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Mediunidade e fenômeno


~João~
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Pessoal, tenho lido várias obras de André Luiz psicografadas por Chico Xavier, e o que posto aqui é um capítulo simplesmente imperdível do livro Missionários da Luz, capítulo o qual diz respeito também à projeção astral. Até minha assinatura foi tirada desse capítulo. Recomendo a leitura do livro. Não se conflitem pela escolha do cristianismo como o meio escolhido de transmissão dessas mensagens elevadas, vale notar que o livro foi escrito em 1945, muito antes do "boom" do pluralismo religioso que se deu basicamente nos anos 60. Desculpem a formatação ruim, copiei e colei de um arquivo pdf.

Missionários da Luz - Capítulo 9 - Mediunidade e fenômeno

Era considerável o número de amigos encarnados, provisoriamente

libertos do corpo físico através do sono, que se congregavam no vasto salão.

Em primeiro lugar, junto da mesa diretora, onde Alexandre assumiu a chefia,

instalaram-se os alunos diretos e permanentes do generoso e sábio instrutor.

Distribuíam-se os demais em turmas sucessivas de segundo plano.

Calculei a assistência de companheiros nessas condições em pouco

mais de cem pessoas, aproximadamente, exceção dos desencarnados que

acorriam até ali em mais vasta expressão. Além do grupo do Irmão Francisco,

que trouxera os tutelados, outras associações da mesma natureza

compareciam com os seus pupilos, interessados em novas instruções.

Observei, porém, uma particularidade: somente os aprendizes

comprometidos com Alexandre podiam relacionar suas dúvidas, pedidos e

indagações, não em sentido verbal, mas através de consultas que eram

previamente transmitidas a ele, antes de iniciar a dissertação.

Atendendo-me a curiosidade, Sertório, que se mantinha a meu lado,

explicou, atencioso:

- Há muitas escolas deste gênero para os encarnados que se dispõem a

aproveitar os momentos de sono físico. É natural que aos discípulos

permanentes, desse ou daquele setor, caiba o direito de interrogar. Como

vemos, não há particularismo. Trata-se de uma questão de ordem dos serviços,

mesmo porque os aprendizes de comparecimento eventual terão direitos

outros, por sua vez, nos núcleos a que pertencem.

Satisfeito, pelo esclarecimento, indaguei:

- Qual o tema da noite? Há programa pré-estabelecido?

- Há sempre plano organizado para o trabalho - respondeu. - Contudo,

os temas são improvisados por Alexandre, depois de receber as indagações e

consultas dos freqüentadores habituais.

O orientador examina, atentamente, as questões suscitadas pela maioria

e fornece instruções de modo a satisfazer igualmente aos assuntos com

minoria de interessados.

- E poderá informar quanto ao tema provocado pela maioria dos

aprendizes, nesta noite?

- Creio que se refere à mediunidade e ao fenômeno, em geral.

Em seguida, o companheiro, por especial gentileza, convidou-me a

integrar, na assembléia, a equipe dos auxiliares do devotado instrutor que

tomara a tribuna, iniciando os serviços educativos.

Mais do que em outras ocasiões, realçava-se-lhe a figura veneranda e

imponente. Irradiando a. luz que lhe era própria. Alexandre dominava a reunião

de trabalhadores e estudantes, não pelo magnetismo absorvente dos oradores

apaixonados, mas pela bondade simples e pela superioridade sem afetação.

Todas as atenções centralizadas nele, começou a explanação com uma

rogativa ao Senhor, suplicando-lhe o dom de compreender o auditório e de ser

por ele compreendido. Era tocante e nova para mim semelhante oração,

inteiramente espiritual e sem o mínimo laivo de personalismo. Todavia, quanto

mais procurava impessoalizar-se, afirmando-se mero instrumento da Vontade

Divina, mais destacado se tornava o orientador aos meus olhos, como

verdadeiro expoente de sabedoria, humildade, prudência, fidelidade, confiança 52

e luz.

Finda a oração comovedora, começou a falar, dirigindo-se aos ouvintes

com palavras firmes e diretas:

- Irmãos, prosseguindo em nossos trabalhos, comentaremos hoje vossos

pedidos de orientação mediúnica, em face das dificuldades que se vos

apresentam na luta de cada dia e que classificais como impedimentos de

natureza psíquico-fisiológica.

