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Qual Bíblia devo comprar


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Quero comprar um Bíblia mas não faço a menor ideia de qual escolher. Eu estava pensando em comprar essa:

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Mas como eu estou mais para o estudo da Gnose, as notas dessa Bíblia talvez gerem confusão nos estudos né ?

Qual Bíblia é mais recomendada para o estudo da Gnose e quais livros poderiam complementar e ajudar com esse aprendizado ?

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Bem, eu não conheço essa, só posso falar das que eu tenho.

As notas vão tirar leite de pedra para fazer encaixar  os textos na interpretacao teológica. Se você quer saber como os seguidores dessa religião  pensam sobre a crença deles o melhor mesmo é uma bíblia de estudo.

A Biblia de Jerusalém tem bastante notas de rodapé  e curtos textos introdutorios que são suficientemente informativos:

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A  Thompson...

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...e a de Genebra....

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...vem com  MUITOS outros textos de suporte à crença cristã, ensaios, textos de arqueologia ,contexto historico. São as melhores nesse gênero, eu acho. 

Se quiser saber como os cristãos tentam rebater  os argumentos de outras crenças sobre a biblia,  a Bíblia apologética  é  um livro bem curioso. Por exemplo,quando eles sabem que o kardecismo faz a interpretacao deles sobre uma passagem biblica , quando.chega nessa passagem eles colocam.na nota de rodapé o que os espiritas estao alegando sobre isso e procuram rebater citando outros passagens que reforçam a visao deles contra o argumento  espirita. Fazem isso com várias outras seitas/religioes.( exemplos anexados)

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Mas se quiser apenas o texto biblico puro, sem notas teologicas que tentam fazer tudo se encaixar, uma King James te dá tudo que precisa e num  bom tamanho ( 14x21x3,5) sem ser letra de bula de remédio.

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Só quero deixar aqui um alerta:

Estamos vivendo desde os anos 90 uma expansão.do fundamentalismo religioso, o que, dito de maneira bem direta ,é uma ferramenta de dominação consciencial e portanto, serve às forças daa trevas. Tanto é que esses grupos religiosos são a base eleitoral da extrema direita no mundo  todo. Os caras deram golpe contra a democracia  na bolívia agarrando uma.metralhadora numa mao e bíblia na outra.

https://jornalggn.com.br/analise/evangelicos-e-o-neoliberalismo-para-pensar-o-papel-das-igrejas-no-golpe-de-estado-na-bolivia/

É um péssimo momento mundial para alguém se arriscar a se colocar sob a influência tenebrosa ds entidades qie certamente estão  atuando por trás dessas  religioes sob o disfarce de cristianismo. Portanto, quem for   mexer com biblia neste momento está se arriscando  a sofrer processos obsessivos, ainda mais se tiver alguém religioso na família ou se não tem um passado  inatácavel. 

Em geral quem fez lá suas bobeiras de juventude pode sofrer de complexo de culpa e o argumento religioso vai parasitar sua psique nesse calcanhar.de aquiles, com aqueles papos furados de pecado, perdão, redenção, salvador, papos que só quem tem sentimento de culpa por alguma coisa não acharia infantis. Então cuidado para mexer com isso no momento atual porque o assédio  das trevas atuando por tras do discurso religioso  está intenso. 

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38 minutos atrás, sandrofabres disse:

A  Thompson...

Gostei dessa. (Y)

 

23 minutos atrás, sandrofabres disse:

Portanto, quem for   mexer com biblia neste momento está se arriscando  a sofrer processos obsessivos, ainda mais se tiver alguém religioso na família ou se não tem um passado  inatácavel.

Eita, nem imaginava esse tipo de coisa. Mas mesmo eu confiando no meu objetivo de ler a bíblia, ainda assim corre o risco de de eu entrar em sintonia com essa turma tenebrosa?

Pq tenho achado bem legal quando estou lendo um livro e encontro os Mestres citando trechos a bíblia comparando com algo, tipo: kundalini, sêmen, chacras, acontecimentos etc, que a gente para e pensa "Eita, então é isso e nao aquilo, que interessante". Agora mesmo estou lendo "A Revolução de Belzebu": 

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Trecho da parte que Samael fala da Lemúria...

