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Uma rotina interessante de introduzir em nossas vidas, como uma forma de dar uma equilibrada geral é a meditação. Obviamente ela tem objetitivos dos mais simples, como ajudar a dormir melhor, como os mais complexos, porque existem meditaçoes para despertar chackras, para kundalini, para "atingir a iluminação.

Deiox aqui alguns vídeos sobre isso:

 

 

 

 

 

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Mas convém ler sobre isso.

 

Neste outro tópico falamos sobre livros:

E lá no final do tópico adicionei este pdf, Meditação Taoísta (trecho).pdf que é um capítulo e um livro tratando so das orientações práticas.

Este outro site tem explicações bem diretas também, tiradas do livro citado no final da página:

http://www.templozulai.org.br/como-meditar.html

 

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Uma usuária fez uma pergunta em outro tópico, sobre meditação usando som, e lembrei que pode ser interessante postar aqui um método.

Escaneei de traduzi este livro:

https://www.amazon.com.br/True-Paths-Meditation-Sawai-Atsuhiro/dp/0990421406

...............................

Um fluxo contínuo de som: meditação sonora

Concentração deve preceder a meditação. Por sua vez, ao entrar na meditação, temos a chance de ver nossa natureza real e a verdadeira natureza da existência. Além disso, a meditação pode aumentar a nossa capacidade de prestar atenção, aumentar a força de vontade e evocar profunda tranqüilidade. A pressão sanguínea cai, a pulsação diminui, a respiração fica mais calma e mais profunda.

Então, como podemos chegar a um nível de concentração suficiente para descartar pensamentos de distração?

A resposta é direta, mas não é fácil. Você leu no livro anteriormente sobre o uso de um ponto de foco visual que leva a concentração, mas você também poderia ouvir um som contínuo.  É uma maneira simples de se concentrar e portanto, de entrar naturalmente no estado de meditação.

Na minha experiência, alguns sons são mais fáceis de usar do que outros para a meditação. Músicas e cantos de pássaros não são tão efetivos para concentração, porque músicas e cantos de pássaros tendem a despertar sensações ou sentimentos, dificultando entrar no estado meditativo.

Passo um:
Foque a atenção num som contínuo  e esqueça de si mesmo.

 

Áudio com sons contínuos e intervalos de silêncio:

https://drive.google.com/open?id=0ByXGi2vq5-wsWjJLOUY2cG9nYWM

Anjo Daza Meditation Beginner.jpg

 

Passo dois:

Esqueça o som e escute o vazio

Gentilmente feche os olhos, ouça o som , e tente esquecer qualquer outra coisa.

Uma vez que a mente esteja tão concentrada nesse zumbido que apenas um pensamento esteja presente (o zumbido), nós entramos em um estado meditativo. Nesse ponto, o som deve ser desligado. E quando o som não estiver mais presente, continue a concentrar-se, mas ouça o silêncio. Usando esse método de meditação sonora você pode entrar em estado meditativo e esquecer sobre você ou os apegos, transcendendo o pensamento.

Como você pode avaliar este tipo de meditação? Existe apenas uma maneira confiável de avaliar qualquer coisa - experiência direta e pessoal. Crie o hábito de ouvir um som para meditação por 20 a 30 minutos todos os dias para aprender a concentrar-se tão completamente em um determinado som até que ele preencha toda a sua mente, liberando a autoconsciência. A seguir, continue a prestar atenção ao que ouve  à medida que o som vai sumindo, até que você esteja ouvindo o vazio.

Se você se distrair, basta acionar o som novamente (tocar o sino de novo, esperar o som se repetir novamente no áudio gravado, etc). Ao longo do tempo, você descobrirá o efeito desse método simples de meditação e ficará grato por seus benefícios.

https://www.youtube.com/watch?v=R_K_mMhZrPs

( pode usar um aplicativo com cronômetro intervalado , escolhendo o  intervalo de tempo, as repetições e o som "Singing Bowl", e fica igual ao link do vídeo acima.Link do aplicativo: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.odinmode.android.interval.timer&hl=pt_BR)

Quando os pensamentos atacam

Muitas pessoas que tentam meditar reclamam: "Quando eu aprendi a meditação, a professora me disse que não devia pensar em nada, mas inúmeros pensamentos, um após o outro, me atacavam. Eu descobri que é muito difícil parar os pensamentos".

Este é um problema comum, mas se você tocar seu sino no momento em que você é fisgado por uma cadeia de pensamentos desnecessários, a nova reverberação sonora rompe a cadeia de pensamentos e permite que o estado de concentração tranquila continue. Não há necessidade de lutar com pensamentos indesejados, apenas toque o sino e recomece. 

É aceitável tocar o sino várias vezes em uma sessão meditação. Alguns sacerdotes zen, que têm muitos anos de treino, dizem que podem parar todos os pensamentos por pelo menos meia hora ou uma hora. Mas praticantes comuns terão muita dificuldade em esvaziar a mente, pois muitas vezes sentem dores ou coceiras em seu corpo, que geram vários pensamentos.

Esse é o ponto chave - sempre que um pensamento perturbador surgir, toque  sino , ouça o som e deixe o ocupar sua mente . Então a medida que o som vai sumindo, siga-o com a atenção, e isso permitirá que você atinja uma profunda tranquilidade.

A experiência da mente vazia, mesmo que apenas por alguns segundos, é de grande valor e não deve ser vista como garantida. Mesmo que você tenha que recomeçar diversas vezes em uma sessão de meditação, cada uma dessas experiências em estado meditativo se acumulam no subconsciente, e o fluxos de conteúdos subconscientes afeta o muito o seu estado mental e a sua atividade conscientes.

Quando experimentamos um estado além de si mesmo e além do pensamento, a condição de grande tranquilidade penetra o subconsciente, reorientando nosso inconsciente em direção à calma. Ao longo do tempo isso terá um impacto real no seu dia-a-dia, permitindo que você fique calmo em situações que teriam te incomodado antes.

Talvez o mais grave problema que o principiante enfrenta  é “pensar sobre o não pensar”, durante a meditação.  Por isso, se você pensar assim enquanto medita "Oh, surgiu um pensamento. Isso não é bom. Eu devo tentar não pensar" você está “pensando sobre o não pensar”. Isso rompe o estado de meditação. Quando você se acostumar a praticar, descobrirá que qualquer pensamento que surgir logo sumirá. Os pensamentos não têm uma realidade própria permanente. Nós os alimentamos por fazer comentários mentais sobre eles, ou por tentar fazê-los desaparecer. Assim que algum pensamento ou percepção física aparece, não faça comentários mentais sobre ele, apenas note que ele surgiu, e ele se dissolverá . Com o tempo você perceberá como não se apegar ao pensamento, e isso é uma das chaves para dominar para meditação. Após dominar a meditação, descobrirá que consegue retornar à concentração absoluta, mesmo depois de ter se engajado em  algum pensamento. Quando tiver desenvolvido essa habilidade você não precisará mais tocar seu sino toda vez que surgir um pensamento.