Desejais realizações generosas nos domínios da revelação superior,

sonhais conquistas gloriosas e realizações sublimes; entretanto, há que corrigir

vossas atitudes mentais diante da vida humana. Como intentar construções

sem bases legítimas, atingir os fins sem atender aos princípios? Não se reduz

a fé a simples amontoado de promessas brilhantes, e o conjunto de ansiedades

angustiosas que vos possui os corações, de modo algum poderia significar a

realização espiritual propriamente dita.

A edificação do reino interior com a luz divina reclama trabalho

persistente e sereno. Não será tão somente ao preço de palavras que

erguereis os templos da fé viva. Como acontece a comezinhos serviços de

natureza terrestre, é imprescindível a escolha de material, esforços de

aquisição, planos deliberados previamente, aplicação necessária,

experimentação de solidez, demonstrações de equilíbrio, firmeza de linhas,

harmonia de conjunto e primores de acabamento.

Alexandre fez ligeira pausa, fixou atentamente a assembléia, como se

estivesse a transmitir-lhe ondas vigorosas de magnetismo criador, e

prosseguiu:

- Reúnem-se aqui muitos irmãos que pretendem desenvolver as

percepções mediúnicas; entretanto, aguardam simples expressões

fenomênicas, supondo erroneamente que as forças espirituais permanecem

circunscritas a puro mecanismo de forças cegas e fatais, sem qualquer

ascendente de preparação, disciplina e construtividade. Requerem a

clarividência, a clariaudiência, o serviço completo de intercâmbio com os

planos mais elevados; no entanto, terão aprendido a ver, a ouvir e, sobretudo,

a servir, na esfera de trabalho cotidiano?

Terão dominado todos os impulsos inferiores, para se colocarem no

rumo das regiões superiores? Poderá o feto caminhar e falar no plano físico?

Deveríamos conferir à criança de cinco anos direitos cabíveis ao adulto

de meio século? Se as leis humanas, ainda transitórias e imperfeitas, traçam

linhas de controle aos incapazes, estariam as leis divinas, imutáveis e eternas,

à mercê dos desordenados desejos da criatura? O. meus amigos, sem dúvida,

há muitos gêneros e processos mediúnicos em função no mundo das formas

em que viveis!

Urge, porém, estimar o trabalho antes do repouso, aceitar o dever sem

exigências, desenvolver as tarefas aparentemente pequeninas, antes de vos

inquietardes pelas grandes obras, e colocar os desígnios do Senhor acima de

todas as preocupações individuais! Urge fugir da apropriação indébita no

comércio com as forças invisíveis, furtar-se ao encantamento temporário e à

obsessão sutil e perversa! Coletivamente, não somos duas raças antagônicas

ou dois grandes exércitos, rigorosamente separados através das linhas da vida

e da morte, e, sim, a grande e infinita comunidade dos vivos, tão somente

diferenciados uns dos outros pelos impositivos da vibração, mas quase sempre

unidos para a mesma tarefa de redenção final! Não julgueis que a morte da 53

forma santifique o ser que a habitou! Se o raio de sol não se contamina ao

contacto do pântano, também o doente rebelde é o mesmo enfermo se apenas

troca de residência. O corpo físico representa apenas o vaso em uso, durante

algum tempo, e o vaso quebrado não significa redenção ou elevação do seu

temporário possuidor. Recorremos a semelhante imagem para dizer-vos que o

habitante da esfera, atualmente invisível aos vossos olhos, é um irmão nem

sempre superior a vós outros, nos círculos evolutivos. Desencarnação não

expressa santificação. Os companheiros que vos antecedem no plano espiritual

não permanecem reunidos em aprendizagem muito diferente. Os elétrons e

fótons que vos constituem a vestimenta física integram, igualmente, os nossos

veículos de manifestação, em outras características vibratórias. E. necessário,

portanto, atentardes para as vossas possibilidades interiores, para as

maravilhas de vossa divindade potencial.