Daí sempre que vejo essas citações eu fico curioso, tanto para aprender mais quanto para saber se vou conseguir assimilar certas coisas, já que comecei a ter uma noção da Gnose.

Então a intenção não é entrar na noia e ficar buscando salvação, seria só curiosidade mesmo. Maass.... se mesmo assim tem riscos de entrar em sintonia com essa turma eu prefiro deixar essa ideia de lado. Mesmo confiando em mim, se for pra começar ler a bíblia e ser bombardeado por uma maré que te empurra pra outro lado e causa inquietação e desequilibrio, eu prefiro deixar como está.

Aliás, num seria possível usar a bíblia como aquele esquema de meditação ? De tipo pegar um trecho, se impregnar dele, fazer o chacra coronário girar, e esperar por algum sonho ou visão que revele o que um determinado trecho significa ?

Aah, aproveitando esse seu alerta, Samael menciona no livro as Sete Vogais da Natureza, que segundo ele, a vocalização delas por 1 hora todos os dias valem mais que  a leitura de um milhão de livro:

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Nesse caso, talvez seja melhor ficar nessa prática do que ir para a Bíblia ?

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Eita, nem imaginava esse tipo de coisa. Mas mesmo eu confiando no meu objetivo de ler a bíblia, ainda assim corre o risco de de eu entrar em sintonia com essa turma tenebrosa?

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Cada caso é um caso. Eu tinha um amigo interessado em magia, esoterismo etc. Passamos um ano dando uma estudada nuns conteúdos especificos. Nos encontrávamos todo o sábado para isso, ate que num sábado ele nao apareceu, nem no proximo. Sumiu por tres meses, até  que cruzei com ele na rua, usando camisa abotoada até o último botao ( kkkk) e uma biblia na mao, ehejeh. 

Ele teve uns sustos numa noite, aparente poltergeist, apelou para oracao, aí se converteu, queimou livros esotericos, baralho de tarô, ficou seis anos enfiado na igreja evangélica ,virou pastor e tudo. 

Depois acordou e caiu fora.m, eheje.

Mas ficou com a mente cheia daqueles medos que a religiao enfia na cabeça de quem entra. Eu até acho que tem sua utilidade, porque depois ele me.contou que ele traía a esposa de 3 em 3 meses, e durante o tempo em que foi evangélico traiu uma vez só, já é um avanço. E depois que saiu, nos 12 anos seguintes traiu só mais duas vezes. Melhorou, entao para esse pessoal que não consegue levar uma vida ética ser ameaçado com o fogo do inferno pode até ajudá-los a entrar na linha, já que se deixados livres não sabem administrar sua própria vida. Mas exatamente por isso essas pessoas que cometem lá seus desvios éticos tem essa vulnerabilidade psicológica ao discurso religioso. E quando percebem que uma crença não tem poder de mudá-los, ao incorrer nos mesmos velhos erros de novo, como é o natural se a pesso nao muda, ficam se torturando, nao se recuperam fácil.

 

Tem que lembrar que ler a Bíblia é para saber o que  "o livro dos judeus" diz, nada mais. E como ler o bhagavad gita  para saber o que.o hinduismo diz. Cada livro religioso exprime as crenças de um povo especifico, para uma data especifica, já bem antiga. Se o pessoal.vai ler essas coisas.achando que lerá." a palavra  de Deus" acaba metendo os pés pelas mãos. Se for para ler assim deveria pelo menos ler os.livros de varias religioes,.porque ou todos sao " a palavra de deus" ou nenhum é.

Mas saber de onde saem essas citacoes biblicas é bom, e para isso basta   comprar uma só com o texto, sem notas,.para conferir essas passagens citadas  em livros espirtias ou esotéricos , o que é diferente de ficar lendo de ponta a ponta e acabar "entrando no pensene" desses grupos

 

Usar a meditacao com ela é algo antigo,  o livro Exercícios Espirituais de Santo Inacio de Loyola trata disso. 

