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Dualidade e os corpos.


klayser
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O ser humano se compõe de uma duplicidade que se costuma chamar - pelas últimas dezenas de milênios - de Eu Superior e Inferior. Correntes contemporâneas têm adotado
 as denominações - muito didáticas - de Individualidade e Personalidade, para esses dois componentes do homem.
Nada de misterioso ou difícil. Apenas, aqui entram na história os tais famosos Corpos ou Veículos do homem - sete, divididos entre esses dois níveis, o do Eu Superior ou Eu Real,
 a Individualidade - e o Eu Inferior ou Personalidade (a natureza dos sete corpos, a propósito, é ensinada sempre nos mesmos termos, desde os primórdios da civilização do planeta).
E o que ensinaram, desde sempre, os Sábios e os Mestres?
Que a Centelha Divina - nós - também chamada Mônada, sendo da mesma natureza do Imanifesto, o Absoluto, não pode "descer" para os Planos do universo manifestado (sete),
 e "mergulhar na corrente da evolução" (a famosa "Queda do Homem"). Por isso, projeta um Eu Superior - a Individualidade, que possui todos os atributos da sua perfeição - extensão
 que é dessa Divina Centelha. Esse Eu Superior inclui três veículos - os corpos superiores - que possuem as divinas qualidades de Vontade / Amor-Sabedoria / Ação.
Esses três corpos de perfeição, reflexos da perfeição da Mônada, são conhecidos como Atma-Buddhi-Manas no Oriente; ou Corpo Átmico, Corpo Búdico e Corpo Causal (Mental Abstrato/Mental Superior)  na nomenclatura mais familiar ao Ocidente. Eles são o Homem Real, o nosso Eu Interno de Luz e Beleza perfeitas (sem necessidade de retoques).
Essa é a "porção superior" do centauro, que as religiões costumam simplificar chamando de alma ou espírito imortal (ignorando sua constituição tríplice). Mas o que importa é o conceito
claro que acompanha esse conjunto dos três corpos - o Ternário Superior. Trata-se da parte divina do homem, repositório de seus ilimitados poderes, da divina sabedoria e do perfeito amor. A nossa meta evolutiva - daí o aforismo oriental: "Tornai-vos aquilo que sois", inexplicável sem a chave do conhecimento oculto.
2 - Tanto que, ao transferir para esses corpos, em definitivo, a sua consciência - ao fim do longo (põe longo nisso!) trajeto na Senda da Sabedoria, o homem torna-se um Mestre, um
Homem Perfeito, unido à Consciência Divina. É o "espírito puro" que Kardec mencionou. É a criatura que assumiu a própria perfeição latente, tornando-se o ser divino que sempre foi. "Não ouvistes que foi dito "Vós sois deuses", disse Jesus, citando a Sabedoria Milenar.
O importante é salientar bem a natureza divina, portanto irretocável, desses três corpos - átmico, búdico e causal, que compõem o nosso Eu Real (o Self, de Jung)."Somos deuses" em
nossa Individualidade - atma-buddhi-manas.
Será preciso mais para caracterizar a perfeição desse território superior de nosso ser? Esse é o nosso Deus Interno, a nossa Alma Imortal, a divina Psiché, cuja face Eros não podia enxergar na escuridão (da matéria). A Mitologia Grega também é boa para clarear as idéias.
Resumindo: o que já é, por definição, perfeito, não precisa ser aperfeiçoado. É de um primarismo constrangedor, não é mesmo? Mas a dura experiência nos ensina que o óbvio, ai de
nós, nem sempre é ululante. ...
Mas não esqueçamos a "porção inferior" do centauro - o Eu Inferior, a Personalidade, o Ego - ou Quaternário Inferior, constituído dos corpos Mental Concreto, Astral, Etérico e Físico Denso.
Esses quatro veículos transitórios e perfectíveis - insistamos nesse termo: perfectíveis = passíveis de aperfeiçoamento - são os instrumentos que nosso Eu Superior utiliza para atuar nos
três "mundos da ilusão" (mental, astral e físico), ali construindo a ampliação consciencial que o habilitará a "retomar" ao nível divino.
Somente aqui, nesses quatro veículos "inferiores" , podem registrar-se as temporárias "imperfeições" de nosso caminho evolutivo. São os "cadernos escolares" onde rabiscamos,
primeiro em garranchos assustadores, depois em letra mais caprichada, as lições do curso "Como Tomar-se Divino" que estamos fazendo, nas escolas planetárias deste universo.
Quando nossa consciência "desceu" do nível divino, e mergulhou nos planos inferiores para evoluir, sendo portanto "expulsa do paraíso" - que era a consciência enfocada ao nível de atmabuddhi-manas - foi delimitada uma barreira impeditiva de seu retomo imediato. Tal é o simbolismo do "anjo com uma espada flamejante" colocado como "sentinela ao redor do Jardim do Éden" (vide Gênese), para garantir que Adão e Eva não pudessem retomar pulando o muro. Só poderemos retomar pela porta da frente - depois de, em evos incontáveis, termos abandonado em definitivo a nossa "parte de baixo do centauro" - os quatro veículos, repitamos, perfectíveis (cheios de rabiscos feitos desde o Jardim da Infância da evolução).

Livro: Jardim dos Orixás pag. 118 a 120

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