxima de Gabriel, toca em sua cabeça, sussurrando em seus ouvidos. “Ainda há tempo, tem meu respeito.” Gabriel acorda, já não se lembrara do sonho que teve, como um reflexo leva a mão até a testa e então percebe, estava se movendo, tanto os braços quanto as pernas, não era mais tetraplégico, seu espanto o fez levantar, estava andando, embora não se lembrava do sonho, acabava por ficar em seu inconsciente, a pista que tanto queria, ao invés de sorrir, tomou uma atitude. “Tenho que descobrir o que está acontecendo.” Capítulo 4: Investigação "Somente os curiosos são merecedores do conhecimento." O livro da ordem Vol 9 Cap 9 “O que está acontecendo comigo?” Gabriel imagina se não estaria sonhando após os eventos recentes, não acredita em milagres, portanto pensa que há algo errado, tentando achar uma forma em como explicar para sua tia sua capacidade de mover-se novamente. O fato é que nem tudo pode ser explicado pela lógica e ainda que possa ferir nossa mente, parte do universo existe somente para ser sentido. Ao descer as escadas para sala, Isabel estava assistindo televisão, seu silêncio era em estar pensando o que falar, ao chamar por seu nome, ela nota com espanto e euforia. “Isto só pode ser um milagre, um milagre do senhor!” “Tia...não comece...” “E qual seria a outra explicação para o fato de estar caminhando? Agradeça.” “Agradecer a quem? Com certeza não estou bem pelo motivo de estar curado do nada.” “E o que você pode fazer? Nada, não tem como você descobrir o por que de estar curado, somente aceitar este fato.” “Primeiro eu sou raptado por um homem de máscara assustadora a quadras daqui e depois ele, estranhamente, me solta para acabar sendo atropelado por um caminhão e ficar tetraplégico, e agora estou de pé.” “Quadras daqui? Gabriel, você foi atropelado na frente da casa.” “Não me diga que foi só um sonho aquilo?” “Acredito que você teve sonambulismo naquela noite, entenda Gabriel...” “Eu não vou aceitar isso.” Gabriel retira um casaco e dirige-se à porta quando, ao mesmo tempo, seu tio chega, Isabel persiste. “Onde você pensa que vai?” “Descobrir o que está acontecendo.” “Não mesmo, vai ficar aqui.” “Você não manda mais em mim.” “Gabriel, você está...” “Sim tio, somente a tia não acha estranho.” “Deixe ele ir Isabel.” Gabriel lança uma expressão de agradecimento a Jones, sendo que seu tio somente o pede para tomar cuidado, e então parte. “Você sabe como as coisas são Isabel, mais cedo ou mais tarde ele acabaria por descobrir a verdade.” “Só não gostaria que não fosse desse jeito.” Foi naquela manhã de céu claro que Gabriel voltara a caminhar pelas ruas, sentia-se estranho e renascido ao mesmo tempo, como se tivesse dado um próximo passo em sua vida. Ainda que não sabia exatamente por onde começar, imaginando se o encontro com Huncamé não passara mesmo de um sonho, decidiu ir até a casa abandonada onde fora sequestrado. Ao chegar na casa, notou que estava realmente vazia, não havia ninguém dentro, poderia ser que eles não estariam no momento ou foram embora, mas o odor característico também não estava presente, assim como as pinturas internas diferentes e velhas, chegando a conclusão que realmente foi apenas um sonho. Porém, não desistiu, ainda que não passasse de ilusão Gabriel realmente acreditava que haveria alguma ligação, ocasionalmente, caminhando, encontrou um templo religioso, semelhante a uma capela, o que lhe chamou atenção foi a máscara acima da porta de entrada, idêntica a que Huncamé usava, não poderia deixar de lado e então entrou no local, lembrara um pouco as igrejas católicas, exceto pelos detalhes, como pinturas ao redor representando grandes muralhas e lanças espalhadas pelo corredor, o sacerdote do local estava palestrando. “Pois ao senhor Emacnu devemos nossas vidas, ele será nosso guia para o paraíso no falecimento de nossos corpos, ele nos representa, nos dá força e mantemos assim o elo com o divino, a entrega de bens materiais a casa nossa que o representa é de vital importância para a iluminação espiritual de vossos caminhos.” O absurdo falado indignava Gabriel, mas conseguia controlar sua raiva, notou logo a semelhança entre os nomes Emacnu e Huncamé, voltando a se perguntar se fora realmente um sonho, se retirou do local, voltando para casa. No outro dia, voltou para e escola, seus colegas, como esperado, estavam espantados, tentando achar algum modo de não parecer sobrenatural explicou que o motivo de estar caminhando era devido a uma cirurgia que fez na coluna, mas a notícia do momento veio de sua sala. “Naquela noite que havíamos feito a brincadeira do corpo, Carlos...morreu...” “O que? Como assim?” “Uma das palavras formadas na tábua foi morte e então dois tiveram convulsões sendo que um foi muito grave, todos nós ficamos cansados.” “Eu sempre ouvi falar que a brincadeira do copo podia provocar suicídio, mas não morte...eu...sinto muito...deveria estar lá...” Gabriel se sentiu culpado, afinal tinha ensinado a eles como fazer a brincadeira mas não como proceder em caso de problemas, achou muito estranho alguém ter sido morto por uma convulsão provocada por um jogo. Em seu quarto, refletia sobre o que deveria fazer, imagina se havia algum grupo que suspeitasse, ou até mesmo investigasse eventos estranhos, realizou várias ligações, procurou pela rede virtual, ainda