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Duvida sobre livre arbitrio


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Estava assistindo um video sobre o Chico Xavier, e então eles falaram sobre aquilo que o emmanuel havia dito para ele que ele ia desencarnar no dia que todo o brasil estivesse feliz, porem, se existe o livre arbitro, quer dizer que o destino nao existe,se é que estou pensando certo, e se nao existe destino, como é que emmanuel sabia que o brasil estaria feliz, no dia da desencarnaçao do Chico Xavier?

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Estava assistindo um video sobre o Chico Xavier, e então eles falaram sobre aquilo que o emmanuel havia dito para ele que ele ia desencarnar no dia que todo o brasil estivesse feliz, porem, se existe o livre arbitro, quer dizer que o destino nao existe,se é que estou pensando certo, e se nao existe destino, como é que emmanuel sabia que o brasil estaria feliz, no dia da desencarnaçao do Chico Xavier?

Guilherme dúvida interessante, o livre arbítrio existe, nós escolhemos como queremos viver, como queremos aprender, como queremos evoluir. A diferença é que muitos de nós, diria que a maioria não é capaz de evitar a morte física. Todos temos uma programação a seguir, e isso fazemos antes de vir a este plano, então antes de colocarmos o pé nessa dimensão mais densa já sabemos o que vai nos esperar, isto inclui o desencarne. Se isso fere o livro arbítrio? Creio que não, já que é escolha nossa, não é. Cada um colhe o que planta, já ouviu este ditado.

Paz e Luz.

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Estava assistindo um video sobre o Chico Xavier, e então eles falaram sobre aquilo que o emmanuel havia dito para ele que ele ia desencarnar no dia que todo o brasil estivesse feliz, porem, se existe o livre arbitro, quer dizer que o destino nao existe,se é que estou pensando certo, e se nao existe destino, como é que emmanuel sabia que o brasil estaria feliz, no dia da desencarnaçao do Chico Xavier?

Encontrei respaldo disto na Doutrina Espírita:

243. E o futuro, os Espíritos o conhecem?

“Ainda isto depende da elevação que tenham conquistado. Muitas vezes, apenas o

entrevêem, porém nem sempre lhes é permitido revelá-lo. Quando o vêem, parece-lhes

presente. À medida que se aproxima de Deus,tanto mais claramente o Espírito descortina o futuro. Depois da morte, a alma vê e apreende num golpe de vista suas passadas migrações, mas não pode ver o que Deus lhe reserva.

Para que tal aconteça, preciso é que, ao cabo de múltiplas existências, se haja integrado

nele."

Ou seja, os espíritos conhecem o futuro na medida de sua elevação, tendo Deus total conhecimento dele.

Agora, o conflito dessa questão do futuro com o livre arbítrio, eu não sei lhe explicar rsrs.

abç!

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Problema 1: Se Deus conhece o nosso futuro, como teríamos livre-arbítrio?

Problema 2: Se nós temos livre-arbítrio, como disse o colega acima, como deus saberia da imprevisibilidade, essência do livre-arbítrio? O que levaria a duas situações (talvez mais):

- deus não saberia, logo, quebraria o status de onisciente e onipotente dele e, portanto, sua palavra seria falseada, ou seja, mais um mito tomando seu lugar na história.

- deus saberia da mesma forma, o que tornaria o livre-arbítrio uma ilusão, logo, deus teria mentido ao dizer que daria o livre-arbítrio ao ser humano, o que também o falsearia já que ele é a "verdade". Pela bíblia, essa segunda questão é mais adequada, já que deus se arrepende, entristece, fica com ciúmes, furioso, esperançoso etc. Sentimentos típicos de quem não sabe nem o dia de amanhã, o que bateria na primeira situação e ficaríamos nisso infinitamente.

Para debater sobre livre-arbítrio seria necessário ter uma conjunto de premissas válidas, não contraditórias. O que leva a conclusão de que misturar o deus cristão e livre-arbítrio não é algo produtivo para a discussão.

Ao invés de fazer referência a um deus, poderíamos fazer referência ao extrafísico e aos amparadores que ajudam a criar a linha de objetivos para uma vida (programação existencial), se não me engano, um colega também citou algo assim. Sob esse contexto, falar sobre livre-arbítrio faria sentido, pois não estaríamos falando de onisciência, mas sim de planejamento da próxima vida, o que faz toda a diferença.

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Não precisa de muito pra perceber que esse é um tema complexo :D .

Mas, acho que estamos preocupando-nos com uma causa anti-finalística, vendo o sentido errado da coisa.

Baseio-me agora, em uma frase de Emmanuel: "todos estamos, inexoravelmente, a caminho do bem."

Ou seja - com respaldo na Doutrina Espírita - todos (TODOS) os espíritos irão chegar à perfeição, sendo em tempos diferentes e em velocidades diferentes.

Deus, na sua perfeição e onipotência, sabe disso, sabendo portanto o futuro de suas criaturas, os planos para cada uma delas.

Ué, mas nem sempre esses planos dão certo?

É aí que entra o livre-arbítrio. Deus planeja para nós as chamadas "provas" e "expiações", sendo o cumprimento delas por nossa conta, podendo ser interrompido pela vossa vontade.

Quando isso ocorre, Deus prepara outros planos, que uma hora irão resultar no avanço e na futura perfeição, fazendo com que seu futuro fosse certo.

Quanto ao dia da Copa e etc... Acredito que fatos coletivos são sim previstos... a exemplo de um livro (não me lembro qual) que Chico diz que a guerra vai ocorrer dez anos dela acontecer.

Fatos como esse (mesmo os "sem importância" como a copa), sendo coletivos, guiam a sociedade para outros rumos, guiando a elevação do planeta.

Bem, fica aí minha teoria, esse caso é muito interessante, aguardo as argumentações rsrs.

abç!

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Ué, mas nem sempre esses planos dão certo?