Quanto às vocalizacoes, falei sobre isso aqui:

https://www.viagemastral.com/forum/index.php?/topic/17075-mediunidade-x-chakras-autor-carlos400/

 

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6 Anos atrás eu morava em um bairro no litoral que era meio quebrada. E tinha varias igrejas evangélicas lá, e muitos amigos e conhecidos realmente ficaram xaropes depois de cair nessa da Bíblia, pois realmente todos tinham algum sentimento de culpa, remorso ou sei la oq. Mas como vc disse, nao dá pra negar que tem la sua utilidade pra eles, pois os caras roubavam, matavam, faziam m******* a rodo, e paravam de fazer tudo isso do nada. Mas ao mesmo tempo criavam um fanatismo e uma baita demencia. Certa vez cheguei na lan house do bairro e tinha um amigo da infância (que sempre foi normal) com as mãos erguidas na frente do computador  com baita submissão e ouvindo um pastor pregando. Tenho vários conhecidos que se enquadram nisso que vc disse. Mas imaginava q era só falta de instrução e  fanatismo mesmo. Nem imaginava que tinha algo mais por trás de tudo isso... bem interessante

 

14 horas atrás, sandrofabres disse:

Mas saber de onde saem essas citacoes biblicas é bom, e para isso basta   comprar uma só com o texto, sem notas,.para conferir essas passagens citadas  em livros espirtias ou esotéricos , o que é diferente de ficar lendo de ponta a ponta e acabar "entrando no pensene" desses grupos

Saquei !!!

vlw 😉

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Em 06/04/2021 at 06:06, sandrofabres disse:

Cada caso é um caso.

Realmente. Acho que depende também um pouco do perfil da pessoa e do quanto de conhecimento exotérico ou espiritualista que a pessoa realmente absorveu. Depende também da abertura e racionalidade. Da capacidade de comparar e de tomar as próprias decisões, acreditar em si mesmo e possuir senso crítico. 

Eu, por exemplo, já li o antigo testamento quase todo e não pirei. Mas eu também confesso que a bíblia não é um texto que me atrai muito. Acho ela muito truncada. Me dá impressão que, em suas inúmeras traduções, sapatearam muito em cima dela. É o contrario do que vejo no bagavad guita ou nos yoga sutras de Patanjali. Esses sim são textos que, logo de cara, fizeram muito sentido pra mim. São obras primas. Tudo se aproveita. Até me impressiono! Já a bíblia eu leio por ser muito citada no ocidente e aí eu quero conhecer pelo menos um pouco mas confesso que nunca vi nada de muito útil nela. No meio de um monte de bla bla blá, até que tem uma ou outra passagem com coisas bem interessantes nela mas tem muita coisa confusa também. Porém, essa é minha opinião em relação ao velho testamento. Já o novo testamento, ainda estou em falta. Nunca fiz uma leitura realmente consistente do novo testamento, só de algumas passagens.

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Em 05/04/2021 at 14:37, mvnobrega disse:

Qual Bíblia é mais recomendada para o estudo da Gnose e quais livros poderiam complementar e ajudar com esse aprendizado ?

Olha, eu não sei dizer ao certo qual bíblia é de fato mais recomendada para estudos gnósticos mas vou deixar aqui uma opção. 

Embora eu não tenha nem folheado, achei interessante uma vez uma recomendação que o Wagner Borges fez de tradução da Bíblia (acho que foi em algum dos vídeos no canal dele no Yotube). Ele recomendou a Bíblia Ecumênica pois ela é fruto do trabalho conjunto de pessoas de diferentes credos (católicos, protestantes e ortodoxos). Abaixo segue um link para um texto que explica melhor o processo de confecção desta Bíblia:

http://www.abiblia.org/ver.php?id=334&id_autor=2&id_utente=&caso=perguntas

Eu achei bastante interessante porque assim fica mais difícil puxar a sardinha demais para um só lado, né? Entretanto, por mais que seja dita "ecumênica", ainda assim os participantes são de um grupo limitado de crenças. Não creio que tenha participado nenhum ocultista, exoterista ou gnóstico embora eu não possa afirmar isso com certeza. De qualquer forma, eu achei a iniciativa interessante. 

Mas... embora eu esteja comentando sobre esta bíblia, não posso afirmar que seja de fato boa pois eu não a possuo e nem nunca tive contato com ela. Talvez no futuro eu adquira um exemplar para conferir. 