assim, ninguém sabia, começara a concluir que sua tia era portadora da razão, porém, seu tio entrou no quarto, mostrando uma esperança. “Como está Gabriel?” “Com dificuldades, não consigo entender...” “Você acha que há lógica em todas as coisas.” “Talvez isso seja um defeito.” “Não por enquanto.” Jones retira um cartão de seu bolso, onde estava escrito Seguidores, e um endereço. “O que é isso?” “Sabe...quando eu era jovem, participei de um grupo de pessoas que explorava o sobrenatural, ainda que éramos amadores, obtivemos grande sucesso em alguns casos, o tempo passou e as pessoas com quem trabalhava foram passando seus cargos para filhos, netos, sobrinhos, enfim, para pessoas desta geração, acredito que seja hora de passar para você também.” “Como eu nunca soube disto antes? A tia sabia?” “Isabel sabia, mas sempre mantivemos em segredo, só não conte para ela, quando você chegar no local procure por alguém de casaco vermelho com o símbolo de um triângulo estampado no peito, mostre o cartão, diga que fui eu que lhe dei, ele saberá o que fazer.” “Certo, obrigado tio.” Já era noite quando Gabriel chegou no local, era uma boate, na entrada um corredor que subia, onde estava um guarda com um triângulo no peito, mas não estava de casaco vermelho, ele o impediu de entrar, sendo que, ao mostrar o cartão de seu tio, o liberou. O ambiente era escuro e moderno, pessoas dançavam ao som de música eletrônica em uma ambiente esfumaçado por gelo seco, algumas pessoas embriagadas pela bebida, outras não tinham pudor e praticam atos impróprios para o local, não tão estranho, era padrão quando o sol vai embora na cidade. O homem do casaco vermelho é encontrado subindo algumas escadas, sentando em uma poltrona, apreciando os prazeres materiais. “Com licença...você deve pertencer a um grupo chamado Seguidores, correto?” “Não pertenço ao grupo, sou o líder do grupo, diga logo, o que você quer?” “Meu tio participou a muitos anos atrás, agora ele me deu este cartão.” “Ah sim, então o sobrenatural atingiu sua vida, está procurando entendimento, não é mesmo?” “Exatamente...” “Bem vindo ao time.” “Como é?” “Exatamente o que você ouviu, conheço seu tio Jones, Gabriel Egne, amanhã você começa em um grupo que está iniciando, vai ser interessante.” Capítulo 5: uma casa diferente “Arrogante aquele que tem fé sem agir, pois somente acreditar não mudará o mundo.” O livro da ordem Vol 6 Cap 23 “Ainda não entendo, como conhece meu tio? Como sabe meu nome? Quem é você?” “Muitas perguntas para pouco tempo, não acha Gabriel?” “Logo estará amanhecendo...” “Parece que entendeu, mas vou sanar algumas dúvidas suas, meu nome é Lucian, estou há muito tempo trabalhando com negócios do além, por assim dizer, me lembro de seu tio, e tenho informantes referentes aos que já participaram desse grupo.” “O que é esse grupo?” “Grupos, na verdade, coordeno e financio grupos de investigação ao sobrenatural, embora pertença ao meus negócios menos lucrativos, vêm demonstrando como fonte de pesquisa e informação excepcional.” “Quando começo?” “O grupo ao qual você irá participar é destinado para aqueles que estão iniciando sua jornada pela busca da verdade, é constituído por quatro integrantes, sendo um experiente afim de que possa ensiná-los, agora volte no fim da tarde, há muita coisa a se fazer.” Gabriel voltou para casa, Isabel estava preocupada. “Isso é hora de voltar para casa?” “Estava ocupado.” “Fazendo o que? Buscando agora qual é o propósito da vida?” “Não me ofenda desse jeito, estou tendo algum progresso.” “Ah é? Como o que?” Gabriel se lembrou do pedido de seu tio para não contar a verdade. “Não lhe interessa.” “Depois eu que fico ofendendo nesta casa.” “Estamos quites então.” “Gabriel!” “Tia Isabel! Estou cansado disso...por favor...me dê algum tempo, e mais que isso, algum espaço para refletir, além disso hoje são os resultados no colégio, tenho coisas a mais para me preocupar.” Do ponto de vista de Isabel, Gabriel estava cada vez mais parecido com Sarah. Ao chegar na escola, Gabriel foi logo receber suas notas. “Embora seu aproveitamento escolar foi decaindo ao longo do ano, ainda conseguiu ficar acima da média, está aprovado para o terceiro ano, parabéns. “Obrigado.” “Espero que se esforce mais ano que vem.” “Acredito que as coisas ficarão melhores até lá.” Ao entardecer, Gabriel voltou a boate, na entrada estavam quatro pessoas em frente a porta, a qual estava fechada. “Vocês viram Lucian?” “Ele não vai vir hoje.” “Estava esperando por ele.” “Espere...você é Gabriel?” “Sim.” “Nós somos o grupo iniciante de investigação, Lucian nos falou sobre você.” “Somente quatro?” “Trabalhamos em poucas pessoas por grupo, sou Alexandre, professor de biologia, aqueles são Eric, motorista profissional, Susana, estudante de física e Roberto, psiquiatra forense.” “Psiquiatra...tenho um problema com eles.” “Eu fiquei sabendo de seu pai naquela época, foi muito estranho, não acredito que ele realmente tenha se matado.” “Sério?” “Naquela época não conhecia Lucian, investiguei por conta própria, e me deparei com coisas severamente estranhas, infelizmente faltaram informações, mesmo para a minha condição atual no grupo.” “Entendo.” “Já está começando a anoitecer, vamos logo.” “Que caso temos hoje?” “Uma casa que é dita mal assombrada, nada demais.” “Mal assombrada?” “Nervoso