Em vossos desejos insopitáveis de intercâmbio com o Invisível,

naturalmente anelais a aproximação da sociedade celeste. Esperais a

revelação da verdade divina, a par de elementos insofismáveis de certeza

tranqüila; entretanto, para isso, é indispensável organizar e desenvolver vossos

valores celestes, como criaturas celestiais que verdadeiramente sois. Todo um

exército de trabalhadores do Cristo funciona em cada núcleo de vossas

atividades relativas à espiritualização, convocando-vos ao sentimento

iluminado, à virtude ativa, ao departamento superior da vida íntima; todavia, é

ainda muito forte a vossa tendência de materializar todas as expressões do

espírito, esquecidos de espiritualizar a matéria. Solicitais a luz, quase sempre

perseverando nas sombras; reclamais felicidade, semeando sofrimentos; pedis

amor, incentivando a separação; buscais a fé, duvidando até de vós mesmos.

A possibilidade de comerciar emoções com as esferas invisíveis que vos

rodeiam não representa, de modo algum, a realização espiritual imprescindível

à edificação divina de cada um de nós, porque o problema da glória mediúnica

não consiste em ser instrumento de determinadas Inteligências, mas em ser

instrumento fiel da Divindade. Para que a alma encarnada efetue semelhante

conquista é indispensável desenvolva os seus próprios princípios divinos. A

bolota é o carvalho potencial. O punhado de sementes minúsculas é o trigal de

amanhã. O gérmen insignificante será, em breves dias, a ave poderosa

cortando amplidões.

Alexandre estava cada vez mais empolgante e belo. Do alto, jorravamlhe sobre a fronte fios irisados de brilhante luz.

- Mediunidade - prosseguiu ele, arrebatando-nos os corações - constitui

"meio de comunicação", e o próprio Jesus nos afirma: "eu sou a porta... Se

alguém entrar por mim será salvo e entrará, sairá e achará pastagens!” Por que

audácia incompreensível imaginais a realização sublime sem vos afeiçoardes

ao Espírito de Verdade, que é o próprio Senhor? Ouvi-me, irmãos meus!... Se

vos dispondes ao serviço divino, não há outro caminho senão Ele, que detém a

infinita luz da verdade e a fonte inesgotável da vida! Não existe outra porta para

a medi unidade celeste, para o acesso ao equilíbrio divino que anelais no

recôndito santuário do coração! Somente através d'Ele, vivendo-lhe as

sublimes lições, alcançareis a sagrada liberdade de entrar nos domínios da

Espiritualidade e deles sair, conquistando o pão eterno que vos saciará a fome

para sempre. Sem o Cristo, a mediunidade é simples "meio de comunicação" e

nada mais, mera possibilidade de informação, como tantas outras, da qual

poderão assenhorear-se também os interessados em perturbações, 54

multiplicando presas infelizes. Lembrai-vos, contudo, de que a lei divina jamais

endossou o cativeiro e nunca sancionou a escravidão! Esquecestes a palavra

divina que pronunciou: <> ?

Ao enunciar esta última frase, o orientador assumira atitude muito

diversa. Pareceu-me que em pleno tórax acendera-se-lhe sublime luz,

levemente anilada, luz que nos enviava, a todos, raios de inexprimível alegria.

Seus cabelos semelhavam-se agora a fios de sol de safirina expressão. O olhar

tomara-se-lhe mais sublime e profundo. E muitos de nós, desencarnados e

encarnados, choramos de agradecimento e júbilo, tocados de inexplicável

emoção.

Após ligeiro intervalo, continuou o amoroso e sábio instrutor:

- Ó meus amigos, a persistência na condição de animalidade vos

perturba! Sois a coroa espiritual da face da Terra, pela razão com que fostes

galardoados pelo Senhor do Universo. O facho esplendoroso do raciocínio

clareia o santuário de vossas consciências, o sublime vos convida ao "mais

além", irmãos mais velhos vos convocam ao convívio do Pai; no entanto,

buscais demorar voluntariamente na fauna da irracionalidade primitiva. No

campo vibratório da mente humana. Sente-se ainda o veneno das víboras

ingratas, o instinto dos lobos famulentos, as ciladas das raposas, o impulso

sanguinário dos tigres vorazes, a vaidade e o orgulho dos leões. Não acrediteis

que semelhantes atributos sejam característicos do corpo mortal simplesmente.