Não tente meditar,  tente concentrar-se.

Primeiramente, passe mais tempo ouvindo concentradamente o sino ou algum zumbido, do que tentando meditar. A treino em concentração deve preceder a meditação, isso não é algo que possa ser ignorado.

Apenas ouvir um som e se concentrar nele já é algo significativo, porque você pode experimentar se livrar de pensamentos desnecessários. E embora o estado concentrado seja o primeiro passo na meditação, também produz por si só níveis excepcionais de calma e relaxamento. Em essência, ao nos concentrarmos em algo, em vez de nos preocuparmos com nossos problemas e com nós mesmos, experimentamos férias  psicológicas que beneficiam nossa saúde mental e física.

Uma vez que você esteja bem habituado a concentrar-se em um único som sem devanear, então você pode gradualmente aumentar o tempo para a meditação.

Se conseguir apenas dois ou três minutos de meditação em uma sessão de 20 minutos de prática isso já produz maior serenidade e relaxamento.

 

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Vou deixar aqui muito interessante sobre treinamento da mente, no budismo tibetano. Eu não curto muito livros de budismo porque em geral são só falação. Mas esse é prático, dá alguns conceito claro, mas foca-se no como praticar isso.

Vale a pena dar uma olhada para quem se interessa por budismo, e principalmente para quem sofre de uma certa inquietação com os rumos de sua própria vida.

Budismo com Atitude.pdf

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Estava vendo um vídeo agora, que mais adiante vou upar completo para o tópico sobre Chi kung. Mas aqui só interessa um trecho, relacionado à meditação.

O vídeo é sobre Órbita Microcósmica, a técnica ensinada neste livro do Mantak Chia, e que visa acumular energia e então fazê-la circular pelos canais principais do corpo, que alimentam os órgãos e a aura, gerando uma saúde melhor:

https://www.estantevirtual.com.br/livros/mantak-chia/a-energia-curativa-atraves-do-tao/3716090185

Mas antes da técnica em si, a pessoa precisa conseguir perceber a energia ali na região do umbigo.

01f0f1ce26ee5a7cb585fb705f04a354.jpg

 

Isso é feito como toda meditação básica: apenas ficar atento ao movimento do abdômen  enquanto respira, e nada mais. E apenas fazer isso, por 10 anos ou mais, acumulará energia ali no centro energético daquela região, que é, aliás, nossa bateria mesmo.

Onde é que esse assunto interessa ao tópico MEDITAÇÃO?

-Acontece que atenção ao movimento abdominal é a técnica mais conhecida, a primeira usada por iniciantes e muita gente pode nunca querer ir além disso, se buscam apenas alívio de estresse.

-Também sabemos que a energia vai para onde está focada sua atenção, e é por isso que técnicas para despertar os chackras precisam apenas de atenção focada neles. Concentrar no centro energético do umbigo é considerado seguro, energeticamente falando, ao contrário de concentrações no centro do coração ou no frontal (quanto você conhece que se queixam de dores de cabeça após usarem técnicas para clarividência né???)

-Ao mesmo tempo, é meio que "ponto pacífico" que ninguém precisa cruzar as pernas para meditar, podem fazer isso numa cadeira comum, afinal é uma técnica mental, não energética né? https://nalanda.org.br/meditacao/posturas-para-meditar

Mas parece que não é bem assim...

O vídeo abaixo explica (só tem legendas em inglês) que em algum momento entre 10-20 anos de concentração na respiração abdominal, a energia acumulada ali pode fluir para as pernas e paralisá-las de forma irreversível (ele relata um caso) , e por isso é que se usam as posturas de pernas cruzadas, para impedir que a energia siga pelos canais das pernas, que são a rota mais fácil. É bom saber disso cedo né? kkkkk

 

 

 


 

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isso deve acontecer com quem tem prática mais focada no Dan Tien...

no Budismo Theravada a prática mais ensinada é a atenção plena na respiração, mas tem outras.

e mesmo os yoguis que falam muito da respiração abdominal ou diafragmática, não quer dizer para focar no abdome. é só o modo correto de respirar.

praticantes de Tai Chi e Chi Kung que tem interesses em acumular energia no abdome por vários motivos é que tem que tomar cuidado.

exemplos de meditação no Budismo Theravada:

Citar

 

Mahasatipatthana Sutta (DN 22) - Os Fundamentos da Atenção Plena

2. " Bhikkhus, este é o caminho direto [3] para a purificação dos seres, para superar a tristeza e a lamentação, para o desaparecimento da dor e da angústia, [3a] para alcançar o caminho verdadeiro, para a realização de Nibbana – isto é, os quatro fundamentos da atenção plena.[4]

3. " Quais são os quatro? Aqui, bhikkhus, um bhikkhu[5] permanece contemplando o corpo como um corpo, ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo.[6] Ele permanece contemplando as sensações como sensações, ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. Ele permanece contemplando a mente como mente, ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo. Ele permanece contemplando os objetos mentais como objetos mentais, ardente, plenamente consciente e com atenção plena, tendo colocado de lado a cobiça e o desprazer pelo mundo.[7]

( Contemplação do Corpo )

( 1. Atenção Plena na Respiração )

4. " E como, bhikkhus, um bhikkhu permanece contemplando o corpo como um corpo? Aqui um bhikkhu, dirigindo-se à floresta ou à sombra de uma árvore ou a um local isolado; senta-se com as pernas cruzadas, mantém o corpo ereto e estabelecendo a plena atenção à sua frente, [7a] ele inspira com atenção plena justa, ele expira com atenção plena justa. [7b] Inspirando longo, ele compreende : ‘Eu inspiro longo’; ou expirando longo, ele compreende: ‘Eu expiro longo.’ Inspirando curto, ele compreende: ‘Eu inspiro curto’; ou expirando curto, ele compreende: ‘Eu expiro curto.’ [8] Ele treina dessa forma: ‘Eu inspiro experienciando todo o corpo [da respiração]’; ele treina dessa forma: ‘Eu expiro experienciando todo o corpo [da respiração].’ [9] Ele treina dessa forma: ‘Eu inspiro tranqüilizando a formação do corpo [da respiração]’: ele treina dessa forma: ‘ Eu expiro tranqüilizando a formação do corpo [da respiração].’[10] Da mesma forma como um torneiro habilidoso ou seu aprendiz, quando faz uma volta longa, compreende: ‘Eu faço uma volta longa’; ou, quando faz uma volta curta, compreende: ‘Eu faço uma volta curta’; da mesma forma, inspirando longo, um Bhikkhu compreende: ‘Eu inspiro longo’... ele treina dessa forma: ‘Eu devo expirar tranqüilizando a formação do corpo.’