Gabriel?” “Um pouco.” Ao chegarem na casa, estava suja, a família era de imigrantes de Israel, estavam assustados, crianças choravam, Alexandre conversava com eles enquanto sons de mesas rugindo vinham de um quarto ao lado da cozinha. “Eles disseram que esses sons já começaram faz alguns dias, assustam as crianças e está alterando a situação psicológica dos adultos.” “E o que vamos fazer?” “Investigar, é para isso que estamos aqui, Roberto, fique na porta como vigia, não deixe nada escapar, Susana, procure por vestígios de vermes astrais nas pessoas, Gabriel, venha comigo.” Ao entrarem no quarto, a cadeira de balanço movimentava-se, a mesa ecoava um som como se estivesse sendo entortada, Gabriel engoliu a própria saliva. “Não tema Gabriel.” Alexandre retirou de sua mochila um pote de sal fino, jogando uma porção em cada canto do ambiente, explicou que certas energias das trevas acumulam-se nos cantos perpendiculares, o sal permite que possa circular tais energias. Após alguns minutos os sons foram reduzidos drasticamente, foi novamente Alexandre a retirar algo da mochila, desta vez um giz e uma vela, desenhando um pentagrama com um círculo no centro no chão, posicionando a vela entre as cinco pontas, acendeu a vela e pronunciou algumas palavras. “Que a luz vos guie.” Gabriel ouviu vozes como sopros e logo todo o som havia desaparecido. “Pronto.” “Como assim?” “Terminamos, os espíritos não eram das trevas, pois, ao jogar sal nos cantos, o som nos móveis foram reduzidos, nada mais são do que consciências perdidas, precisando de ajuda, com certeza a visão deles deve estar muito afetada pela escuridão, por isso a vela, a luz guia entre a escuridão e frio, ao se aproximarem acabam aumentando sua frequência, indo para outro plano de existência, o plano astral.” “E o que acontecerá com eles?” “Isto cabe somente aos pensamentos deles.” Ao saírem da sala, Roberto havia confortado as pessoas, Eric aplicou um passe energético para limpar as impurezas, Susana não encontrou nenhum verme astral. “Está tudo certo então, vou reportar ao Lucian, quanto a vocês, podem ir para casa.” “E agora?” Perguntou Gabriel. “Por enquanto continue apenas observando, há muito a se aprender sobre tratamento com consciências de outros planos de existência, o que achou?” “Foi interessante, com certeza estarei de volta na próxima investigação.” “Então está tudo bem, vejo você logo.” Capítulo 6: O livro amaldiçoado “Nem tudo o que reluz é ouro.” Ditado popular Gabriel refletia em sua cama tudo o que estava acontecendo, ao olhar pela janela, o pôr do sol nos campos vastos, ao lado da cidade, a sensação que lhe passava era de ansiedade, tristeza e esperança, na noite a face escura do mundo desperta sua luz para verdade. Jones entrou no quarto, sendo bem recebido, pois Gabriel lhe deve, afinal apontou um caminho em meio ao desespero. “Olá tio.” “Olá Gabriel, como está?” “Um pouco melhor, pelo menos tenho algo para me guiar, ainda assim, é tão diferente, tão surreal.” “Entendo, sei como se sente, a família Egne sempre demostrou essa curiosidade aguçada, está no sangue. Como está Lucian?” “Ele é diferente do que imaginava, apegado a matéria, como pode alguém que liberta as pessoas para a verdade ser dessa forma?” “Lucian sempre acaba passando essa impressão, não se engane por tudo aquilo que vê Gabriel, os olhos podem enganar”. No inicio da noite, Gabriel foi até o local combinado por Alexandre, ao chegar lá não encontrou os outros membros. “E os outros Alexandre?” “Daqui a pouco chegam, gostaria que você viesse comigo até Lucian, conhecer mais como funciona o sistema que compreendemos.” Os dois andaram algumas quadras até chegarem em um grande pavilhão, entrando por uma porta ao lado acessando uma pequena sala como uma secretaria, onde o guarda, mesmo da boate, estava protegendo a porta de entrada, após o reconhecimento energético, entraram. No local, muitas caixas embaladas, destinandas para vários lugares do mundo, pequenos carros de carga transportavam caixas maiores para outras salas do local, curioso, Gabriel observa algumas abertas, notando latas em isopores, se lembrando das palavras de Lucian que não somente trabalhava com grupos de investigação, antes de questionar Alexandre, encontraram-no endereçando cartas. “Soube que o caso de hoje é difícil.” “É de nível três, iria passar para o terceiro grupo, porém sua habilidade no trato de objetos encantados me fez passar ao quinto grupo, além disso vai servir como boa experiência, especialmente ao Gabriel.” “Do que se trata?” “Um suposto livro realizador de desejos que vem matando quem as escreve nele, tome o endereço, último local onde ocorreu o incidente. Antes de vocês irem, gostaria de conversar com Alexandre a sós, então por favor Gabriel.” “Claro.” Após Gabriel sair da sala, Lucian voltou a Alexandre. “Até quando isso vai durar?” “Ele não está pronto ainda.” “E quem define quando ele está pronto ou não?” “Você sabe quem, além disso, não estou prejudicando seus negócios, pelo contrário, não é mesmo?” “Esse não é o problema, Eric falou comigo ontem, ele vem notando uma sensação estranha, e você sabe o porque, não pode ficar andando de um lado para outro desse jeito.” “Não se preocupe, tomei minhas precauções logo antes de vir.” Ao saírem do pavilhão os outros membros estavam esperando. “Qual