 

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PROBLEMAS COM A CÓPIA DOS PRIMITIVOS TEXTOS CRISTÃOS

 

Pelo fato de os textos cristãos primitivos não terem sido copiados por copistas  profissionais, pelo menos nos dois ou três primeiros séculos da igreja, mas  simplesmente pelos membros instruídos das assembléias cristãs, que podiam e queriam desempenhar essa função, podemos esperar especialmente nessas cópias primevas erros comuns em transcrições. 

Sem dúvida, temos fortes evidências de que esse era o caso, dado que elas eram motivo ocasional de queixas por parte de cristãos que liam essas transcrições e tentavam recuperar as palavras originais dos que as escreveram. Por exemplo, Orígenes, um padre da Igreja do século III, uma vez registrou a seguinte queixa acerca das cópias dos Evangelhos de que dispunha:

 

As diferenças entre os manuscritos se tornaram gritantes, ou pela negligência de algum copista ou pela audácia perversa de outros; ou eles descuidam de verificar o que transcreveram ou, no processo de verificação, acrescentam ou apagam trechos, como mais lhes agrade.

 

Orígenes não foi o único a perceber o problema. Seu adversário pagão, Celso, também o notara mais ou menos setenta anos antes. Em sua investida contra o cristianismo e sua literatura, ele criticou asperamente os copistas cristãos pelas transgressões cometidas em suas práticas de cópia:

 

Alguns fiéis, como pessoas embriagadas que se agridem a si mesmas, manipularam o texto original dos Evangelhos três ou quatro vezes, ou até mais, e o alteraram para poderem opor negações às críticas (Contra Celso, 2.27).

 

O que é impressionante nesse caso particular é que Orígenes, quando confrontado com uma acusação externa de uma prática de cópia deficiente entre os cristãos, na realidade nega que os cristãos tenham mudado o texto, a despeito do fato de ele mesmo ter denunciado a circunstância em outros escritos de sua autoria. A única exceção que ele nomeia em sua réplica a Celso envolve vários grupos de hereges, os quais, afirma Orígenes, alteram maliciosamente os textos sagrados.

Já vimos essa acusação contra os hereges que, às vezes, modificavam os textos que copiavam, em vista de torná-los mais de acordo com suas próprias perspectivas, por isso a acusação foi dirigida contra o filósofo-teólogo do século II, Marcião, que apresentou seu cânon escriturístico de onze livros depois de extirpar os trechos que contradiziam a sua noção de que, para Paulo, o Deus do Antigo Testamento não era o Deus verdadeiro.Ireneu, o adversário “ortodoxo” de Marcião, alegava que este fizera o seguinte:

 

Mutilou as epístolas de Paulo, eliminando tudo o que o apóstolo dissera acerca do Deus que criou o mundo, no sentido de que Ele é o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, e ainda as passagens dos escritos proféticos citadas pelo apóstolo com vistas a nos ensinar aquilo que eles anunciaram antes da vinda do Senhor (Contra as heresias, 1.27.2)

 

Marcião não era o único acusado. Tendo vivido aproximadamente na mesma época de Ireneu, um bispo ortodoxo de Corinto chamado Dionísio se lamentava de que falsos crentes tivessem modificado inescrupulosamente escritos de sua autoria, assim como tinham feito com muitos textos sacros.

 

Quando meus companheiros cristãos me convidaram a escrever cartas para eles, eu o fiz. Mas esses apóstolos do demônio as encheram de vícios, eliminando algumas coisas e acrescentando outras. Sejam eles amaldiçoados! Não é, pois, de admirar que alguns dentre eles tenham ousado adulterar a palavra do próprio Senhor, quando conspiraram para mutilar meus tão humildes esforços.

 

Acusações desse tipo contra “hereges” — de que eles alteraram os textos das Escrituras para levá-los a dizer o que queriam fazê-los dizer — são muito frequentes entre os primeiros escritores cristãos. Digno de atenção, contudo, é que estudos recentes mostraram que todas as evidências dos manuscritos remanescentes apontam na direção oposta. Copistas associados à tradição ortodoxa muito frequentemente alteravam os textos, às vezes, para eliminar a possibilidade de serem “mal usados” por cristãos que afirmavam crenças heréticas, outras, para torná-los mais adequados às doutrinas esposadas pelos cristãos de seu próprio grupo.