São qualidades que o Espírito conserva em si, olvidando os patrimônios

divinos. Ora, a morte física surpreende as criaturas na atitude que cultivaram.

Modificam-se os planos de vibração, mas a essência espiritual é sempre a

mesma. Daí o emaranhado de manifestações inferiores nas esferas mediúnicas

de vossas atividades. Em muitas ocasiões, ao invés de cultivardes as

qualidades positivas de realização com Jesus, permaneceis no fomento de

interesses mesquinhos da concorrência humana aos centros passageiros de

pura sensação. Tomados de enormes equívocos, nos círculos do

desenvolvimento medianímico, acreditais seja possível vencer o domínio

pesado das vibrações grosseiras, cristalizadas pela viciação de muitos séculos,

tão somente à força de movimentação mecânica das células materiais. Sem

qualquer preparação intentais a travessia das fronteiras vibratórias, invocando

as potências invisíveis de qualquer natureza, para o adestramento de forças

psíquicas, qual homem leviano que exigisse orientadores, ao acaso, em plena

multidão, esquecido de que nem todos os transeuntes da via pública

permanecem em condições de beneficiar, orientar e ensinar. Se as máquinas

mais simples da Terra pedem o curso preparatório do operário, para que o

setor da produção não desmereça em qualidade e quantidade, como esperais

que a mediunidade sublime se reduza a serviços automáticos, a puras

manifestações de mecanismo fisiológico, indene de educação e

responsabilidade? Sempre será possível abrir meios de comunicação entre vós

outros e os planos que vos são invisíveis, mas não esqueçais de que as

afinidades são leis fatais de reunião e integração nos reinos infinitos do

Espírito! Sem os valores da preparação, encontrareis irremediavelmente a

companhia dos que fogem aos processos educativos do Senhor; e sem as

bênçãos da responsabilidade encontrareis logicamente os irresponsáveis.

Objetareis que o fenômeno é indispensável no campo experimental das

conquistas científicas, que o inabitual deve ser convocado a favorecer novas

convicções; entretanto, somos dos primeiros a reconhecer que os vossos

caminhos na Crosta se desdobram entre fenômenos maravilhosos. Já

resolvestes, acaso, o mistério da integração do hidrogênio e do oxigênio na

gota d'água? Explicastes todo o segredo da respiração dos vegetais? Por que

disposição da natureza viceja a cicuta que mata, ao lado do trigo que alimenta?

Que dizeis da haste espinhosa: Da Terra oferecendo a flor, como graciosa taça

de perfume celeste? Solucionastes todos os problemas biológicos das formas

físicas que povoam o Planeta, nas diversas espécies? Qual é a vossa definição

do raio de sol? Vistes, alguma vez, o eixo imaginário que sustenta o equilíbrio

do mundo? Se semelhantes fenômenos, de caráter permanente na Crosta, não

despertam as almas adormecidas, fornecendo-lhes a legítima concepção da

existência de Deus, como esperais destruir a rebeldia milenária dos homens,

exigindo espetáculos prematuros de manifestações da Espiritualidade

superior? Não, meus amigos! Urge abandonar os setores de ruído externo para

iniciardes o desenvolvimento interior das faculdades divinas! A paixão do

fenômeno pode ser tão viciosa e destruidora para a alma, como a do álcool que

embriaga e aniquila os centros da vida física! Vosso jogo de hipóteses, na

maioria das circunstâncias, não passa de dança macabra dos raciocínios,

fugindo às realidades universais e adiando, indefinidamente, a edificação real

do espírito! Concordamos convosco em que a experimentação é necessária;

que a pesquisa intelectual é o ponto de partida dos grandes empreendimentos

evolutivos; que a curiosidade respeitável é mãe da ciência realizadora; que

todo e qualquer processo de conhecimento exige campo de observação e

trabalho, como é imprescindível o material didático, nas escolas mais simples.