será o caso de hoje?” “Nível três.” “Três? Como Lucian pode entregar um caso de nível três?” “Será uma boa experiencia, logo poderão ingressar no quarto grupo. O local é um pouco longe, Eric , leve-nos até este endereço.” Alexandre passa as informações básicas, montando um plano. “Susana, você continue procurando por vestígios dos vermes astrais.” “De novos os vermes? Por que sempre eu tenho que fazer isso? O Eric tem mais experiência nisso, ele pode muito bem cuidar disso.” “É justamente por você não ter experiência nas criaturas do astral que lhe cabe este objetivo, por estar iniciando precisa lidar com as mais variadas coisas que pode enfrentar em um caso no futuro.” “O que são estes vermes astrais?” Pergunta Gabriel. “São criaturas do outro plano de existência, o plano astral, eles vem acompanhados pelos umbralinos até o físico, onde podem provocar diversos distúrbios na saúde corporal, podem ser de diversas formas, mas geralmente assemelham-se a sanguessugas, mas ao invés de sangue, é a energia vital, as pessoas contaminadas com este tipo de ser ficam com uma aparência velha, podendo entrar em um estado psicológico grave, como uma depressão. ” “Isso não tem nada a ver com minha especialidade.” “Especialidade?” Perguntou novamente Gabriel. “Sim, estudo na faculdade de física, meu trabalho no grupo consiste em estudar a física do astral e sua interação com o plano físico, chamada de metafísica, não ficar cuidando vermes astrais.” “Os vermes astrais tem mais ligação com a metafísica do que você imagina Susana.” Ao chegarem no local havia duas pessoas mortas, com seus corpos estendidos no chão, não havia marca de ferimentos, o grupo ficou impressionado. “Não se assustem pessoal, estamos aqui procurando um livro, Eric, vigie a porta, Susana, você sabe o que fazer, Roberto e Gabriel, procurem pelo livro, acredito que em sua capa deva estar escrito em um alfabeto diferente do latino.” Não demorou muito até Gabriel encontrar na cama de um dos quartos o livro, como Alexandre havia dito, em sua capa um círculo formado por letras que o desconhecia, chamou Alexandre. “Como era de se esperar, grande parte dos objetos encantados tem algo escrito neles em outro idioma, neste caso, escrito em runas, vamos preparar as pedras, me ajude Roberto.” Alexandre retirou de sua mochila diversas pedras ovaladas, cada uma com uma letra em runas. Os dois as distribuíram ao redor do livro, completando um círculo, enquanto pronunciava algumas palavras. “Nornes Freyja.” Imediatamente o livro abriu-se, virando as páginas até a parte em branco, dava para notar os pedidos que pessoas haviam escritos ali. Alexandre rearranjou as pedras repronunciando a frase, após isso uma esfera de luz roxa saiu em meio as páginas, rapidamente, indo em direção a saída, Eric mal percebeu e já havia caído. “Eric! Você está bem?” “Sim, esse foi rápido, me empurrou com força.” “O que foi aquilo?” “Como eu pensava, é uma criação mental, aparentemente, adquiriu consciência.” “Criação mental?” “Algumas pessoas, tanto benévolas quanto malévolas, criam seres artificiais, pelos alquimistas foram chamados de homúculos, assim como também pode ser designado como criações mentais ou artificiais, este foi um caso de criação artificial que falhou, na tentativa do criador de construir um ser que pudesse realizar seus desejos, fez um livro, o aprisionando para que todas as ordens assim escritas ele possa seguir sem questionamentos, criar um ser já é questionável, imaginem torná-lo escravo, era de se esperar que ele se rebelaria, porém, os encantos fortes demais o prenderam no livro, em sua fúria, todo aquele que escreve pedidos acaba sendo morto.” “E agora?” “O ser artificial conseguiu escapar de alguma forma do livro, provavelmente conseguiu energia suficiente para a libertação matando pessoas, ele pode estar em qualquer lugar, não podemos lidar com isso, é um caso muito avançado, passaremos o caso para o primeiro grupo, os repertores mais experientes de Lucian.” Capítulo 7: Dobro “Que muitos mundos para serem sentidos, separados apenas por uma simples janela.” Delírios de um universo ilusório Imediatamente após o ser artificial escapar do livro, a quinta equipe dirige-se ao pavilhão de Lucian, encontrando ele, após explicar-lhe a situação, é convocada uma reunião com a primeira equipe, enquanto aguardavam em uma mesa octogonal, onde Lucian se ocupara em outra sala, Gabriel questiona Alexandre. “O que é este lugar? E todas estas caixas? Olhei em uma aberta e notei certos frascos que me poe em dúvida.” “Além de comandar sua equipe de repertores, Lucian trabalha com outros negócios, do ponto de vista material poderia ser considerado tráfico (de diversos itens), porém, este não é o caso, ao analisar bem, percebemos que nada que Lucian trabalhe está inteiramente e exclusivamente ligado ao plano físico.” “Ele vende drogas?” “Drogas não seria o termo exato, são essências energéticas que levam a consciência a um nível de êxtase ou tortura, dependendo do cliente, e isto é apenas um de seus negócios.” “Quais seriam os outros?” Antes que Alexandre respondesse, Lucian entra na sala, voltando-se a Gabriel. “Não há necessidade de você permanecer aqui, a primeira equipe pode ser um tanto quanto assustadora, sobre as revelações, é algo que está muito acima do nível ao qual está