http://www.acessoaoinsight.net/sutta/DN22.php

 

 

Citar

 

Ao focar na respiração, focamos na experiência da respiração que está acontecendo agora. Experimentamos “aquilo que lhe diz o que a respiração está fazendo”, quer esteja indo para dentro, ou para fora, ou no meio dos dois. Alguns mestres dizem para observar a respiração na ponta do nariz, outros para observar no abdômen e outros para movê-la para cá e depois movê-la para lá. Descobri através da experiência que não é importante onde a respiração é observada. Na verdade, é melhor não localizar a respiração em nenhum lugar! Ao localizar a respiração na ponta do nariz, acabará se tornando atenção no nariz e não atenção na respiração, e se for localizada no abdômen, acabará se tornando atenção no abdômen. Pergunte a si mesmo neste exato momento “Estou inspirando ou expirando? Como sei isso? Ah!” Essa experiência lhe diz o que a respiração está fazendo, é nisso que você foca durante a meditação da atenção na respiração. Deixe de lado a preocupação com a localização dessa experiência; foque apenas na experiência em si.

http://www.acessoaoinsight.net/livros/meditacao.pdf

 

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Estava lendo um livro aqui, e achei muito interessantes esses pontos sobre o risco de ALGUNS TIPOS de meditação, e algumas disciplinas mais extremas,  para quem tenha algum problema psiquiátrico.

Traduzi essa arte do livro, mas o livro trata de kundalini, não de meditação. Só que o autor vai desenvolvendo o tema. Ele próprio passou por um despertar de kundalini e ficou tão afetado que tentou se jogar da janela do prédio. Se quiserem conhecer  a história toda, leiam o livro, anexei em formato texto, para vocês poderem copiar e colar no Google Tradutor e irem lendo caso não leiam inglês. Mas vou deixar aqui a parte sobre meditação:

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Como a meditação pode causar sintomas psicóticos


Um dos benefícios anunciados da meditação é que aumenta os níveis de glutamato e GABA. Mas o problema é que um excesso de glutamato pode matar certos neurônios através de excitoxicidade. A meditação intensa pode elevar os níveis de glutamato no cérebro até que atinja níveis tóxicos, quando isso acontece, o cérebro desliga automaticamente a produção de uma enzima responsável por converter uma sustância  chamado NAAG (N-acetilaspartilglutamato antagonista de NMDAR) em glutamato. O NAAG tem as mesmas propriedades que os alucinógenos, como a ketamina e a fenciclidina e, como tal, sua presença no corpo pode levar à psicose. Essa também podea ser a causa potencial das alucinações durante a meditação intensa.

Além disso, outro “bonus”comumente relacionado à meditação, a secreção aumentada de serotonina, também pode ter um efeito alucinógeno. Um excesso de serotonina causado por meditações intensas pode causar alucinações visuais em nada diferentes das experimentadas ao tomar LSD ou psilocibina.

Além disso, durante a prática espiritual intensa, o DMT (um alucinógeno poderoso) é segregado da glândula pineal (Mohandas, 2008). Vários estudos ligaram essa excreção de DMT a experiências fora do corpo e numerosos estados místicos. A meditação impulsiona nosso humor e motivação para fazer as coisas porque induz o nosso cérebro a  secretar dopamina, mas o problema é que uma superabundância de dopamina é a principal causa de psicose.

Tem havido  na verdade, numerosos estudos de pessoas em que como eu, a psicose foi diretamente causada pela meditação. (Sethi & Bhargava, 2003)

Caso 1

Sr. A, um homem de 20 anos, apresentou uma história de comportamento agressivo durante um mês, risadas fora de contexto e desconfiança generalizada. O exame revelou delírios de perseguição e de referencia ( https://saude.umcomo.com.br/artigo/como-distinguir-os-diferentes-tipos-de-delirios-1963.html ) , e alucinações auditivas. Antes do início da doença, ele praticou meditação intensamente por 4 dias, sem comunicação de qualquer tipo com o mundo exterior; também esteva jejuando, e o sono tinha sido reduzido. Não havia histórico pessoal ou familiar anterior de doença psiquiátrica. Foi diagnosticado com esquizofrenia.

Caso 2

Sr. D, um homem casado de 30 anos, foi trazido de volta para casa por seus colegas de um “ Retiro de meditação”, após ele começar a exibir um comportamento estranho no sexto dia do retiro. No momento do exame, ele parecia estar perplexo e exibia delírios religiosos estranhos. Seu sono era bastante perturbado. Ele foi hospitalizado e tratado com risperidona. O diagnóstico final foi a esquizofrenia. Alegadamente, ele teve dois episódios psicóticos anteriores, cada um deles sempre depois de participar de um retiro religioso anual e tendo recuperação completa entre cada evento .

Caso 3

Um homem de 25 anos (Walsh, 1979) participou de um retiro de meditação de uma semana que envolvia muitas horas diárias de meditação sentada ou caminhando,  e silêncio total, sem comunicação de qualquer tipo (nem mesmo contato com os olhos). No 6º dia, seu companheiro de quarto relatou que o Sr. A parecia agitado. No dia 7, o Sr. A de repente começou a chorar e a gritar: foram necessárias restrições físicas para evitar que se machucasse ou aos outros e ele estava claramente psicótico. A partir do terceiro dia do retiro ele estava jejuando, intensificou sua meditação o máximo possível e limitou seu sono a apenas 1-2 horas. Isso levou à psicose e ao diagnóstico de esquizofrenia.

.....................

Isso não foi apenas relatado em meditadores, mas sim em praticantes de ioga. Pelo menos uma dúzia de episódios psicóticos foram causados pelas práticas excessivas de Bikram yoga (Lu & Pierre, 2007). Neste caso, o indivíduo também jejuou e dormiu apenas 3 horas por noite. (Assim como eu!)