Entretanto, urge reconhecer que os elementos de aprendizagem não devem

ser convertidos pelo aluno em meras expressões de brinquedo ou

entretenimento. Além disso, ainda que os aprendizes se esclareçam,

relativamente às lições, é forçoso observar que a informação não é tudo,

porqüanto o esclarecimento, educativo é apenas parte do aprendizado. Que

dizer dos discípulos que estudam sempre, sem jamais aprenderem no terreno

das aplicações legitimas? Que dizer dos companheiros, portadores de luzes

verbais para os outros, que nunca se iluminam a si mesmos? Catalogar valores

não significa vivê-los. Ensinar o caminho a viajores, não demonstra

conhecimento direto e pessoal da jornada. Há excelentes estatísticos que

nunca visitaram as fontes originais de seus recursos informativos, e eminentes

geógrafos que raramente saem do lar. Referimo-nos a semelhantes imagens

para fazer-vos sentir que, se é possível manter atitudes dessa ordem, no

campo limitado da curta existência na Crosta, não se pode fazer o mesmo no

reino infinito da vida espiritual, em cujos círculos viveis desde agora, apesar da

vossa condição de criaturas ligadas aos veículos inferiores. Mediunidade não é

disposição da carne transitória e sim expressão do Espírito imortal.

Naturalmente, o intercâmbio aprimorado, entre os dois planos, requere sadias

condições do vaso sagrado de possibilidades fisiológicas que o Senhor vos

confiou para santificação; todavia, o corpo é instrumento elevado nas mãos do

artista, que deve ser divino. Se aspirais ao desenvolvimento superior,

abandonai os planos inferiores. Se pretendeis o intercâmbio com os sábios,

crescei no conhecimento, valorizai as experiências, intensificai as luzes do

raciocínio! Se aguardais a companhia sublime dos santos, santificai-vos na luta

de cada dia, porque as entidades angélicas não se mantêm insuladas nos

júbilos celestes e trabalham também pelo aperfeiçoamento do mundo,

esperando a vossa angelização! Se desejais a presença dos bons, tornai-vos 56

bondosos por vossa vez! Sem afabilidade e doçura, sem compreensão fraternal

e sem atitudes edificantes, não podereis entender os Espíritos afáveis e

amigos, elevados e construtivos. Se não seria razoável encontrar Platão

ensinando filosofia avançada a tribos selvagens e primitivas, nem Francisco de

Assis operando com salteadores, não será admissível a integração dos

Espíritos esclarecidos e santificados com as almas rigorosamente agarradas às

manifestações mais baixas e grosseiras da existência carnal. Em vossas

atividades espiritualistas, lembrai-vos de que não vos encontrais perante uma

doutrina sectária de homens em trânsito no Planeta! Permaneceis num

movimento divino e mundial, de libertação das consciências, numa revelação

sublime da vida eterna e de valores imortais para todas as criaturas de boa

vontade! Acolhendo essa convicção, não vos detenhais na atitude exclusiva e

presunçosa dos que supõem haver encontrado na mediunidade tão - somente

um sexto sentido! O valor mediúnico não é dom de privilegiados, é qualidade

comum a todos os homens demandando a boa vontade sincera no terreno da

elevação. Por agora, é inegável que necessitamos das grandes tarefas

estimuladoras, em que determinados companheiros encarnados são

convocados aos grandes testemunhos nesse setor do esclarecimento coletivo,

na disseminação da fé positiva e edificante; mas o futuro nos revelará que o

serviço dessa natureza pertence a todas as criaturas, porque todos nós somos

Espíritos imortais. Não alimenteis qualquer dúvida! Não permitais que o padrão

vibratório das forças físicas vos apague a luz gloriosa da divina certeza deste

momento, porque todos nós, amados amigos, nos encontramos diante da

própria Espiritualidade sem fim, renovando energias viciadas de séculos

consecutivos, a caminho de transformações que mal poderíeis imaginar, nos

círculos de vosso presente evolutivo! Elevemo-nos, pois, no espírito do Senhor,

que nos convidou ao banquete da luz, desde hoje! Levantemo-nos para o

porvir, não no sentido de menosprezar a Terra, mas no propósito de

aperfeiçoar as nossas qualidades individuais, para sermos verdadeiramente

úteis às suas realizações que hão de vir! Entreamemo-nos intensamente,

realizando os preceitos evangélicos e edifiquemo-nos, cada dia, erguendo-nos

para a redenção final.