acostumado.” “Eu preciso saber.” Lucian olha para Alexandre, este faz um gesto de sim. Após alguns segundos os três membros da primeira equipe entraram, um se vestia como monge, outro com um terno e uma com uma armadura leve que lembrava as da idade média. “Olá Lucian, Alexandre, quinta equipe.” “Arthur, Jones, Mal'Ak.” “Parece que a equipe de iniciantes continua...iniciando.” “Lucian havia nos entregado um caso de nível três, como espera que nós tratássemos? Ainda mais quando de repente passa a ser nível um, está acima do que a equipe cinco pode fazer.” “O que importa agora é o caso, um ser artificial andando por aí é muito perigoso, imaginem se a humanidade descobrir, seria um desastre.” “Precisamos nos focar agora em como encontrá-lo, Arthur, como projetor, varra o plano físico em busca dele, Jones, prepare o livro para selá-lo, Mal'Ak, você fica com o trabalho duro, faça a criatura voltar.” “Sim Lucian.” “E quero um iniciante com a primeira equipe, Gabriel, vá com eles.” “No que você está pensando Lucian!” Exclamou Alexandre. “Pode servir como bom aprendizado.” “Por que não outro, mande Roberto, ele é o mais experiente entre os iniciantes, seria algo útil para ser promovido para a quarta equipe.” “Gabriel precisa aprender algo que desconhece ainda, vá Gabriel.” “Ao menos deixe ele tomar esta decisão.” “Sinto muito Alexandre, eu quero realmente saber o que está por trás de tudo isso, é por isso que estou aqui, e é por isso que vou com eles.” A equipe um se retirou, juntamente com Gabriel. “Aos iniciantes, tenho um novo caso que podem resolver, gostaria que Roberto liderasse neste objetivo, Alexandre está estressado emocionalmente, ele ficará aqui, vocês conseguem lidar sozinhos, por enquanto estão dispensados. Após a retirada da equipe cinco, restara na sala Lucian e Alexandre. “Por que você fez isso?” “Está na hora dele dar o próximo passo.” “Ele não está pronto ainda.” “Cada um tem seu livre-arbítrio, você pode aconselhar, mas não pode interferir, não é mesmo? A propósito, Arthur sabe de tudo, fico me indagando se ele pode contar a verdade a Gabriel.” “Seu materialista arrogante, as pessoas devem evoluir dando passos por vez, não saltando.” “Eu sou um exemplo de que sua frase não é válida.” Enquanto isso, a equipe cinco percorre as ruas discutindo melhor o plano, Gabriel queria fazer muitas perguntas aos três. “Arthur, Lucian se referiu a você como projetor, já tinha ouvido falar nisto, mas é possível?” “Perfeitamente.” “Alexandre não lhe ensinou os mecanismos Gabriel?” “Não.” “A projeção astral permite que saiamos do corpo afim de adentrar nas profundezas do plano astral em busca de pistas para casos muito complicados.” “Entre os repertores, somente Arthur e Alexandre são projetores ativos.” “E o que você pode me dizer sobre a projeção e o plano astral?” “Lá reserva toda a verdade do mundo, para mim, a projeção é o caminho, o único, para conhecer melhor a si mesmo.” “Por que Alexandre não me falou sobre isso?” “Também faço a mesma pergunta.” “Chegamos pessoal.” A primeira equipe chegou em um hotel pertencente a Lucian, em um corredor particular, Arthur trancou-se em um quarto, Jones desenhava figuras complexas, centralizando o livro, enquanto Mal'Ak mantinha o local em segurança contra possíveis ameaças. Gabriel ficara somente observando, após poucos minutos uma fumaça de tonalidade cinza aparecera no lugar, foi adquirindo forma humana até completar-se totalmente, era Arthur, materializado no corredor, era de se esperar que Gabriel ficasse espantado. “O que está acontecendo? Você não tinha entrado no quarto?” “E estou ainda no quarto, quero dizer, meu corpo físico repousa na cama enquanto materializei meu próprio corpo astral, agora não há tempo para mais explicações, há algumas legiões das trevas por perto, preciso me concentrar.” Arthur sentou em uma posição de meditação, era visível perto de seu corpo astral pequenas ondas emergindo de sua cabeça, estava rastreando o ser artificial, demorou cerca de vinte minutos até ele falar. “O ser artificial está longe, em outro país, conseguiu fugir rapidamente, vou atraí-lo para cá...espere...há uma força oculta também o está atraindo, sua assinatura é de grande poder sombrio, Mal'Ak, prepara-se quando ele entrar, já ative sua clarividência.” Após alguns segundos foi possível ouvir um som semelhante a um rádio diminuindo seu volume até ficar mudo, Mal'Ak fez uma posição como se estivesse abraçando alguma coisa, na verdade, estava segurando a criatura, embora não fosse visível para Gabriel. Em uma das figuras que Jones desenhou foi de um pentagrama, acendendo as cinco velas e pronunciando um ritual, rapidamente o ar começou a movimentar-se em direção ao livro, ao qual virava as páginas sozinho, a quantidade de energia desprendida foi tão grande que tornou possível a visualização do ser artificial no físico, uma esfera roxa que emitia vozes de terror, quando Jones centralizou a primeira página em branco, a criatura foi em direção, sendo presa, rapidamente o livro foi fechado e selado com uma linha preta nos sentidos vertical e horizontal. Logo Arthur desapareceu do corredor, acordando no quarto. “Caso resolvido, embale o livro e entregue para Lucian.” “O que acontece agora?” “Lucian irá entregar para alguém da segunda equipe, afim de que o ser artificial possa ser