Então, como você pode ver, as mesmas coisas que são benéficas para as pessoas normais: o aumento dos níveis de serotonina e dopamina, a produção de alucinógenos naturais, etc., podem ser potencialmente muito prejudiciais para indivíduos que correm o risco de desenvolver psicose.

Até agora, parece que:

- uma predisposição genética a psicose,

-jejum,

-privação de sono,

-neurose

-e a presença de trauma psicológico prévio

são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de psicose devido à meditação exagerada. (Kuijpers, van der Heijden, Tuinier e Verhoeven, 2007)

Em indivíduos instáveis a meditação pode precipitar psicose ou liberar uma inundação debilitante de emoções dolorosas. Também pode levar não só psicose, mas também a uma desordem de despersonalização. (Kennedy, 1976). Assim todas as formas de meditação podem causar psicose se alguém é geneticamente suscetível à psicose. Os fatores de risco associados são privação de sono e jejum. Neurose e baixa auto-estima são outro fator de risco. (Krab-bendam et al., 2002). É assim que eu inicialmente desenvolvi psicose que a seguir se desenvolveu em catatonia.

De certa forma, pode-se dizer que a meditação profunda é perigosa para as mesmas pessoas que não deveriam tomar alucinógenos, principalmente porque causa as mesmas reações no cérebro! Isso não quer dizer que alguém com uma predisposição à psicose não possa usar meditação para auto-aperfeiçoamento. Ele pode, ele só precisa se concentrar mais em meditações do tipo “plena atenção” (mindfullness) e omitir as práticas anunciadas como envolvendo "estados místicos profundos" ou qualquer coisa que envolva a visualização.

Agora vamos discutir o mesmo de uma perspectiva humanista.

Na verdade, existem estudos que mostram uma conexão definitiva entre o despertar da Kundalini e a psicose. O estado de predisposição à esquizofrenia é chamado de "esquizotaxia" na literatura científica. Ambos os indivíduos - o místico e o esquizofrênico - são criativos e muito intuitivos, com a principal diferença entre os dois que o esquizofrênico “se afoga” na sua experiência enquanto que o místico "nada" nela. Há também diferenças biológicas muito reais entre os dois. Estudos têm mostrado que, em geral, os esquizofrênicos têm dificuldades com o equilíbrio e, como resultado, seu apego a outras pessoal envolve  ansiedade. Além disso, eles têm numerosas tensões musculares crônicas, que o psicólogo Wilhelm Reich chamou de "armadura corporal". No modelo tradicional de esquizofrenia, alguém com uma predisposição genética só irá desenvolvê-la se ele experimentar bastante trauma em sua vida (e por esse termo eu também estou me referindo a coisas como isolamento social ou falta de cuidado dos outros para com ele).

Além disso, parece que as mesmas coisas que desencadeiam um despertar da Kundalini também podem ser desencadeantes de uma recaída psicótica. Em suma, parece que a verdadeira diferença entre alguém que desenvolve esquizofrenia e alguém que se torna místico é que o corpo do místico está preparado para isso. Com isso, quero dizer que ele tem todos os seus traumas passados bem resolvidos, sua personalidade é saudável e integrada, e ele é psicologicamente saudável no sentido holístico da palavra.

Esta explicação faz muito sentido se você considera que a maioria das asanas ioguicas geralmente treinam equilíbrio, coordenação e consciência corporal - as mesmas qualidades que parecem faltar no esquizofrênico. Do ponto de vista da psicoterapia baseada em corpo, isso faz todo o sentido. O místico tem uma conexão estável com o solo, enquanto o psicótico não. É por isso que nas práticas espirituais tradicionais; existem inúmeros exercícios que visam aterrar a pessoa. No yoga, estas são asanas, e no qigong temos muitas outras práticas de meditação em pé.

Em um estudo, pesquisadores estudaram um grupo de praticantes veteranos de yoga e um grupo de sistemas de espiritualidade mais ecléticos. (Sanches & Daniels, 2008) Eles descobriram que, enquanto uma experiência de despertar kundalini era mais comum no grupo eclético, os efeitos secundários negativos também eram mais comuns. Portanto, parece que a maioria das práticas das escolas tradicionais de yoga realmente visam preparar o corpo para a iluminação, mas não induzi-la diretamente. É por isso que, historicamente, a prática do ocultismo sempre foi considerada psicologicamente perigosa mas não a prática do yoga. É também por isso que o yoga é comercializado como uma prática de saúde - contém práticas que são projetadas para aumentar a saúde e o bem-estar psicológico porque isso sempre foi considerado importante para o desenvolvimento espiritual. Um exemplo disso é a “meditação da plena atenção”(mindfullness)  . É também por isso que a essa meditação tem um histórico tão surpreendente como forma de ajudar pessoas que sofrem de psicose. Ela era tradicionalmente usada exatamente para esse propósito, e também para evitar desenvolver psicose. É por isso que acredito que todos em um caminho espiritual devem praticar alguma forma de meditação mindfullness. Mas, ao mesmo tempo, sei que nem todos podem realmente praticar esse tipo de meditação de forma eficaz.

Eu sei que eu nunca poderia praticar os métodos tradicionais de meditação, mesmo que eu realmente os descreva no último capítulo deste livro, por motivos históricos. Por causa da minha instabilidade, eu sempre achei que me perdia completamente em meus pensamentos (de uma maneira ruim) se eu me sentasse silenciosamente por mais de 5 minutos. Essa é, na verdade, uma das principais razões pelas quais nunca poderia desenvolver um aterramento e prática suficiente de mindfullness para poder me dedicar a  práticas espirituais mais avançadas de forma eficaz.

É por isso que dediquei mais de 5 anos da minha vida a criar um método de meditação que até mesmo eu poderia usar e preformar facilmente. Isso resultou na criação do “Método de Meditação Primal”, que é especificamente projetado para permitir que você medite sem esforço, mesmo que você ache irritante a idéia de sentar calmamente por mais de 5 minutos. (....)