E, concluindo a formosa dissertação da noite, Alexandre rematou, depois

de longa pausa, apelando sentidamente:

- Unamo-nos todos no compromisso sagrado de cooperação legítima

com Jesus!

Se o braço humano modifica a estrutura geológica do Planeta, rasgando

caminhos novos, construindo cidades magníficas e proporcionando fisionomia

diferente ao curso das águas da Terra, intensifiquemos nosso esforço

espiritual, renovando as disposições milenárias do pensamento animalizado do

mundo, construindo estradas sólidas para a fraternidade legítima,

concretizando as obras de elevação dos sentimentos e dos raciocínios das

criaturas e formando bases cristãs que santifiquem o curso das relações entre

os homens!

Não provoqueis o desenvolvimento prematuro de vossas faculdades

psíquicas! Ver sem compreender ou ouvir sem discernir pode ocasionar

desastres vultosos ao coração. Buscai, acima de tudo, progredir na virtude e

aprimorar sentimentos. Acentuai o próprio equilíbrio e o Senhor vos abrirá a

porta dos novos conhecimentos!

Se o desejo de transformar o próximo atormentar-vos a alma, lembrai-57

vos de que há mil modos de auxiliar sem impor, e que somente depois do fruto

amadurecido há provisão de sementes com que atender às necessidades de

outros núcleos da semeadura!

Desligai-vos do excessivo verbalismo sem obras! Não vos falo aqui tão -

somente das obras do bem, exteriorizadas no plano físico, mas, muito

particularmente, das construções silenciosas da renúncia, do trabalho de cada

dia no entendimento de Jesus Cristo, da paciência, da esperança, do perdão,

que se efetuam portas adentro da alma, no grande país de nossas experiências

interiores!

Em todos os labores terrestres, transformai-vos na Vontade de Nosso

Pai! E em vossos serviços de fé, não intenteis fazer baixar até Vós os Espíritos

superiores, mas aprendei a subir até eles, conscientes de que os caminhos de

intercâmbio são os mesmos para todos e mais vale elevar o coração para

receber o infinito bem, que exigir o sacrifício dos benfeitores!...

Jamais quebreis o fio de luz que nos liga, individualmente, ao Espírito

Divino! Não permitais que o egoísmo e a vaidade, os apetites inferiores e as

tiranias do «eu» vos empanem a faculdade de refletir a Divina Luz. Recordai

que em nossa capacidade de servir, e em nossas posições de trabalho,

estamos para. Deus como as pedras preciosas da Terra estão para o Sol

criador - quanto mais nobre a pureza da pedra, mais possibilidade apresenta

para refletir o brilho solar!

Colocai as expressões fenomênicas de vossos trabalhos em segundo

plano, lembrando sempre de que o Espírito é tudo!

Nesse instante. Alexandre silenciou, mantendo-se. Então, em muda

rogativa. Admirado. Comovido, notei que o generoso instrutor se transfigurava,

ali, aos nossos olhos. Pela primeira vez, depois de meu retorno ao novo plano,

observava acontecimento tão singular. Suas vestes tornaram-se de neve

radiosa, sua fronte emitia intensa luz e de suas mãos estendidas evolavam-se

raios brilhantes que, caindo sobre nós, pareciam infundir-nos estranho

encantamento. Profunda emoção dominou-me o íntimo e quase todos nós, sem

definir a causa daquelas divinas vibrações, chorávamos de alegria, contendo o

peito opresso de júbilo inesperado.

Depois de alguns momentos de êxtase sublime, vi que Sertório

compreendera a minha perplexidade.

É verdade que, por várias vezes, eu presenciara a oração de entidades

elevadas, oração que se fazia acompanhar sempre dos mais belos fenômenos

de luz, mas nunca observara, dantes, semelhante transfiguração!

Tocando-me o braço, de leve, o companheiro acentuou:

- Todas as potências de natureza superior congregaram-se em torno de

Alexandre, neste momento, transformando-o em intermediário de dádivas para

nós. É por isso que ele irradia e resplandece com tamanha intensidade.

Compreendi a beleza da cena e a sublimidade da lição.

Decorridos alguns segundos, o grande orientador, retomando o seu

aspecto habitual, elevava uma prece de reconhecimento ao Senhor e

encerrava alegremente a divina reunião.

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