É aí que entra o livre-arbítrio. Deus planeja para nós as chamadas "provas" e "expiações", sendo o cumprimento delas por nossa conta, podendo ser interrompido pela vossa vontade.

Quando isso ocorre, Deus prepara outros planos, que uma hora irão resultar no avanço e na futura perfeição, fazendo com que seu futuro fosse certo.

Se deus sabe de tudo, como você disse, ele saberia que a pessoa iria falhar em tais e tais testes ou "expiações", logo, já teria outros planos feitos, o que implica na não-existência do livre-arbítrio e sim num "tira-teima" sádico, em outras palavras, vou jogar meu filho/criatura (que não sabe nadar) no rio e esperar para ver o que vai acontecer. Percebe que se mudar os atores o contexto fica claro?

No entanto, se ele tivesse de preparar outros planos, não seria onisciente pois não saberia o resultado dos testes e isso acabaria com a "perfeição" do deus "onitudo". Entendeu?

Não rebati as outras sentenças pois não constituem argumentos e sim doutrina.

No caso da copa, também compartilho de uma visão de grupocarma e policarma (nação brasileira), mas esse não é o tema em enfoque.

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Se deus sabe de tudo, como você disse, ele saberia que a pessoa iria falhar em tais e tais testes ou "expiações", logo, já teria outros planos feitos, o que implica na não-existência do livre-arbítrio e sim num "tira-teima" sádico, em outras palavras, vou jogar meu filho/criatura (que não sabe nadar) no rio e esperar para ver o que vai acontecer. Percebe que se mudar os atores o contexto fica claro?

119. Não podia Deus isentar os Espíritos das provas que lhes cumpre sofrer para

chegarem à primeira ordem?

“Se Deus os houvesse criado perfeitos, nenhum mérito teriam para gozar dos

benefícios dessa perfeição. Onde estaria o merecimento sem a luta? Demais, a desigualdade

entre eles existente é necessária às suas personalidades. Acresce ainda que as missões que

desempenham nos diferentes graus da escala estão nos desígnios da Providência, para a

harmonia do Universo.”

Pois que, na vida social, todos os homens podem chegar às mais altas funções, seria

o caso de perguntar-se por que o soberano de um país não faz de cada um de seus soldados

um general; por que todos os empregados subalternos não são funcionários superiores; por

que todos os colegiais não são mestres. Ora, entre a vida social e a espiritual há esta

diferença: enquanto que a primeira é limitada e nem sempre permite que o homem suba

todos os seus degraus, a segunda é indefinida e a todos oferece a possibilidade de se

elevarem ao grau supremo

Se Deus sabe que falharemos inexoravelmente, ou não, como diz a Doutrina Espírita: "só Deus o sabe" :lol:

Ou seja, não é um "tira-teima sádico". Trata-se de uma questão de mérito... para chegar às escalas mais altas e gozar de seus benefícios, o espírito tem de passar pelos degraus da perfeição, passando pelas provas e expiações NECESSÁRIAS para seu crescimento.

Se ele vai cumprir as provas ou não, isso é da opção dele ou da sociedade. Na falha desta, Deus imediatamente arranja outros meios para elevar sua criação.

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No caso da copa, também compartilho de uma visão de grupocarma e policarma (nação brasileira), mas esse não é o tema em enfoque.

Ah, e permita-me dizê-lo que esse é sim o tema em enfoque.

O tópico fala de previsões de eventos coletivos, e sua influência do livre arbítrio. Logo, a explicação tem tudo a ver com o entendimento do livre arbítrio.

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Bom Elopes, ao afirmar isso você automaticamente afirma que deus sabe de tudo, mas precisa replanejar (o que por si só é um paradoxo), enfim, deus sabe que, nós, espíritos, precisamos crescer, então ele manipula por uma suposta necessidade (que ele mesmo atribui, seguindo a doutrina) até dar o resultado que ele quer. Logo, não existe livre-arbítrio.

Entenda que de qualquer forma (não estou forçando argumento), a lógica do deus cristão (nesse aspecto) vai esbarrar em pelo menos 1 problema fundamental: Onipotência x livre-arbítrio. Fundamentalmente, é impossível ligar esses dois conceitos.

Por exemplo: Se deus é onipotente, e com isso também digo que ele é ciente de todas as coisas porque ele "pode", por que ele precisa atribuir testes ou expiações? Não seria mais lógico e simples ele querer que todos fiquem evoluídos? Se deus é realmente onipotente, qual a dificuldade nisso? Se você disser que ele faz isso porque além de poder ele quer ver as criaturas evoluindo por si só, ele é sádico.

Voltamos ao exemplo do pai que jogou o filho no rio:

O pai da criança, sabendo que o filho precisa apenas chegar à outra margem do rio joga a criança para que ela, por si só, chegue lá com seu esforço, entretanto, o pai tem o poder de simplesmente colocar esse filho, em segurança, do outro lado da margem ou até mesmo de dar conhecimento para que ele nade rapidamente e alcance a margem e ambos (pai e filho) possam continuar juntos (como iguais). Por que ele não o faz? Pensei em várias respostas, mas a que mais se encaixa é o sadismo.

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Por exemplo: Se deus é onipotente, e com isso também digo que ele é ciente de todas as coisas porque ele "pode", por que ele precisa atribuir testes ou expiações? Não seria mais lógico e simples ele querer que todos fiquem evoluídos? Se deus é realmente onipotente, qual a dificuldade nisso? Se você disser que ele faz isso porque além de poder ele quer ver as criaturas evoluindo por si só, ele é sádico.

Voltamos ao exemplo do pai que jogou o filho no rio:

O pai da criança, sabendo que o filho precisa apenas chegar à outra margem do rio joga a criança para que ela, por si só, chegue lá com seu esforço, entretanto, o pai tem o poder de simplesmente colocar esse filho, em segurança, do outro lado da margem ou até mesmo de dar conhecimento para que ele nade rapidamente e alcance a margem e ambos (pai e filho) possam continuar juntos (como iguais). Por que ele não o faz? Pensei em várias respostas, mas a que mais se encaixa é o sadismo.