Eu acho que uma prática regular do método de meditação primal é muito importante, uma vez que muitas coisas do dia-a-dia podem desencadear um despertar da Kundalini ou uma experiência espiritual ou mística em indivíduos geneticamente predispostos. Um exemplo disso poderia ser o uso de cannabis. Houve casos documentados de usuários de cannabis com uma profunda experiência e percepção espiritual, o que realmente os tornou mais desajustados na vida, porque eles não conseguiam integrar-se e, como tal,tiveram que ser internados. Isso mostra a diferença entre uma experiência transcendental saudável e um gatilho psicótico. Se uma pessoa está cheio de traumas e é psicologicamente perturbada, uma experiência espiritual pode se transformar em psicose. Quando digo isso, não quero dizer isso no sentido humanístico da palavra. Quero dizer, literalmente, seu corpo não conseguirá lidar com isso. O meu corpo  não consegue,  mas graças à minha pesquisa, agora sei por quê. Esta é a razão pela qual as organizações ocultas não aceitam qualquer um. De fato, Israel Regardie (o chefe da Golden Dawn) considerava  200 horas de psicoterapia como um requisito essencial para a prática oculta. Embora eu sinceramente concorde com ele, também acho que o uso regular de técnicas de auto-ajuda que descrevi no meu site empiricsprit.com  e irei descrever nos outros livros que planejo escrever é suficiente para se estabilizar o suficiente para diminuir o perigo de uma psicose induzida espiritualmente.

Meu erro

Então, qual foi o meu principal erro? Bem, além de não dormir por um mês e comer apenas 3 bananas por dia (o que, como mencionei anteriormente, foi comprovado por estudos clínicos como sendo o principal fator de risco para a psicose induzida pela meditação), eu acho que estava pensando que eu era um super-herói capaz de enfrentar tudo, esse foi o meu maior erro.  

 De uma perspectiva tradicional, ser humilde e respeitar suas limitações são uma das qualidades mais importantes de um buscador espiritual; no entanto, os mosteiros budistas o expulsariam mais rápido do que você poderia dizer "não" se você se vangloriar de ser mais talentoso espiritualmente do que qualquer outra pessoa. Isso ocorre porque o desenvolvimento espiritual é um processo sistemático. Para usar a metáfora dos chakras, você precisa primeiro "limpar" ou "despertar" seus chakras inferiores para depois despertar adequadamente os chakras superiores.

Eu, como muitos jovens, fiquei hipnotizado pelo exotismo do ocultismo. (Sim, eu admito que eu também lia a Bíblia satânica porque eu pensava que isso era legal e eu gosto de música “dark”). Eu me entediei com as práticas de aterramento mais tradicionais, como observar sua respiração. Mas posso dizer que depois da prática regular do método de meditação primal, que você pode aprender em psychotao.com, sinto-me muito melhor. Faz todo sentido que exatamente os mesmos exercícios historicamente utilizados para preparar alguém para o misticismo me ajudassem muito.

Pode-se usar uma metáfora de que as técnicas espirituais mais "exóticas e mágicas" que envolvem viagens em transe, visões e misticismo lidam com os chakras superiores, enquanto coisas como psicoterapia, atenção plena, acupressão e outras técnicas de cura emocional limpam os chakras inferiores.

Na verdade, não há muitas diferenças entre um episódio psicótico e uma experiência transcendente. Alguns estudos afirmam que a semelhança é considerável. (Goretzki, Thalbourne e Storm, 2009). A diferença é que a maioria das pessoas sai de uma experiência espiritual com um aumento da qualidade de vida, enquanto a maioria das pessoas sai de um episódio psicótico com uma diminuição da qualidade de vida.

 Novamente, a diferença é de preparação. Se o seu corpo está tão traumatizado que não pode lidar com a maioria das coisas na vida, a iluminação irá atormentá-lo ainda mais. Durante um grande período da minha vida, não pude nem sair da minha casa porque eu teria um ataque de pânico.

 

Kundalini Awakening & Psychosis - Peplinski, Matt.rtf

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Legal Sandro. Bom saber desse relato, pois tenho tentado práticas mais naturais possíveis, que não estimulem muito a visualização e contemplação, pois já imaginava mesmo que poderia afetar bastante nossa mente e e atrapalhar nossa capacidade de discernimento e avaliação das situações. Aliás adotei como prática a meditação chan (zen), no site do templo Zu Lai ensina a praticar, onde praticamente o foco é a respiração

 http://www.templozulai.org.br/como-meditar 

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Se me permite a observação, pelo texto já se pode perceber que esse tal Mat Peplinski não é exatamente uma referência de espiritualidade sadia. Além do mais, o trecho que vou destacar abaixo atesta que esse cara não pode ser um meditador sério:

18 horas atrás, sandrofabres disse:

Por causa da minha instabilidade, eu sempre achei que me perdia completamente em meus pensamentos (de uma maneira ruim) se eu me sentasse silenciosamente por mais de 5 minutos.

Tudo bem você pensar assim no começo mas tem que tentar e insistir. Grande parte do que faz alguém progredir na meditação (assim como em qualquer outra coisa na vida) é ter persistência. A capacidade de sentar silenciosamente por mais de 5 minutos para a prática de meditação é algo que se treina. Se o indivíduo consegue apenas 5 minutos, isso já é suficiente para começar. Repita os 5 minutos diariamente que, em algum momento será capaz de conseguir 10.

Na minha opinião, o que fez esse cara ter um surto psicótico em primeiro lugar foi a sua atitude e não a meditação propriamente dita.

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Ele está escrevendo tendo como público alvo pessoas que tem algum problema psicológico ( mas as vezes temos e nunca fomos diagnosticados né?)  ou que são capazes de entrar a fundo em práticas de jejum e meditação POR HORAS. Não me parece que o que ele escreve se aplique aos casos normais, àquele pessoa que medita aí duas sessoes de meia hora por dia. Mas pode se aplicar a  quem se julgue normal mas encare  um sistema intenso, de retiro de meditaçào por vários dias, combinando restriçao alimentar e deficit de sono, esses precem ser os pontos de maior risco .

Note que ele cita outros casos ali, não está se baseando apenas no próprio caso dele.

Meu objetivo ao postar o texto foi para informar pessoas que as vezes podem ja ter um histórico de problemas mentais e resolverem entrar com MUITA SEDE AO POTE ma meditaçao. Esses dois fatores é que pelo que entendi, geram uma combinação meio arriscada. E ele mesmo esclarece ali que quando adotou praticas mais pé-no-chão, la dos fundamentos,,que ele tinha atalhado, foi que melhorou.

Então acho que como uma alerta de "como começar errado e se estropiar",  o livro cumpre bem sua função.  Não lembro se incluí ali no texto, ou se deletei esse parágrafo, mas ele diz bem diretamente algo assim " eu resolvi pular direto para encarar algo para o qual as pessoas se preparam durante a vida toda, não  é de admirar que eu tenha tido problemas para lidar com o resultado". O livro é sobre kundalini especificamente, ele so cita meditaçao ali porque de fato ninguém controla o que acontece com o kundalini, ele pode despertar do nada durante rotinas de meditações mais intensas, mesmo que o praticante não esteja procurando por isso. 