destruído.” “Destruído? Ele é um ser vivo!” “Não, um ser artificial é como um robô, se movimenta, segue ordens, pode até parecer humano, ainda assim não possui vida, ele é muito perigoso, aquela força oculta que senti desejava a criatura, com certeza para fins maléficos, vamos embora.” Capítulo 8: Abissal “Em quantidades universais, o astral é exímio.” História do plano astral Vol 1 Era muito para aguentar, Gabriel refletia se devia continuar, desde que conheceu a primeira equipe de repertores se sentia diferente, inferior, com tanto a se saber, com um mundo mais real lá fora, seria realmente uma oportunidade o que estaria passando? Ou uma maldição por obsessionar o desconhecido? O dia estava tão nublado quanto sua mente, toda sua curiosidade o levou a crueldade do mundo. No pavilhão, estavam Lucian, Arthur e Alexandre. “Isto está parecendo um interrogatório.” “O que você esconde Alexandre? Ou será que posso lhe chamar de...” “Acalma-se Lucian, podem haver pessoas por perto.” “O que é esta força sombria que Arthur sentiu?” “Nada que cabe a vocês.” “Claro, só porque um plano de existência nos separa não significa que devemos ficar ocultos do que ocorre lá, vocês precisam de nós.” “Não me subestime Lucian, sua arrogância o impede de ver a real situação.” “Real situação? Podemos estar a beira de uma guerra sem saber.” “Não cabe a você, nem aos repertores, há algo muito cruel acontecendo, nosso objetivo é não trazê-lo ao plano físico.” “Nem mesmo ao Gabriel?” “Estou caindo fora, preciso me encontrar com os outros, e Gabriel vai comigo, chegou a hora.” “Escute bem Alexandre, você afundará ele junto a toda verdade que esconde.” Após Alexandre se retirar, Arthur demonstra grande preocupação. “E agora?” “Agora estamos por conta própria, mas antes que Gabriel vá embora, vou colocá-lo uma última vez na quinta equipe.” Começara a anoitecer, horário para o encontro com os repertores, Gabriel decide ir, mantendo dúvidas em sua mente, ao chegar no local, a quinta equipe aguardava, exceto por Alexandre. “Onde ele está?” “Não lhe interessa.” Respondeu Susana. Era claro que não se sentiam confortáveis na presença de Gabriel, afinal desejavam muito acompanhar a primeira equipe, onde não tiveram oportunidade. “Não devemos deixar que as emoções falem mais alto, não devíamos ter inveja, e sim ficar feliz dele ter tido esta oportunidade.” “Na verdade, mesmo que outra pessoa tenha ido, não teria feito nada, mal pude compreender o que realmente aconteceu lá.” “Alexandre não é mais um repertor, Lucian me convocou agora, sou o novo líder da quinta equipe.” Respondeu Roberto. A quinta equipe não parecia contente, nem mesmo Roberto, que não se sentia apto a liderar o grupo, Alexandre era carismático e passava muitas informações uteis, se sentiam desamparados perante a falta de sensibidade de Lucian, após alguns minutos de silêncio, Gabriel mostra sua indignação. “Então é assim que as coisas ficam?” “O que mais podemos fazer?” “Sair não é uma opção, não depois de tudo o que passamos.” “Precisamos falar com Alexandre.” “Até poderíamos, mas não sabemos onde ele está.” “Lucian me deu este caso para resolvermos, talvez possamos encontrar algo que possa nos ajudar.” “E do que se trata?” “Um caso de obsessão, vamos logo.” Isabel seguiu Gabriel, acabando por descobrir que se tornara um repertor de Lucian, não poderia ficar mais furiosa, após o grupo partir, cuidadosamente seguiu, mantendo distância, para ver onde isto chegaria. Ao chegarem na casa, a quinta equipe viu apenas uma pessoa, em estado normal, Susana sentiu a presença de muitos vermes astrais, após alguma conversa a quinta equipe soube que a pessoa dita possuída estava amarrada em um quarto, tinham chamado diversas de pessoas das mais variadas religiões, inclusive exorcistas, todos falharam, foi quando contratou os serviços de Lucian para resolver o problema. Entrando no quarto, César, o possuído estava amarrado, Susana relatou que a quantidade de vermes astrais ali era muito grande, o ambiente estava pesado e escuro, então partindo para um trabalho imediato de limpeza energética, enquanto os outros tentavam resolver, porém, o espírito reconheceu Gabriel, ao qual ficara com medo. “Você me conhece?” “Gabriel, sou eu, Carlos, seu colega de escola, que fez o jogo do copo.” Seu espanto era notável, entre as pessoas que fizeram a brincadeira, Carlos havia falecido naquele dia devido ao cansaço extremo que ocorreu, sua condição energética era clara, com tantos vermes invisíveis do outro mundo e um odor terrível, não estava em melhores condições. “Por favor, me ajude.” “O que você precisa?” “Está tão escuro, tão frio...não aguento mais isso!” O corpo de César tremeu semelhante a um ataque epilético, em instante, a quinta equipe não sabia o que fazer, neste momento houve necessidade de Alexandre, porém, Roberto notou o quão dependentes estavam, respirou fundo. “Segurem ele, Gabriel, você conhece esta alma, saiba o que fazer.” “Carlos, acalme-se, está tudo bem, estamos aqui, olhe para mim, vamos tirar você dessa.” “Gabriel, algo muito horrível está vindo, uma força maligna de proporções inimagináveis.” “Que força?” Antes que Carlos pudesse responder, havia desparecido, Roberto acredita que ele foi amparado por entidades superiores, mas nada poderia garantir, ao César acordar, pareceu desorientado, sendo