Simplifiquemos a questão: você, agora, neste momento. Pode escolher fazer tudo o que quiser, com as suas respectivas consequências. O nome disto é livre-arbítrio.

A vida não nos faz atravessarmos o rio de forma gratuita, temos de trabalhar para chegarmos lá com o seu esforço... a vida é sádica? Não, de forma alguma.

Por exemplo: Se deus é onipotente, e com isso também digo que ele é ciente de todas as coisas porque ele "pode", por que ele precisa atribuir testes ou expiações? Não seria mais lógico e simples ele querer que todos fiquem evoluídos? Se deus é realmente onipotente, qual a dificuldade nisso? Se você disser que ele faz isso porque além de poder ele quer ver as criaturas evoluindo por si só, ele é sádico.

Concordo, mas você sabe muito bem que as coisas não funcionam assim, e que TEMOS que passar por provas/expiações para evoluirmos.

Ademais, permita-me elucidar o conceito de sádico - pois percebo que o está utilizando para classificar diversas situações diferentes - a fim de uma terminação gramatical e argumental mais correta:

Sádico

"Significado: Aquele que sente prazer ao fazer outra pessoa sofrer.

Mau, bárbaro, cruel."

Se sofremos, a culpa não é de Deus, e sim de nossas imperfeições.

O orgulhoso sofre com seu orgulho.

O invejoso sofre com sua inveja.

É a pura causa da ação e reação.

Ademais, dizer que Deus compraze-se e sente prazer com o nosso sofrimento é um disparate.

Necessito de uma base argumentativa real de sua parte a respeito do livre-arbítrio pseudo, pois classificar tudo como uma questão de prazer na dor não nos vai levar a um avanço.

Abraço!

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Se você disser que ele faz isso porque além de poder ele quer ver as criaturas evoluindo por si só, ele é sádico.

Há situações onde um pai deixa o filho caminhar por si só (a exemplo de quando o filho faz um intercâmbio)... o pai é sádico por isso?

Termino meu raciocínio com sua própria frase: "Percebe que se mudar os atores o contexto - ou sua distorção - fica claro?"

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Se sofremos, a culpa não é de Deus, e sim de nossas imperfeições.

O orgulhoso sofre com seu orgulho.

O invejoso sofre com sua inveja.

É a pura causa da ação e reação.

Ademais, dizer que Deus compraze-se e sente prazer com o nosso sofrimento é um disparate.

Necessito de uma base argumentativa real de sua parte a respeito do livre-arbítrio pseudo, pois classificar tudo como uma questão de prazer na dor não nos vai levar a um avanço.

Ego senhores, e não falo do Ego de Deus, mas do nosso. Sim ele sabe tudo e pode tudo, mas por sua benevolência e não sadismo nos permite aprender por si só, mas sem nos negar auxilio quando necessário.

O livre-arbítrio implica nos nossos Karmas ou Darmas, ou seja, ele nos dá duas escolhas, a dor ou o amor, e todas as duas nos levam a ele, a perfeição. Se escolhemos a mais longa ou a mais curta, a que tem mais espinhos ou que tem mais flores, aí é com a gente.

Paz e Luz.

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Por conclusão, e apoio de todos, concluo meu raciocínio:

Deus sabe do futuro - não se vamos falhar ou não - mas que no fim, evoluiremos.

Ou seja, não importa as batalhas que perderemos, ele sabe que ao fim todos ganharemos a guerra, se é que me entenderam.

Portanto, ele nos propõe a missão, e, se falharemos ou não, fica por nossa conta. A questão é que um dia não falharemos, evoluiremos e o futuro estará cumprido.

Quanto a questão de Deus nos isentar do sofrimento - o que não acontece na vida real - releia a questão 119 do Livro dos Espíritos, que eu coloquei acima.

Abç, e obrigado por levar essa discussão com respeito, coisa que nem sempre ocorre por aqui. Parabéns a todos por essa maturidade.

Boa noite a vocês.

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Simplifiquemos a questão: você, agora, neste momento. Pode escolher fazer tudo o que quiser, com as suas respectivas consequências. O nome disto é livre-arbítrio.

É livre-arbítrio até o ponto que ninguém saiba o que você irá fazer. Pois se souber, entramos no âmbito do destino e isso é racionalmente incompatível.

A vida não nos faz atravessarmos o rio de forma gratuita, temos de trabalhar para chegarmos lá com o seu esforço... a vida é sádica? Não, de forma alguma.
Se for a vida, concordo, se for o deus cristão, discordo.
Concordo, mas você sabe muito bem que as coisas não funcionam assim, e que TEMOS que passar por provas/expiações para evoluirmos.

Aqui temos um ponto interessante onde você acabou de afirmar que não acredita no próprio argumento de que deus pode tudo. Se acreditasse, também acreditaria que seria possível que o deus cristão pudesse arrumar tudo num segundo, coisa que ele não faz porque essa concepção de deus bíblico é totalmente mitológica, assim como outros tantos (posso adentrar na minha opinião sobre deus, mas provavelmente, não iria acrescentar ao argumento).

Ademais, permita-me elucidar o conceito de sádico - pois percebo que o está utilizando para classificar diversas situações diferentes - a fim de uma terminação gramatical e argumental mais correta:

Sádico

"Significado: Aquele que sente prazer ao fazer outra pessoa sofrer.

Mau, bárbaro, cruel."

Concordo e classifico o deus cristão sádico da mesma forma, basta ler a bíblia, não precisamos nem debater, a evidência é clara em várias situações como por exemplo: Abraão, Jó e o discipulo Pedro.

Se sofremos, a culpa não é de Deus, e sim de nossas imperfeições.