 

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Não conhecia o Mat Peplinski, mas não é o único autor a alertar para os perigos que podem advir da meditação. Já li sobre diversos casos, desde o despertar da kundalini  até ao "simples" acto de focar na respiração. As pessoas é que têm tendência para pensar que os males só acontecem aos outros e não ligam aos avisos.

Ainda há pouco li sobre um caso bastante curioso e que eu não pensava que fosse possível. Um praticante de Pranayama ficou "tão bom" que o seu organismo perdeu a capacidade de respirar de forma automática. Ele tinha que estar sempre a atento à respiração. Quando se distraía ou dormia deixava de respirar e sufocava. :-o Teve que procurar ajuda profissional e levou bastante tempo até que o seu organismo recuperasse a função automática da respiração. Infelizmente não me lembro onde li isto.

Casos de pessoas que despertaram a kundalini sem estarem preparadas também há vários relatos e isso pode ser devastador para a pessoa, não só psiquicamente mas também fisicamente.

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Sim, esse caso do cara que teve problemas desativando a fubçao automica da respiraçéo é famoso e antigo, acho que do final do século XIX ou início do XX,,quando o interesse por Yoga cresceu na Europa e virou febre. O Gurdjieff "ganhou a vida" durante alguns anos só "consertado" as pessos que tinham perdido a capacidade de respirar automaticmaente devido ao treino de respiração consciente. Tudo que funciona,,pode dar errado. Sô as técnicas que não funcionam é que depnedme apenas da sua boa intenção e motivação,  porque nesses caso não são técnicas mesmo, são só autosugestao.

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Acho importante também observar é que o alerta dele está relacionado com exageros de vários tipos e não só com meditação pois, obviamente, se a pessoa resolve partir para uma prática meditativa muito intensa sem se preparar pra isso, ela vai ter problemas. Tudo em excesso é veneno. Se a pessoa agir com equilíbrio em suas práticas, dificilmente vai ter esse tipo de problema.

Uma pessoa que desperta sua Kundalini por acaso em uma prática moderada (sem exageros)  é porque já estava preparada pra isso e dificilmente vai se desequilibrar no nível de ter um ataque psicótico.

Mas estou me referindo a práticas meditativas comuns e não àquelas cujo objetivo já é o despertar da Kundalini ou de algum chakra de forma separada.

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Pois é, mas a gente nunca sabe muito bem onde se está nesse espectro. Eu, por exemplo, nunca gostei, e ainda não gosto, do tipo de meditação que este site chama de "Monitoramento aberto", sempre me pareceu "treino em desatenção": https://www.riquezasemlimites.com.br/tecnicas-para-meditacao-aprenda-as-23-tecnicas-de-meditacao-mais-eficazes/

Os únicos tipos que fizeram sentido para mim até hoje são as que ele chama de Meditação focada. Mas justo a que esse autor diz que não dá problema, é segura e até previne problemas, é a Mindfullness, que está ali na classe de "monitoramento aberto". A Transcendental, que ali fica na classe de Autotranscendência automática eu já supunha que era meio perigosa , porque naquele pdf que ja postei aqui no gva, "Não chame ninguém de mestre", já tinha um  ou mais relatos bem negativos,  mas eram de meditações especiais, dadas pelo Maharishi aos discipulos, não eram as do tipo que circula por aí livremente.

 

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Pratiquei meditação transcendental durante vários anos e nunca ouvi falar de problemas. Pelo menos por aqui toda a gente se dava bem. Mas era bem simples na verdade.

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Trecho do livro a que me referi, na parte que narra eventos sobre Meditação Transcendental na época quel ela surgiu com o Maharishi:

.................................................

Quando jovem, ainda obcecada pelo Tibete, comecei numa época a repetir o mantra "Om Mani Padme Hum", ou "Salve, ó Jóia no Lótus". A sílaba mágica OM, que dizem ter sido o som primordial de toda criação, tinha um efeito curioso, quase me fazendo delirar.
Mas Maharishi nos advertiu:

— Nunca repitam o mantra OM. Ele pertence a uma tradição de reclusos. Ele provoca o afastamento do mundo. É um mantra muito perigoso para os 'membros do grupo'. Tem sido usado erroneamente na Índia há gerações. É por isso que meu povo é tão passivo, tão pouco disposto à ação. Eles preferem passar fome a se esforçar no cultivo do campo e desenvolvimento do país. Quando orientava os candidatos à iniciação naquela época, Maharishi lhes dizia:

— Adotamos algumas palavras que, segundo nossa tradição, têm reconhecidos efeitos harmoniosos e positivos, e começamos a experimentar os seus aspectos vibratórios em estados cada vez mais sutis. A mente acaba experimentando o estado 'pontual' do pensamento e sai do estado mais sutil para o campo da Existência. A mente sai do campo da relatividade e atinge a fonte de toda criação, de todo poder: do Ser Absoluto. Finalmente, usando os mantras de minha tradição, as células do cérebro serão alteradas. Observaremos mudanças no metabolismo. Seremos capazes de comprovar isso. Seremos pessoas plenamente realizadas, cosmicamente conscientes.

Ele começou a ensinar nas aldeias de Madras. As pessoas sempre gostam de ouvir um homem santo. Como todos os povos em todos os tempos, elas queriam saber como atingir as 'glórias divinas' de que ele falava. Pensou nisso e lhes disse que poderia apresentar uma técnica simples de meditação que seria adequada para elas. Escolheu mantras da tradição 'doméstica'. São mantras de efeitos mais suaves do que os mantras mais usados, adequados para reclusos. O termo 'doméstico' se aplica a toda pessoa que tem compromissos com a vida, que precisa arar o solo, plantar, criar os filhos. A fita deixou claro que a indicação de mantras domésticos foi, no início, uma simples experiência. Aparentemente, funcionou. Os aldeões gostaram da meditação e ficaram mais felizes. Tanto essa técnica como os mantras específicos que, mais tarde, formaram a base da prática da MT, foram desenvolvidos no decorrer de algumas semanas em Madras.

(...)