aos poucos voltando ao estado normal. “Consegui limpar o ambiente dos vermes, mas somente o tempo vai afastar certas energias densas presentes.” “Ótimo Susana, vamos embora.” “E agora? Nós não sabíamos o que fazer naquele momento, vamos ficar assim?” “Não tenho certeza, vamos desfazer a quinta equipe, deixar o tempo passar, talvez Lucian possa colocar um novo instrutor, até então não vamos mais nos encontrar mais.” Após a saída, quando Gabriel já estava sozinho, aparece Isabel. “Então era isso o que você estava fazendo!” “Tia Isabel? Você não pode me seguir desse jeito!” “E você não pode trabalhar com canalhas como Lucian, ao menos está ganhando algum dinheiro?” “...não...” “Então volte para casa, e sem mas, não quero vê-lo trabalhando com esse tipo de laia novamente.” Enquanto isso, na antiga casa abandonada da cidade, os servos de Huncamé, Kalu, Naton e Jean, juntamente com seu próprio mestre, elaboravam sua perversidade; “Então chegou a hora mestre? Ora ora, finalmente vou poder me alimentar do desespero, não vejo a hora de olhar nos olhos das pessoas e perceber seu medo, será fascinante.” Huncamé afiava um punhal contendo seu símbolo. “Já temos ectoplasma suficiente, bom trabalho a todos, finalmente podemos dar nosso primeiro passo no grande plano das trevas, vamos bagunçar o plano físico de uma forma como os humanos jamais viram.” Capítulo 9: O encontro “Qual o sentido da vida, se não nascer, viver e renascer?” As viagens de Fugit O dia iniciava chovendo, Gabriel, novamente em seu quarto, aguardava por oportunidade, sua tia com certeza não lhe daria ouvidos, fugir já não era mais uma opção, restava apenas esperar. Huncamé saiu da casa abandonada com seus três servos, ao qual eram tratados como agentes das trevas. “E então, por onde começamos mestre?” “Quando detectei uma criação mental, senti seu enorme poder contido, uma pessoa normal não pode controlá-lo, mas eu posso.” “E como podemos encontrá-lo?” “Após sentir sua presença tentei atraí-lo, porém uma outra força conseguir aprisioná-lo, fiquei um certo tempo rastreando, até conseguir achá-lo.” “Onde?” “No depósito de Lucian Luxiter.” Era claro, Huncamé se referia a criatura aprisionada no livro dito amaldiçoado, ao qual a primeira equipe teve que intervir. Ao chegarem no local, estava tudo fechado, Naton encostou a mão em um cadeado que cerrava a porta, abrindo instantaneamente, entrando no pavilhão Huncamé ergueu sua mão como um sensor afim de localizar o livro, em meio ao escuro, de repente, acendera uma luz, era Lucian. “Huncamé? O que vocês estão fazendo aqui?” “Já faz muito tempo Lucian, me lembro quando você era apenas um garoto assustado.” “O que vocês querem?” “Uma simples mercadoria, um pequeno livro, escrito em runas, deve conhecer.” “Não posso entregá-lo.” “Entendo, você não trabalha de graça, Kalu.” Kalu materializou um tonel completo com ectoplasma. “Acredito que assim fica mais fácil.” “Quanto de ectoplasma tem neste tonel?” “Vinte e cinco quilos.” “É mais que a quantidade total de energia vital de um ser humano.” “Tentador, não? Facilite as coisas Lucian, uma simples troca.” “Está bem, mas com uma condição.” “Qual?” Enquanto isso, Alexandre falava ao telefone. “Escute, eu sei que você não quer falar comigo, após todos esses anos, mas preciso de sua ajuda, eu tenho uma pessoa que você gostaria de conhecer, por favor, assim que ouvir essa mensagem me comunique.” Alexandre ia em direção a casa de Gabriel, o céu parava de chover, enquanto ficava nublado, ao chegar, notou grades soldadas na janela do quarto de cima, subindo em cima da casa, conseguira arrebentá-lo mais ou menos com facilidade, Gabriel ouviu o barulho enquanto dormia, ao levantar percebeu quem era. “Alexandre? O que você está fazendo aqui? Olhe o que você fez aqui!” “Não se preocupe Gabriel.” “Se minha tia lhe pegar vendo isso, ela vai ser capaz de colocar a culpa em mim!” “Gabriel...” “Olha isso!” “Gabriel! Acalme-se, você quer embora?” “Embora?” “Sim, sair daqui, há algumas coisas que quero lhe mostrar, você não aguenta mais ficar, não é mesmo?” Ouviu-se passos em direção a porta, Alexandre olhava em sua direção, como sabendo quem era, ao abrir, Isabel. “Você!” “Olá tia Isabel.” “Vocês se conhecem?” Perguntou Gabriel. “O que você quer aqui?” “Vim buscar o Gabriel.” “O que você quer com ele?” “Você não acha que está na hora?” “Hora de que?” Assustado falou Gabriel. “Gabriel, você não quer a verdade do mundo?” “E do que adianta? Eu sou me deparei com crueldade nisto tudo.” “Aqui você tem duas escolhas, ficar com sua tia, continuar seus estudos, ter um emprego, uma família, envelhecer e morrer, ou vir comigo e descobrir como o universo pode ser grande.” Por um momento Gabriel olhou para sua tia, ela fez uma expressão que desta vez daria uma escolha. “Eu vou ir, quero saber o que se esconde por trás de tudo o que presenciei.” “Arrume então suas coisas Gabriel.” “Você tem certeza disso?” “Sinto muito tia, eu realmente tenho que ir, é isso o que quero para mim, uma vida de verdades.” Após saírem, Gabriel sorri. “Obrigado tio Jones, obrigado tia Isabel.” Enquanto andavam, Gabriel revelou a Alexandre um fato curioso. “Não sei porque, mas sinto que lhe conheço.” “Deve ter sido em sonho.” “Sonhos...foram interessantes nestes últimos tempos.” Em uma das ruas, a dupla e Huncamé