O orgulhoso sofre com seu orgulho.

O invejoso sofre com sua inveja.

É a pura causa da ação e reação.

Errado, se somos imperfeitos, é porque o deus cristão (de acordo com a bíblia) falhou na criação dos humanos tanto que imundou a Terra (ver história de Noé).

Ademais, dizer que Deus compraze-se e sente prazer com o nosso sofrimento é um disparate.

Necessito de uma base argumentativa real de sua parte a respeito do livre-arbítrio pseudo, pois classificar tudo como uma questão de prazer na dor não nos vai levar a um avanço.

Um sujeito que pode mudar toda a situação da humanidade instantaneamente e não muda, ficar vendo (onipresença), sabe que vai piorar (onisciência) e ainda causa mais "tribulações" (onipotência) é o quê? Que outro tipo de argumento você quer? Esse não serve?

Há situações onde um pai deixa o filho caminhar por si só (a exemplo de quando o filho faz um intercâmbio)... o pai é sádico por isso?

Quando o pai é DEUS, o ONIPOTENTE, sim. Precisa dizer algo mais?

Termino meu raciocínio com sua própria frase: "Percebe que se mudar os atores o contexto - ou sua distorção - fica claro?"

A ideia da analogia é justamente trazer o não-mensurável para o mensurável, já que não adiantou, não farei mais, trataremos o deus cristão como Deus então.

Concluindo, particularmente, não considero a existência de nenhum deus documentado, ou seja, nenhum dos 5000 (3500 se tirarmos os repetidos) ao longo da existência da humanidade. Todos, se analisados racionalmente, são reflexos do próprio ser humano com qualidades e defeitos exacerbados.

Entretanto, admito um Deus como causa-primária e energia imanente pacificadora, mas também não me arrisco em ficar descrevendo pois seria perda de tempo. Tenho minhas certezas íntimas que foram adquiridas pela experimentação sistemática e crítica, enfim, noutra oportunidade poderemos discorrer mais à respeito de nós mesmos.

O tema é bacana e bem debatível, agradeço também pelo alto nível Elopes e todos os outros que colaboraram.

Tenha uma ótima noite e espero que possamos debater mais.

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Pois é, o tema é bem complicado.

Tão complicado que eu mal consegui entender suas diretrizes a respeito, de modo que acho que você também se equivocou sobre muitas das minhas, pois em nenhuma hora falei de um Deus cristão, até porque essa expressão é estranha rsrs.

Digamos que ainda não temos o devido conhecimento/capacidade de mediação para chegarmos a um consenso :lol: .

Abç!

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Você tem razão no ponto de que eu esqueci de questionar seu conceito de deus, entretanto, normalmente (no Brasil) quando falamos de "Deus", estamos intrinsecamente falando do deus cristão, suposto criador de todas as coisas citado na bíblia sagrada. Sabendo disso, gosto de dar nome aos bois, se você está citando o deus da bíblia cristã, farei referência apenas a esse pois com tantos outros como Alá, Zeus, Thor, Odin, Júpter, Urano, Poseidon etc, ficaria difícil generalizar. A não ser que você descreva seu conceito particular de Deus, ai sim poderei fazer referência apenas ao seu conceito de Deus.

Fora isso, ficarão algumas pendências pois, sinceramente, não vi equívocos. A não ser o fato de eu ter atribuído sua visão de Deus como cristã (o que eu ainda acho que seja). Me corrija se estiver errado.

Até.

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Bom, achei muito interessante as argumentaçoes de voces, porem acho que com a complexidade do assunto, o assunto foi ao mesmo tempo se desviando e não se desviando, e nao conseguimos chegar em uma conclusão.Acho muito interessante tudo que falaram mas acho que precisariamos de pessoas mais adentro do assunto, não falando que voce elopes e voce pseudo-pseudal não são capazes, porem acho que seria muito legal se isso entrasse em um dos FAQs do Saulo, pois vocês mesmo explicando se confundiram um pouco, com o pensamento do outro, e uma explicação do Saulo ou de mais pessoas, poderiam, esclarecer todas essas coisas que se amarraram a este assunto.

Paz e Luz.

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Alias, pesquisando aqui no google, achei por coincidencia uma frase do Chico que diz:

"Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocamos nela, corre por nossa conta."

Ou seja, Deus é onipotente, ele pode tudo, porem, nao quer dizer que ele faça tudo, e pela frase do Chico, é ai que entra o livre-arbitrio, ou seja, ele não é sadico,ele faz até o ponto que ele quer, e ai entao, nós podemos seguir o caminho dele, ou mudar.

Paz e Luz.

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Alias, pesquisando aqui no google, achei por coincidencia uma frase do Chico que diz:

"Deus nos concede, a cada dia, uma página de vida nova no livro do tempo. Aquilo que colocamos nela, corre por nossa conta."

Ou seja, Deus é onipotente, ele pode tudo, porem, nao quer dizer que ele faça tudo, e pela frase do Chico, é ai que entra o livre-arbitrio, ou seja, ele não é sadico,ele faz até o ponto que ele quer, e ai entao, nós podemos seguir o caminho dele, ou mudar.

Paz e Luz.

Fantástico, resumiu meu pensamento.

Você está completamente certo, guilhermeet, esse é um bom tema a ser levado para o FAQ: Onipotência de Deus x Livre-arbítrio: se Deus sabe de tudo, temos o livre arbítrio no sentido amplo?

O importante é que você entendeu a complexidade do assunto, e mesmo assim o resumiu com maestria, maestria essa que não tivemos. :lol:

Obrigado!

Paz!

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Olá amigos,

Essa questão é tratada na pergunta número 871 do Livro dos Espíritos. Então segue a visão dada pelo Espiritismo.

Mas essa questão filosófica é antiga e bastante debatida pela Teologia Católica inclusive.