A natureza experimental das técnicas também foi ficando aparente para mim. Muitas pessoas estavam se sentindo bastante inseguras do rumo para o qual a meditação as estaria levando. Um desejo de se recolher e de não se ligar a ninguém e a nada parecia aumentar entre elas. Elas não estavam mais tão ativas ou interessadas no mundo como antes. Naturalmente, muitas pararam com a meditação profunda, e por isso não obtiveram resultados marcantes. Mas um bom número de iniciados meditavam com profunda satisfação emocional, e não conseguiam deixar de permanecer quase que continuamente nesse estado. De tempos em tempos, Maharishi dava conselhos para que tentássemos reverter essa situação, ficando o tempo todo "na sala do tesouro contando o dinheiro, em vez de gastá-lo no mercado".  Ele lidava com pessoas que estavam se tornando reclusas, apesar dos mantras 'domésticos'.

Algumas pessoas tiveram experiências assustadoras, não muito diferentes do transe catatônico. Às vezes, isso fazia com que a pessoa não conseguisse se mexer ou abrir os olhos. Esta experiência está associada à ioga kundalini, e com toda a certeza não é parte do modo doméstico de desenvolvimento, pois traz evidentes perigos. Dizem que é causada pela súbita elevação da energia nervosa sutil que, de acordo com a tradição indiana, vem da fonte da própria vida. Ela caminha pelo corpo humano através da coluna vertebral. Há muitas maneiras de 'elevar o kundalini', o que causa diversos efeitos, inclusive excitação sexual.

Aqueles que tinham essas experiências acabavam se aproximando mais de Maharishi. Tornavam-se devotos reclusos, renunciando ao mundo. A nova secretária contratada pelo MRE passou por muitos estados curiosos. Durante uma das palestras de Maharishi, a vi entrar involuntariamente em transe. Ela não conseguiu se levantar no final da palestra. O líder da delegação alemã, que estava perto dela, ergueu bruscamente seu queixo, chamando-a pelo nome. Mais tarde, ela disse:

— Eu percebia que você me chamava, mas não conseguia responder.

Depois disso, disseram para os 'guias' que deveríamos despertar essas pessoas suavemente, passando a mão em movimento circular sobre sua cabeça e chamando-as gentilmente. Parecia sensato para mim, mas não era o modo teutônico. Os alemães geralmente chacoalhavam as pessoas em transe, sem se preocupar muito com o choque causado ao sistema nervoso.

Tais reações fortes eram raras, mas aqueles de nós que experimentaram os estados mais profundos se familiarizaram com as diferentes reações do sistema nervoso, tais como arrepios, tremores, convulsões na espinha e, vez por outra, estímulo sexual ou visões eróticas. Mas nos ensinaram a ir além de tudo isso, e  normalmente conseguíamos nos controlar. Entretanto, os jovens ocasionalmente perdiam o controle. Alguns pareciam perder totalmente o interesse pela atividade sexual. Encontravam toda a sua satisfação na meditação, e ficavam vagando de lá para cá, incapazes de trabalhar ou de fazer qualquer coisa no mundo real. Comecei a perceber que os profissionais liberais também davam a impressão de se deixarem levar pela curiosa letargia que atacava os praticantes mais sérios e assíduos da MT. O iniciado tradicionalmente experimenta os prazeres da carne e todas as alegrias
sensuais da vida. É o recluso que não busca a satisfação dos sentidos nas atividades mundanas, que espera se afastar dessa necessidade num estado de 'não-apego'. Mas todos estavam se tornando cada vez mais preguiçosos. Agora, eu mesma não conseguia prosseguir em minha carreira de escritora.
Maharishi parecia não saber que a meditação que nos dera era contraproducente — caso desejasse causar um impacto realmente forte no mundo!

Aqueles que conseguiram, de início, mover montanhas com sua energia e eficiência, agora não tinham vontade de fazer muita coisa, e não se dedicavam sequer a divulgar  sua obra. Por toda parte, havia lentidão e dispersão. Tinha a impressão de que o Movimento crescia quase que apenas como resultado da vontade e determinação do próprio Maharishi, e de sua manipulação consciente das pessoas e situações com que se defrontava. Ninguém parecia ter qualquer força de vontade, exceto ele. As pessoas só queriam se sentar a seus pés e ser felizes.

Maharishi agora anunciava a intenção de nos dar técnicas avançadas num curso no Alpes Dolomitas. Ele estava determinado a fazer com que todos os guias e líderes de destaque estivessem lá. Já apresentara certas técnicas adicionais, dizendo que elas trariam benefícios à meditação e acelerariam seus resultados, como se tudo já não estivesse bem apressado. Ele escolheu a dedo aqueles que receberiam as técnicas avançadas, e a maioria de nós pagou um valor bem elevado pelo privilégio. Ele passou a selecionar outros, incluindo-me novamente no grupo. Eu não freqüentava mais os cursos regularmente, apesar de sempre receber grupos para liderar nas ocasiões em que comparecia. Senti-me forçada a isso, no último curso a que assisti. No Lago de Braes, nos Alpes Dolomitas, ele separou 30 pessoas do grupo de 300 'iniciados avançados' e, pela primeira vez, referiu-se às técnicas extras pelo nome correto: eram os siddhis — práticas mágicas que traziam poderes familiares aos iogues e homens santos, mas que não são tidas como muito seguras ou desejáveis
para ocidentais. Antes, referira-se a elas jocosamente como 'fertilizantes'. ''As plantas precisam de fertilizantes."

Os siddhis deveriam ser mantidos em segredo por todos aqueles que os recebessem pessoalmente. Ele explicou que havia uma conexão direta entre as práticas e a experiência espiritual ou psíquica que ele teve no templo de Lakshmi, em Madras.Ele parecia decididamente nervoso quanto ao que se propusera a fazer. Mandou-nos sentar de modo especial, pensou bastante no número exato de pessoas e no modo como deveriam se sentar, e nos fez jurar que não praticaríamos essa técnica sozinhos em casa sob hipótese alguma. Deveria ser praticada sempre por um número ímpar de pessoas, mas não por três — deveria haver cinco, sete etc. pessoas reunidas. Era uma tentativa clara de invocar a deusa hindu, e tudo recendia a mágica. De imediato, alguns ficaram alarmados. A atmosfera do salão mudou e parecia carregada com eletricidade, como se estivéssemos numa sessão espírita. Algum tipo
de poder passou por nós. Lembrou-me muito do latihan do Subud, no qual a sala às vezes também parecia estranhamente carregada.


Antes, Maharishi sugeriu que a prática de Pak Subuh, o indonésio, era indesejável, e explicou:

— Ela vem de algum espírito, algum forte espírito ou entidade. Pode até querer salvar o mundo. Mas não os levará à auto-realização.