com seus servos se cruzaram. “Ora ora, que surpresa.” “Não, não, não, você! Você é o Huncamé, eu tinha sonhado com você.” “A questão é que não foi apenas um sonho, não é mesmo, Vishnu?” “Vishnu? Então você é o Vishnu, Alexandre!” “É, Alexandre foi um nome que criei para os repertores não suspeitarem.” “Foi você que me curou, eu lhe devo muito.” “Não se preocupe com isso, é meu dever ajudá-lo, escute, as coisas aqui vão ficar perigosas, vá até este endereço.” “E quanto a você?” “Vou ficar bem, vejo você lá, agora vá.” Após Gabriel partir, Vishnu encarou Huncamé. “Então Gabriel se tornou seu pupilo.” “Ele é uma boa pessoa, ele merece conhecer o outro lado, é seu desejo saber a verdade.” “E seu desejo é guiá-lo então, pode ir, eu não me importo.” “Acha realmente que vou permitir que você ande por aí? Ainda mais com esse livro, como conseguiu?” “Negócios negócios, amigos à parte.” “Lucian...aquele traidor.” “Está na hora de mudar este mundo.” Huncamé abriu o livro até a metade, um vapor fino de aspecto roxo emergiu, vozes eram ouvidas no ambiente. “Pare com isso!” “E o que você vai fazer?” Huncamé cruzou seu braço criando um campo que empurrava o ar, atirando Vishnu ao longe. “Seus poderes não são nada comparados ao meu, não vou permitir que você interferia em todo o trabalho de ectoplasma que arranjei.” Uma mulher de cabelos ruivos se aproxima de Vishnu, ajudando-o a levantar. “Talvez ele não, mas eu vou derrotá-lo Huncamé.” “Sarah!”
  13. Olá pessoal. Alguns ficaram se perguntando: o que aconteceu com as crônicas astrais? Já que terminou no meio da história. Após refletir por algum tempo, decidi retomar a história, e com ajuda, o rafaelsilva está me ajudando a escrever, e portanto dois autores =D Crônicas astrais vai recomeçar do zero, com uma nova interpretação, mais detalhes, mais "limpo", as crônicas vai sofrer várias mudanças se for comparada com a versão anterior, desde de spin-offs até vídeos. Para perceberem já as mudanças, o título foi alterado para "Crônicas Omne", já que certos eventos na história não ocorreão somente no astral, poderiam ser até mais simplicistas e chamar apenas de "Omne", mas enfim. Para dar um bom recomeço, teremos capítulo duplo, previsto para ser lançado mais tarde de hoje! Entre atualização de blog, twitter, essas coisas, então hoje é o evento "premiere", fiquem atentos ;D LISTA DE ATUALIZAÇÕES: Atualização 1 (06/11/10) : adicionado o blog e twitter das crônicas: http://cronicasomne.blogspot.com/ https://twitter.com/cronicasomne Atualização 2 (06/11/10): postado dois capítulos. Atualização 3 (10/11/10): postado Omne Quo 1 Atualização 4 (13/11/10): postado capítulo 2 Atualização 5 (17/11/10): postado Omne Quo 2
  14. Obrigado pelo vídeo Xuka. É um assunto muito interessante, vale a pena discutir e refletir sobre isso, fazendo anologias com nosso conhecimento como projetores. Não sabemos quase nada, não é mesmo? Isso torna a natureza fascinante, quem é curioso com certeza vê algo profundo nisso tudo, mas vamos pular a parte da vida sem próposito pois acredito que nós aqui já sabemos (ainda que pouco) que há um propósito para tudo e todos, uma conexão tão intensa que faz nos parecer unos. Me pergunto como seria falar sobre vários universos para alguém das civilizações antigas ou da idade média. Planeta Terra - Sistema solar - Via láctea - Universo - Universos - Realidades - Planos de existência, e vai se saber se tem algo além disso tudo, não duvido de nada. Vamos começar com nosso grande "pequeno" universo, o fim dele não é ainda comprovado seu fim, embora existam fortes teorias para tal, como big freeze e big crunch (que determina como o universo terá seu fim), mas como já se dizia que tudo que tem um ínicio tem um fim, o final de nosso universo pode ser concebido. Interessante quando se fala em buracos negros, sabemos que eles possuem energia suficiente para abrir buracos de minhocas (dobras no próprio espaço, fazendo anologia àquele exemplo da formiga na ponta do papel), por que não fissuras no próprio espaço? Querem ferver um pedaço do espaço, as coisas vão esquentar (literalmente hehehehe). Existem duas concepções sobre múltiplos universos: os universos paralelos e os universos contínuos. A teoria dos universos paralelos se baseia em duplicatas do universo (embora nem um ou outro menos original), ou seja, em outro universo paralelo, há outra Xuka, outro Saulo, onde o que difere são as escolhas que cada um faz, tornando os universos razoavelmente diferentes (tema da série Fringe, onde mostra que na outra realidade paralela as torres gêmeas continuam intactas, recomendo assistir), tais universos coexistem com o nosso tal como os plano astral por exemplo. A teoria dos universos contínuos é o oposto dos paralelos, ou seja, outros unversos, com outras "pessoas", o que pode diferenciar são as leis da física que podem regir de forma diferente, como por exemplo, a velocidade da luz, tais universos encontram-se em uma espaço além do espaço do universo. Fora os planos de existência, conhecido por nós, plano físico, mental, causal, etc. Há coisa hein... Particularmente falando, acredito em todas essas possibilidades, nada disso é incognicível à lógica. Uma coisa é certa, estamos mergulhados num todo repleto de possibilidades. Paz.
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