Segue abaixo a citação da questão:

871 Uma vez que Deus sabe tudo, sabe, igualmente, se um homem deve fracassar ou não numa prova? Nesse caso, qual é a necessidade dessa prova, que nada acrescentará ao que Deus já sabe a respeito desse homem?

– É o mesmo que perguntar por que Deus não criou o homem perfeito e realizado; (Veja a questão 119.) por que o homem passa pela infância antes de atingir a idade adulta. (Veja a questão 379.) A prova não tem a finalidade de esclarecer a Deus sobre o mérito dessa pessoa, visto que sabe perfeitamente para que a prova lhe serve, mas, sim, para a deixar com toda a responsabilidade de sua ação, uma vez que é livre para fazer ou não. Tendo o homem a escolha entre o bem e o mal, a prova tem a finalidade de colocá-lo em luta com a tentação do mal e lhe deixar todo o mérito da resistência. Embora saiba muito bem, antecipadamente, se triunfará ou não, Deus não pode, em Sua justiça, puni-lo nem recompensá-lo por um ato que ainda não foi praticado. (Veja a questão 258.)

☼ Assim acontece entre os homens. Por mais capaz que seja um estudante, qualquer certeza que se tenha de vê-lo triunfar, não se confere a ele nenhum grau sem exame, ou seja, sem prova; do mesmo modo, o juiz não condena um acusado senão por um ato consumado e não por prever que ele possa consumar esse ato.

Quanto mais se examinam as conseqüências que resultariam para o homem se tivesse o conhecimento do futuro, mais se vê quanto a Providência foi sábia em ocultá-lo. A certeza de um acontecimento feliz o mergulharia na inércia; a de um acontecimento infeliz, no desencorajamento; tanto em um quanto em outro, suas forças estariam paralisadas. Por isso o futuro é apenas mostrado ao homem como um objetivo que deve atingir por seus esforços, mas sem conhecer o processo pelo qual deve passar para atingi-lo. O conhecimento de todos os incidentes do caminho lhe diminuiria a iniciativa e o uso de seu livre-arbítrio; ele se deixaria levar pela fatalidade dos acontecimentos, sem exercer suas aptidões. Quando o sucesso de uma coisa é assegurado, ninguém se preocupa mais com ela.

Resumo teórico da motivação das ações do homem

872 A questão de ter a vontade livre, isto é, o livre-arbítrio, pode se resumir assim: a criatura humana não é fatalmente conduzida ao mal; os atos que pratica não estavam antecipadamente determinados; os crimes que comete não resultam de uma sentença do destino. Ele pode, como prova e expiação, escolher uma existência em que terá a sedução para o crime, seja pelo meio em que se encontre ou pelos atos em que tomará parte, mas está constantemente livre para agir ou não. Assim, o livre-arbítrio existe no estado de Espírito, com a escolha da existência e das provas, e no estado corporal, na disposição de ceder ou de resistir aos arrastamentos a que estamos voluntariamente submetidos. Cabe à educação combater essas más tendências; ela o fará utilmente quando estiver baseada no estudo aprofundado da natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que regem essa natureza moral será possível modificá-la, como se modifica a inteligência pela instrução, e como a higiene, que preserva a saúde e previne as doenças, modifica o temperamento. O Espírito livre da matéria, no intervalo das encarnações, faz a escolha de suas existências corporais futuras, de acordo com o grau de perfeição que atingiu, e nisso, como dissemos, consiste principalmente o seu livre-arbítrio. Essa liberdade não é anulada pela encarnação. Se cede à influência da matéria é porque fracassa nas próprias provas que escolheu, e para ajudá-lo a superá-las pode evocar a assistência de Deus e dos bons Espíritos. (Veja a questão 337.)

Sem o livre-arbítrio o homem não teria nem culpa na prática do mal, nem mérito no bem; e isso é igualmente reconhecido no mundo, onde sempre se faz censura ou elogio à intenção, ou seja, à vontade; portanto, quem diz vontade diz liberdade. Eis por que o homem não pode justificar ou desculpar suas faltas atribuindo-as ao seu corpo sem abdicar da razão e da condição de ser humano para se igualar ao irracional. Se o corpo humano fosse responsável pela ação para o mal, o seria igualmente na ação para o bem. Entretanto, quando o homem faz o bem, tem grande cuidado para evidenciar o fato em seu favor, como mérito seu, e não exalta ou gratifica seus órgãos. Isso prova que, instintivamente, ele não renuncia, apesar da opinião de alguns filósofos sistemáticos, ao mais belo dos privilégios de sua espécie: a liberdade de pensar.

A fatalidade, como se entende geralmente, faz supor que todos os acontecimentos da vida estão prévia e irrevogavelmente decididos, e estão na ordem das coisas, seja qual for sua importância. Se assim fosse, o homem seria uma máquina sem vontade. Para que serviria sua inteligência, uma vez que em todos os atos seria invariavelmente dominado pelo poder do destino? Uma doutrina assim, se fosse verdadeira, teria em si a destruição de toda liberdade moral; não haveria mais responsabilidade para o homem e, conseqüentemente, nem bem, nem mal, nem crimes, nem virtudes. Deus, soberanamente justo, não poderia castigar suas criaturas por faltas que não dependeram delas nem recompensá-las pelas virtudes das quais não teriam o mérito. Uma lei assim seria, além disso, a negação da lei do progresso, porque o homem que esperasse tudo do destino nada tentaria para melhorar sua posição, já que não conseguiria mudá-la nem para melhor nem para pior.

A fatalidade não é, entretanto, uma idéia vã; ela existe na posição que o homem ocupa na Terra e nas funções que aí cumpre, por conseqüência do gênero de existência que seu Espírito escolheu como prova, expiação ou missão. Ele sofre, fatalmente, todas as alternâncias dessa existência e todas as tendências, boas ou más, que lhe são próprias; porém, termina aí a fatalidade, porque depende de sua vontade ceder ou não a essas tendências. O detalhe dos acontecimentos depende das circunstâncias que ele mesmo provoca por seus atos e sobre as quais os Espíritos podem influenciar pelos pensamentos que sugerem. (Veja a questão 459.)