Agora, ele estava dando instruções, criando as regras e tomando precauções exatamente do modo como Pak Subuh fizera, e estava mais do que disposto a invocar qualquer espírito que pudesse ajudá-lo. Era claro que essas novas práticas, das quais havia, conforme dissera, "muitas outras na sacola", estavam bem distantes da técnica original e simples da MT. Eram
uma tentativa consciente de obter ajuda de entidades e poderes externos, e eu e muitas pessoas pressentimos o perigo.

O pagamento pelas técnicas especiais estava aumentando cada vez mais. Agora, até os cursos básicos eram caros, e os ensinamentos adicionais implicavam gastos de várias centenas de libras por iniciado. Em 1982, ele estava cobrando mil libras por curso extra, e esse valor tem aumentado desde então. Enquanto os humildes e os mais pobres se afastavam, outros economizavam e sacrificavam a si mesmos e às suas famílias. Em 1985, estavam pagando elevadas somas para se tornarem clarividentes, para manipular os poderes da natureza ou levitar. Pelo que sei, ninguém chegou a adquirir esses poderes de maneira marcante. No entanto, ele continuou fazendo experiências. Mas me parecia que ele estava passando
conhecimentos esotéricos que não deviam ser revelados ao mundo. Ele estava se tornando um homem realmente perigoso.

De modo geral, poucos iniciados deram a impressão de ter melhorado de algum modo como resultado daquelas práticas. Ficaram apenas mais auto-absortos e introvertidos. Houve algumas exceções temporárias: aparentemente, certas pessoas rejuvenesceram maravilhosamente por algum tempo, apesar de isso não durar muito.

.......

Pensei muito em Philip Devendra, que deveria ser o sucessor de Maharishi quando ele eventualmente se aposentasse do mundo, e que me parecia ser um dos poucos que cresceram em estatura espiritual ao longo dos anos. Trocávamos correspondência, e ele incluía algumas flores secas de um jardim ou colina da Índia, que eu mantinha numa pequena caixa de madeira perfumada. Após alguns anos, porém, não tive mais notícias dele.

Até que um dia, 20 anos depois, Philip apareceu inesperadamente em Londres. Ele estava completamente exausto. Também estava sem um tostão, e tão perturbado que nem mesmo sabia onde pedir ajuda. Ele foi até o apartamento de Nina na rua Welbeck e ela o acolheu. Ele não queria ver ninguém, e praticamente ninguém soube de sua chegada. Tinha quase 60 anos, não tinha renda, não tinha meios de retomar sua carreira como advogado e teve de pedir dinheiro emprestado para se sustentar enquanto procurava trabalho.
Ele explicou que ficou cada vez mais perturbado com os efeitos da meditação. Maharishi o mantinha em longos períodos de jejum e meditação em cavernas escuras,
atividade que durou muitos anos.

— No final, sozinho nas cavernas, pensei que estava ficando louco — disse.

— Maharishi não me deu assistência, não me deu orientação. Ele apenas riu e me disse para prosseguir.


Teve experiências terríveis enquanto tentava obedecer à vontade de seu antes amado e agora indomável Mestre, tal como sempre fizera sem reclamar. Finalmente, desesperado, saiu e foi procurar Shankaracharya, que tinha acompanhado as atividades de seu antigo irmão espiritual com interesse durante algum tempo. Aparentemente, o Shankaracharya o teria aconselhado a partir — "fugir discretamente" sem deixar que Maharishi soubesse disso até que fosse tarde demais para deter sua saída do ashram.

De bom grado, Nina deu-lhe apoio durante a traumática readaptação à vida ocidental. Mais tarde, incapaz de encontrar coisa melhor, arrumou emprego como garçom num restaurante japonês em Londres. Vivendo de modo frugal e economizando a maior parte de seu salário, acumulou o suficiente para pagar suas dívidas e para comprar uma passagem para as Filipinas, onde tinha uma irmã. Ele disse a Nina que iria escrever, mas nunca o fez. Deu a impressão de ser um homem completamente acabado.

.............................

Fonte: "Não chame ninguém de mestre".  Trechos selecionados entre as pgs, 125-198. Não Chame Ninguem de Mestre.pdf

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Muito interessante Sandro. Não conhecia este livro.

Eu pratiquei MT no fim dos anos 80 principio de 90. Na altura estudava, dormia pouco e a meditação ajudava bastante a recuperar as energias. Bastavam 10 minutos de meditação durante um intervalo das aulas para "recarregar as baterias". Nunca tive problemas mas reconheço alguns dos traços apontados nalguns praticantes embora nunca os tenha encarado como distúrbios causados pela prática da MT. Tínhamos encontros semanais no centro para meditarmos em grupo e nunca ouvi qualquer queixa. Antes pelo contrário. Todos pareciam adorar e alguns até levavam familiares e amigos. Nos retiros e cursos em que participei também não notei dada de anormal.

Afastei-me ao fim de 3/4 anos por isso não posso dizer como correram as coisas nem como está agora. Talvez que essas perturbações só se apresentassem aos praticantes após bastante tempo de prática.

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Hoje estava fazendo minha meditação(sou iniciante) e comecei a sentir do nada como se alguém simplesmente tivesse começado a me girar. Foi muito louco!! Estava ficando muito tonta. E meu olhos não paravam quietos hahaha. Já havia sentido antes minha pálpebras se mexerem involuntariamente, mas dessa vez estava ainda mais forte. Pensei até em abrir os olhos mas continuei na prática.

Isso que eu senti é normal durante a meditação? É algo que eu vou passar a evoluir? Me ajudem!!

Edited by Lorena Braga
erro de portugues

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Não é regular, ma acontece. Esse tipo de coisa é iníciode projeção acontecendo durante a meditação, prqu as etapas inicias de ambas as práticas são as mesmas:

- relaxamento

- concentração

Isso leva  a um estado alteado de consciência que as vezes pode progredir em direção à projeção.

Porém projeção é "distração", a META  na meditação não tem nada a ver com projeção.

 

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Meditação ajuda a fortalecer o sistema imunológico

Estudo da Universidade da Califórnia prova que a prática intensifica a atividade da enzima telomerase, que atua na defesa do organismo

https://veja.abril.com.br/saude/meditacao-ajuda-a-fortalecer-o-sistema-imunologico/

 

Meditação melhora sistema imunológico

https://hypescience.com/meditacao-melhora-sistema-imunologico/

 

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