O verdadeiro perigo de os textos serem modificados, a bel-prazer, por copistas que não aprovassem seu encadeamento também é evidente por outros meios. Temos de lembrar sempre que os copistas dos primeiros escritos cristãos reproduziam seus textos em um mundo no qual não havia não só gráficas ou editoras, como também não havia a lei de proteção aos direitos autorais. Como podiam os autores garantir que seus textos não fossem modificados, uma vez postos em circulação? A resposta curta e grossa é: não podiam. Isso explica por que os autores, por vezes, lançavam maldições sobre alguns copistas que modificavam seus textos sem permissão. Encontramos esse tipo de imprecação já em um escrito cristão primitivo, incluído no Novo Testamento, o livro do Apocalipse, cujo autor, ali pelo fim do texto, profere uma exortação ameaçadora:

 

Eu atesto a todo o que ouvir as palavras da profecia deste livro: se alguém lhes fizer qualquer acréscimo, Deus lhe acrescentará as pragas descritas neste livro. E se alguém tirar qualquer coisa das palavras do livro dessa profecia, Deus lhe retirará a sua parte da árvore da vida e da cidade santa, descritas neste livro (Apocalipse 22:18-19).

 

Não se trata de uma ameaça na qual o leitor tem de aceitar, nem de acreditar em tudo o que está escrito nesse livro de profecia, como se interpreta às vezes. Trata-se muito mais de uma ameaça típica aos copistas do livro; eles é que não devem acrescentar ou remover nenhuma de suas palavras. Imprecações semelhantes podem ser encontradas difusas por toda a série de escritos cristãos primitivos.

Vejamos as severas ameaças enunciadas pelo pesquisador cristão latino, Rufino, em referência a sua tradução de uma das obras de Orígenes:

 

Na presença de Deus Pai, de seu Filho e do Espírito Santo, conjuro e suplico a todo aquele que vá transcrever ou ler esses livros, por sua crença no reino que há de vir, pelo mistério da ressurreição dos mortos e pelo fogo perpétuo preparado para o demônio e seus anjos, que, assim como ele não possuiria por herança eterna o lugar onde há choro e ranger de dentes e onde seu fogo não se apaga e seu espírito não morre, nada acrescente ao que está escrito e dele nada exclua, que não faça inserção ou alteração alguma, antes compare sua própria transcrição com as cópias a partir das quais a fez.

 

Essas ameaças são medonhas — fogo do inferno e enxofre — por simplesmente trocar algumas palavras de um texto. Não obstante, alguns autores estavam absolutamente decididos a assegurar que suas palavras fossem transmitidas intactas, e nenhuma ameaça podia ser séria o bastante quando se tratava de copistas que podiam mudar textos arbitrariamente, num mundo ainda sem leis de proteção ao direito  autoral.

Fonte: O que Jesus disse O que Jesus não disse Quem mudou a bíblia e por quê by Bart D. Ehrman .pdf , pgs70-74

 

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Isso faz total sentido pra mim,  @sandrofabres.

Esse texto que você postou vem bem de encontro com as minhas impressões de minhas leituras do velho testamento. 

A impressão que tenho, é mesmo de um texto truncado que passou por muitas interpretações diferentes pelos diversos copistas pelos quais passou até chegar aos dias atuais. Cada qual querendo puxar mais a sardinha para o seu lado. Tem momentos em que o texto é muito desconexo. 

O fato é que é impossível garantir que o texto que chega hoje até nós é o mesmo que foi escrito por seus autores originais. Mas pior que isso, além dessa questão dos copistas ainda tem a questão das traduções pois tem texto que é a tradução da tradução. Nem tudo que chega pra gente é traduzido diretamente do hebraico antigo.