A fatalidade está, portanto, para o homem, nos acontecimentos que se apresentam, uma vez que são a conseqüência da escolha da existência que o Espírito fez. Pode deixar de ocorrer a fatalidade no resultado dos acontecimentos, quando o homem, usando de prudência, modifica-lhes o curso. Nunca há fatalidade nos atos da vida moral.

É na morte que o homem está submetido, de uma maneira absoluta, à implacável lei da fatalidade, porque não pode escapar da sentença que fixa o fim de sua existência, nem do gênero de morte que deve interrompê-la.

De acordo com a opinião geral, o homem possuiria todos os seus instintos em si mesmo; eles procederiam de seu próprio corpo, pelos quais não poderia ser responsável, ou de sua própria natureza, na qual pode encontrar uma desculpa, para si mesmo, dizendo que não é sua culpa, uma vez que foi criado assim.

A Doutrina Espírita é evidentemente muito mais moral: admite no homem o livre-arbítrio em toda sua plenitude e, ao lhe dizer que, se faz o mal, cede a uma má sugestão exterior, deixa-lhe toda a responsabilidade, uma vez que reconhece seu poder de resistir, o que é evidentemente mais fácil do que lutar contra sua própria natureza. Assim, de acordo com a Doutrina

Espírita, não há sedução irresistível: o homem pode sempre fechar os ouvidos à voz oculta do obsessor que o induz ao mal em seu íntimo, assim como pode fechá-los quando alguém lhe fala; pode fazer isso por sua vontade, ao pedir a Deus a força necessária e rogando a assistência dos bons Espíritos. É o que Jesus nos ensina na sublime prece do Pai Nosso: “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”.

Essa teoria que mostra a causa determinante dos nossos atos ressalta evidentemente de todo o ensinamento dado pelos Espíritos. Não é apenas sublime em moralidade, mas acrescentaremos que eleva o homem a seus próprios olhos. Mostra-o livre para repelir um domínio obsessor, como pode fechar sua casa aos importunos. Não é mais uma máquina que age por um impulso independente de sua vontade; é um ser racional, que escuta, julga e escolhe livremente um entre dois conselhos. Apesar disso, o homem não está impedido de agir por sua iniciativa, por impulso próprio, já que, definitivamente, é apenas um Espírito encarnado que conserva, sob o corpo, as qualidades e os defeitos que tinha como Espírito. As faltas que cometemos têm, portanto, sua origem na imperfeição de nosso próprio Espírito, que ainda não atingiu a superioridade moral que terá um dia, mas que nem por isso tem seu livre-arbítrio limitado. A vida encarnada lhe é dada para se depurar de suas imperfeições pelas provas que passa, e são precisamente essas imperfeições que o tornam mais fraco e acessível às sugestões de outros Espíritos imperfeitos, que aproveitam para se empenhar em fazê-lo fracassar na luta. Se sai vencedor, eleva-se; se desperdiça a oportunidade e fracassa, permanece o que era, nem pior, nem melhor: é uma prova que terá de recomeçar, e isso pode durar muito tempo. Quanto mais se depura, mais seus pontos fracos diminuem e menos se expõe àqueles que procuram incitá-lo ao mal; sua força moral cresce em razão de sua elevação e os maus Espíritos se afastam dele.

A raça humana é constituída tanto de Espíritos bons quanto de maus, que estão encarnados neste planeta, e como a Terra é um dos mundos menos avançados, nela se encontram mais Espíritos maus do que bons; por isso há tanta perversidade aqui.

Façamos, portanto, todos os esforços para não voltarmos aqui após essa existência e merecermos ser admitidos num mundo melhor, num desses mundos privilegiados onde o bem reina absoluto, e lembraremos de nossa passagem pela Terra apenas como um exílio temporário.

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Cabe à educação combater essas más tendências; ela o fará utilmente quando estiver baseada no estudo aprofundado da natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que regem essa natureza moral será possível modificá-la, como se modifica a inteligência pela instrução, e como a higiene, que preserva a saúde e previne as doenças, modifica o temperamento.

Concordo, mas disso também depende da vontade desse espírito em assimilar, em aprender.

A raça humana é constituída tanto de Espíritos bons quanto de maus, que estão encarnados neste planeta, e como a Terra é um dos mundos menos avançados, nela se encontram mais Espíritos maus do que bons; por isso há tanta perversidade aqui.

Façamos, portanto, todos os esforços para não voltarmos aqui após essa existência e merecermos ser admitidos num mundo melhor, num desses mundos privilegiados onde o bem reina absoluto, e lembraremos de nossa passagem pela Terra apenas como um exílio temporário.

Concordo também, mas que dizer dos que ficarem para trás, eu não acho que ficaria feliz com essa situação, pelo menos não sentiria uma paz relativamente boa, sabendo que entes queridos ficaram para trás. Por isso a necessidade do trabalho útil.

Quanto ao livre arbítrio, acredito que seu texto conseguiu preencher as lacunas que faltavam, pelo menos para mim.

Paz e Luz.

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Olá Gilbert,

Só para deixar claro, o texto citado é inteiramente do Livro dos Espíritos, não é meu.

Eu acredito que não teria capacidade de escrever um texto assim sobre um assunto tão trasncendente.

Mas a questão do livre-arbítrio é mesmo trasncendental, nossa pobre mente e razão humanas não conseguem sair das próprias limitações para conceber os planos traçados por Deus/Alá/Brahman/Jeová/Absoluto/Grande Arquiteto do Universo/Tupã...

Mas tenho certeza de que tudo foi feito de uma forma perfeita pelas mãos de Nosso Pai Está Nos Céus.

Abraço, ;)

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Olá amigos,

Essa questão é tratada na pergunta número 871 do Livro dos Espíritos. Então segue a visão dada pelo Espiritismo.

Mas essa questão filosófica é antiga e bastante debatida pela Teologia Católica inclusive.

Segue abaixo a citação da questão:

871 Uma vez que Deus sabe tudo, sabe, igualmente, se um homem deve fracassar ou não numa prova? Nesse caso, qual é a necessidade dessa prova, que nada acrescentará ao que Deus já sabe a respeito desse homem?

– É o mesmo que perguntar por que Deus não criou o homem perfeito e realizado; (Veja a questão 119.) por que o homem passa pela infância antes de atingir a idade adulta. (Veja a questão 379.) A prova não tem a finalidade de esclarecer a Deus sobre o mérito dessa pessoa, visto que sabe perfeitamente para que a prova lhe serve, mas, sim, para a deixar com toda a responsabilidade de sua ação, uma vez que é livre para fazer ou não. Tendo o homem a escolha entre o bem e o mal, a prova tem a finalidade de colocá-lo em luta com a tentação do mal e lhe deixar todo o mérito da resistência. Embora saiba muito bem, antecipadamente, se triunfará ou não, Deus não pode, em Sua justiça, puni-lo nem recompensá-lo por um ato que ainda não foi praticado. (Veja a questão 258.)

☼ Assim acontece entre os homens. Por mais capaz que seja um estudante, qualquer certeza que se tenha de vê-lo triunfar, não se confere a ele nenhum grau sem exame, ou seja, sem prova; do mesmo modo, o juiz não condena um acusado senão por um ato consumado e não por prever que ele possa consumar esse ato.

Quanto mais se examinam as conseqüências que resultariam para o homem se tivesse o conhecimento do futuro, mais se vê quanto a Providência foi sábia em ocultá-lo. A certeza de um acontecimento feliz o mergulharia na inércia; a de um acontecimento infeliz, no desencorajamento; tanto em um quanto em outro, suas forças estariam paralisadas. Por isso o futuro é apenas mostrado ao homem como um objetivo que deve atingir por seus esforços, mas sem conhecer o processo pelo qual deve passar para atingi-lo. O conhecimento de todos os incidentes do caminho lhe diminuiria a iniciativa e o uso de seu livre-arbítrio; ele se deixaria levar pela fatalidade dos acontecimentos, sem exercer suas aptidões. Quando o sucesso de uma coisa é assegurado, ninguém se preocupa mais com ela.

Resumo teórico da motivação das ações do homem

872 A questão de ter a vontade livre, isto é, o livre-arbítrio, pode se resumir assim: a criatura humana não é fatalmente conduzida ao mal; os atos que pratica não estavam antecipadamente determinados; os crimes que comete não resultam de uma sentença do destino. Ele pode, como prova e expiação, escolher uma existência em que terá a sedução para o crime, seja pelo meio em que se encontre ou pelos atos em que tomará parte, mas está constantemente livre para agir ou não. Assim, o livre-arbítrio existe no estado de Espírito, com a escolha da existência e das provas, e no estado corporal, na disposição de ceder ou de resistir aos arrastamentos a que estamos voluntariamente submetidos. Cabe à educação combater essas más tendências; ela o fará utilmente quando estiver baseada no estudo aprofundado da natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que regem essa natureza moral será possível modificá-la, como se modifica a inteligência pela instrução, e como a higiene, que preserva a saúde e previne as doenças, modifica o temperamento. O Espírito livre da matéria, no intervalo das encarnações, faz a escolha de suas existências corporais futuras, de acordo com o grau de perfeição que atingiu, e nisso, como dissemos, consiste principalmente o seu livre-arbítrio. Essa liberdade não é anulada pela encarnação. Se cede à influência da matéria é porque fracassa nas próprias provas que escolheu, e para ajudá-lo a superá-las pode evocar a assistência de Deus e dos bons Espíritos. (Veja a questão 337.)

Sem o livre-arbítrio o homem não teria nem culpa na prática do mal, nem mérito no bem; e isso é igualmente reconhecido no mundo, onde sempre se faz censura ou elogio à intenção, ou seja, à vontade; portanto, quem diz vontade diz liberdade. Eis por que o homem não pode justificar ou desculpar suas faltas atribuindo-as ao seu corpo sem abdicar da razão e da condição de ser humano para se igualar ao irracional. Se o corpo humano fosse responsável pela ação para o mal, o seria igualmente na ação para o bem. Entretanto, quando o homem faz o bem, tem grande cuidado para evidenciar o fato em seu favor, como mérito seu, e não exalta ou gratifica seus órgãos. Isso prova que, instintivamente, ele não renuncia, apesar da opinião de alguns filósofos sistemáticos, ao mais belo dos privilégios de sua espécie: a liberdade de pensar.

A fatalidade, como se entende geralmente, faz supor que todos os acontecimentos da vida estão prévia e irrevogavelmente decididos, e estão na ordem das coisas, seja qual for sua importância. Se assim fosse, o homem seria uma máquina sem vontade. Para que serviria sua inteligência, uma vez que em todos os atos seria invariavelmente dominado pelo poder do destino? Uma doutrina assim, se fosse verdadeira, teria em si a destruição de toda liberdade moral; não haveria mais responsabilidade para o homem e, conseqüentemente, nem bem, nem mal, nem crimes, nem virtudes. Deus, soberanamente justo, não poderia castigar suas criaturas por faltas que não dependeram delas nem recompensá-las pelas virtudes das quais não teriam o mérito. Uma lei assim seria, além disso, a negação da lei do progresso, porque o homem que esperasse tudo do destino nada tentaria para melhorar sua posição, já que não conseguiria mudá-la nem para melhor nem para pior.