E tem também a questão das interpretações e do contexto. Pensa comigo: como que uma pessoa nascida hoje ou, sei lá, há 100 anos atrás vai ser capaz de ler um texto de 2000 anos e compreender o contexto tal qual ele foi pensado naquela época? Nosso modo de vida é hoje muito diferente do modo de vida daquelas pessoas de 2000 anos atrás. É possível que palavras empregadas com sentido figurado simplesmente não possam ser interpretadas por alguém que não viveu naquele contexto. Pra quem já tentou aprender outro idioma sabe do que estou falando. Tem coisas que não conseguimos entender direito por não conhecer o contexto de vida daquela cultura. Até que encontremos explicação em outro lugar. Mas isso falando em fontes atuais. Obviamente esse problema tende a ser amplificado pela distância de datas e mudança cultural social. 

É com base nesses raciocínios que eu aconselho a qualquer pessoa que se aventurar a ler a Bíblia, que o faça com discernimento. Pensando por si mesmo. Não interpretando tudo ao pé da letra. Sabendo questionar e mesmo descartar as passagens que não fizerem sentido por não poderem ser bem esclarecidas. Convém não levar a bíblia ao pé da letra e nem confiar cegamente no que está escrito ali. Pois simplesmente não dá pra ter certeza que o que chega até nós hoje é de fato aquilo que quiseram dizer seus autores. 

Aquela conversa de que o que está escrito na Bíblia é a palavra de Deus é coisa de fanático. Aquilo é a palavra do homem que foi interpretada e reinterpretada muitas vezes. Se ainda existe algo de Divino ali, cabe ao leitor separar o joio do trigo, ser racional, não fanatizar e não se perder. 

Acho que, se a pessoa estiver bem preparada e consciente, vai poder extrair coisas boas, caso contrário pode entender coisas distorcidas do texto mais claro e conciso que existir. 

Para o bom entendedor a palavra de Deus está em tudo. Mesmo nas menores situações do cotidiano. Para essa pessoa, não é necessário ler a Bíblia para saber a palavra de Deus.

Até mesmo a ferramenta mais abençoada pode ser usada de forma errada. O martelo foi feito para construir mas é possível utiliza-lo para destruição. 

As palavras são complicadas e imperfeitas. Muitas vezes queremos dizer uma coisa mas percebemos que nosso interlocutor entendeu outra pois existem filtros no que falamos e filtros no que se escuta.

Obviamente a bíblia não foge a este problema. Mas para aquele que for realmente bem intencionado, é possível contornar tais problemas. E, desta forma, certamente será possível extrair coisas boas da Bíblia. Assim como de qualquer outro texto. 

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Por isso eu trato a biblia como um livro de fábulas. Mas isso não desmerece seu valor. Assim como num livro de fábulas é a mensagem geral da historia que importa. E isso não se distorce tao facil. Mas o pessoal que trata como "palavra  de deus" é como alguém que quisesse discutir qual variedade de uva não convém plantar porque tem amadurecimento de difícil detecçao, tal como afirma a fábula da raposa e as uvas, eheeh.  É esse tipo  de coisa que da erro de traducao, como no exemplo de joao batista, que os evangelhos alega mque vivia de gafanhotos e mel, mas depois alguem percebeu que a palavra gafanhoto era a mesma usada para uma frutinha comum naquela regiao. 

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2 horas atrás, sandrofabres disse:

mas depois alguem percebeu que a palavra gafanhoto era a mesma usada para uma frutinha comum naquela regiao. 

Ou seja, o cara era vegetariano.

Eu não conheço mas já ouvi falar que no hebraico antigo as palavras tinham muitos significados completamente distintos entre si e que para o correto entendimento é necessário observar o contexto onde tal palavra aparece. Isso junto ao fato de estarmos falando de uma cultura muito antiga e que não permanece igual hoje faz com que a tarefa de tradução de tais textos seja altamente imaginativa, ou seja, tem hora que o tradutor tem meio que "chutar" o significado. E nesse processo há grandes chances de suas premissas estarem erradas simplesmente pelo fato de que não se pode hoje reproduzir exatamente os mesmos valores daquela época. 

Esse caso da mesma palavra representar gafanhotos e também o nome de uma frutinha não é tão difícil de contextualizar (ainda assim ocorrem erros) mas tem situações que formam expressões idiomáticas onde é necessário um conhecimento muito profundo daquela cultura. Coisa que simplesmente não é mais possível ou,  quando é possível, é muito difícil dependendo de um conhecimento de estudos históricos muito vasto. 

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