A fatalidade não é, entretanto, uma idéia vã; ela existe na posição que o homem ocupa na Terra e nas funções que aí cumpre, por conseqüência do gênero de existência que seu Espírito escolheu como prova, expiação ou missão. Ele sofre, fatalmente, todas as alternâncias dessa existência e todas as tendências, boas ou más, que lhe são próprias; porém, termina aí a fatalidade, porque depende de sua vontade ceder ou não a essas tendências. O detalhe dos acontecimentos depende das circunstâncias que ele mesmo provoca por seus atos e sobre as quais os Espíritos podem influenciar pelos pensamentos que sugerem. (Veja a questão 459.)

A fatalidade está, portanto, para o homem, nos acontecimentos que se apresentam, uma vez que são a conseqüência da escolha da existência que o Espírito fez. Pode deixar de ocorrer a fatalidade no resultado dos acontecimentos, quando o homem, usando de prudência, modifica-lhes o curso. Nunca há fatalidade nos atos da vida moral.

É na morte que o homem está submetido, de uma maneira absoluta, à implacável lei da fatalidade, porque não pode escapar da sentença que fixa o fim de sua existência, nem do gênero de morte que deve interrompê-la.

De acordo com a opinião geral, o homem possuiria todos os seus instintos em si mesmo; eles procederiam de seu próprio corpo, pelos quais não poderia ser responsável, ou de sua própria natureza, na qual pode encontrar uma desculpa, para si mesmo, dizendo que não é sua culpa, uma vez que foi criado assim.

A Doutrina Espírita é evidentemente muito mais moral: admite no homem o livre-arbítrio em toda sua plenitude e, ao lhe dizer que, se faz o mal, cede a uma má sugestão exterior, deixa-lhe toda a responsabilidade, uma vez que reconhece seu poder de resistir, o que é evidentemente mais fácil do que lutar contra sua própria natureza. Assim, de acordo com a Doutrina

Espírita, não há sedução irresistível: o homem pode sempre fechar os ouvidos à voz oculta do obsessor que o induz ao mal em seu íntimo, assim como pode fechá-los quando alguém lhe fala; pode fazer isso por sua vontade, ao pedir a Deus a força necessária e rogando a assistência dos bons Espíritos. É o que Jesus nos ensina na sublime prece do Pai Nosso: “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”.

Essa teoria que mostra a causa determinante dos nossos atos ressalta evidentemente de todo o ensinamento dado pelos Espíritos. Não é apenas sublime em moralidade, mas acrescentaremos que eleva o homem a seus próprios olhos. Mostra-o livre para repelir um domínio obsessor, como pode fechar sua casa aos importunos. Não é mais uma máquina que age por um impulso independente de sua vontade; é um ser racional, que escuta, julga e escolhe livremente um entre dois conselhos. Apesar disso, o homem não está impedido de agir por sua iniciativa, por impulso próprio, já que, definitivamente, é apenas um Espírito encarnado que conserva, sob o corpo, as qualidades e os defeitos que tinha como Espírito. As faltas que cometemos têm, portanto, sua origem na imperfeição de nosso próprio Espírito, que ainda não atingiu a superioridade moral que terá um dia, mas que nem por isso tem seu livre-arbítrio limitado. A vida encarnada lhe é dada para se depurar de suas imperfeições pelas provas que passa, e são precisamente essas imperfeições que o tornam mais fraco e acessível às sugestões de outros Espíritos imperfeitos, que aproveitam para se empenhar em fazê-lo fracassar na luta. Se sai vencedor, eleva-se; se desperdiça a oportunidade e fracassa, permanece o que era, nem pior, nem melhor: é uma prova que terá de recomeçar, e isso pode durar muito tempo. Quanto mais se depura, mais seus pontos fracos diminuem e menos se expõe àqueles que procuram incitá-lo ao mal; sua força moral cresce em razão de sua elevação e os maus Espíritos se afastam dele.

A raça humana é constituída tanto de Espíritos bons quanto de maus, que estão encarnados neste planeta, e como a Terra é um dos mundos menos avançados, nela se encontram mais Espíritos maus do que bons; por isso há tanta perversidade aqui.

Façamos, portanto, todos os esforços para não voltarmos aqui após essa existência e merecermos ser admitidos num mundo melhor, num desses mundos privilegiados onde o bem reina absoluto, e lembraremos de nossa passagem pela Terra apenas como um exílio temporário.

Droga! Não tinha chegado ainda nesta parte do livro! :lol::lol::lol:

É ESTA! Integralmente a minha opinião, tudo que queria dizer. Parabéns e muito obrigado Morpheus.

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Cabe à educação combater essas más tendências; ela o fará utilmente quando estiver baseada no estudo aprofundado da natureza moral do homem. Pelo conhecimento das leis que regem essa natureza moral será possível modificá-la, como se modifica a inteligência pela instrução, e como a higiene, que preserva a saúde e previne as doenças, modifica o temperamento.

Concordo, mas disso também depende da vontade desse espírito em assimilar, em aprender.

A raça humana é constituída tanto de Espíritos bons quanto de maus, que estão encarnados neste planeta, e como a Terra é um dos mundos menos avançados, nela se encontram mais Espíritos maus do que bons; por isso há tanta perversidade aqui.

Façamos, portanto, todos os esforços para não voltarmos aqui após essa existência e merecermos ser admitidos num mundo melhor, num desses mundos privilegiados onde o bem reina absoluto, e lembraremos de nossa passagem pela Terra apenas como um exílio temporário.

Concordo também, mas que dizer dos que ficarem para trás, eu não acho que ficaria feliz com essa situação, pelo menos não sentiria uma paz relativamente boa, sabendo que entes queridos ficaram para trás. Por isso a necessidade do trabalho útil.

Quanto ao livre arbítrio, acredito que seu texto conseguiu preencher as lacunas que faltavam, pelo menos para mim.

Paz e Luz.

Nossa, o termo que eu sublinhei realmente me causa estranheza, parece-me tão egoísta. Esperarei chegar neste contexto para pegar a noção geral.

abç!

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