Não teve jeito

Saulo Calderon Relatos, Relatos Saulo Calderon 1 Comment

Recife 19 de Dezembro de 2010

Sempre que me projeto e entro num trabalho de assistência tento fazer de tudo para conseguir estar lúcido e também ajudar a pessoa ou entidade.
É triste quando não consigo, apesar de compreender que cada um tem o seu momento, apesar de saber que nada se perde, fica a sensação sim de tristeza, pois aquela criatura vai continuar infeliz e nem imagino por quanto tempo. E também sei que provavelmente nem saberei quando e se foi ajudado.

Essa noite fui deitar um pouco triste, mas estava forte por dentro. O motivo dessa tristeza que estava era alguns acontecimentos da vida, família, etc… Nada sério, mas o suficiente para às vezes nos deixar pensativos. Mas estava bem espiritualizado. Sentia minha sintonia com meus amigos espirituais. Fiz um pequeno EV somente, e coloquei-me à disposição para qualquer trabalho, falando mentalmente: “Que Deus me permita ser útil, que me felicite com a oportunidade de servir para ajudar também a minha alma, pois tal é a necessidade que tenho de fazer algo por quem precisa”.

Adormeci e comecei a sonhar. Sonhei que andava num corredor e olhei para um lado e vi um vulto, quando tomei um susto e senti então fortemente o EV. Esses sonhos oníricos acontecem e são características normais em sensações pré e pós projetivas.

O EV estava monstruoso. Senti tão forte que parecia até doer.
Acalmei-me e num impulso sai pelo lado, dei alguns passos ei um pulo e simplesmente já estava fora do quarto.

Ao sair do quarto pensei: Por favor, não me deixem sem serviço!
Ficou tudo preto na minha frente e rapidamente, mais ou menos uns 2 segundos apareço numa casa.
Não tenho a menor idéia de qual lugar era esse.
Mas recebi a sugestão mental do que estava fazendo ali.
Avistei um quarto e entrei, sabendo que ali era estava o motivo de minha ida.
Havia um rapaz dormindo, parecia extremamente incomodado. Não sei se via o seu rosto astral ou físico, mas seja como for, estava com cara de sofrimento.
Percebi encostado na cama um espírito. Ele estava no chão e com a cabeça deitada na cama, ao lado da cabeça do rapaz que dormia.
Fiquei observando por um tempo, tentando entender e compreendendo as informações que certamente vinham dos mentores.
Era uma ligação obsessiva fortíssima. De décadas. Era um espírito inimigo. A intenção dele era ficar ali até conseguir o levar para o desencarne.
Vi também o motivo de tanto ódio, um havia tirado a vida do outro. O rapaz que dormia havia sido o assassino, e o espírito ali só queria vingança.

Não sabia nem o que fazer. Mas comecei a falar:
“Que Deus esteja nesse ambiente. Peço licença irmão, com todo carinho e respeito para poder conversar contigo, tem um minutinho pra isso”?
O cara levantou a cabeça e seus olhos estavam vermelhos.
Olhou-me com uma raiva fora do normal, e com uma voz que parecia de demônio, rouca gritou:
“Sai daqui, FDP, saia agora de minha casa!”.
Sabendo que ali realmente era a casa dele, abaixei a cabeça e falei:
– Sei que é a tua casa. Não vim lhe tirar, vim só conversar.
Ele sacudia a cabeça, tapava os ouvidos e gritava: “Sai daqui, sai daqui…”
Nessa hora senti espinhos energéticos vindo em minha direção.
Cheguei a sentir dor, mas sabia que eram sensações que não deveriam me desequilibrar.
A sensação energética e emotiva era intensa, mas muito intensa. Parecia um filme de terror, a diferença é que eu participava dele.
Ajoelhei-me falando: Não vim lhe atacar, não quero brigar.
Você está nessa situação há muito tempo e não percebe o quanto está doente.
Olhe a sua aparência. Olhe a sua voz. Olha que situação horrível você entrou.
Ele o tempo todo respondia com ódio: Você não sabe o que esse miserável fez, e chorando falava: Não posso sair daqui. Não tem como. Eu não vou conseguir viver enquanto não o fazer sentir o que passei. Ele vai comigo (falava isso rangendo os dentes), ele vai comigo…
Foi quando me aproximei e num gesto de coragem coloquei as mãos em sua cabeça.
Tomei mordidas na mão e no pulso astral, mas não me importei com a dor, apesar de balançar e quase puxar mão pois os dentes do cidadão era bem afiados e horrorosos.
Mas senti uma energia passar pelo meu corpo em sua direção.
Ele pareceu sentir dor e medo. Foi se curvando e tentou entrar embaixo da cama mas não conseguiu.
E ali adormeceu.
Percebi claramente que a ajuda não tinha sido dada.
E continuei com a mão na cabeça dele, enquanto ele estava adormecido.
E ouvi: Não é o momento dele ainda.
Sabendo que não tinha o que fazer, levantei e mal consegui me virar para olhar o ambiente quando senti a volta ao corpo.
Abri os olhos de madrugada e fiquei absurdamente arrepiado.
Sentei na cama, pensando na experiência.
Levantei-me para beber água e não acendi a luz da casa, pois não queria dissipar algumas energias que ainda estavam em mim.

É impressionante o nosso nível consciencial ainda.
É triste, sim, mas somos ainda como crianças imaturas, gerando atos que só nos trazem tristezas. Mesmo sabendo disso, continuamos com eles. Todos nós.
Essas cenas são só reações de como anda a nossa visão das coisas.
Não pude fazer nada e certamente aquele processo de assédio ainda existirá e peço a Deus que algo seja feito de alguma maneira por eles.
Não sei quem era o rapaz, não acho que o conhecia, também não sabia que casa era aquela e em qual cidade. E acho que isso não faz a menor diferença.
Não é um trabalho muito grande esse que um projetor pode fazer.
É algo tão simples, que no fundo, além das técnicas, além de todo conhecimento que carregamos, o que mais percebo fazer a diferença é o amor. Não falo daquele amor evoluído, angelical não. Falo do amor em servir. Da maturidade em saber que por aí afora, além das nossas tristezas, há gente sofrendo absurdamente mais. Que no fundo quando nos desconcentramos de nós mesmos, parece que encontramos as soluções ou, diminuímos a nossa forma de enxergar o peso em nossas costas.
E agradecemos.

Sejamos projetores, mas antes de sermos só técnicos ou teóricos, sejamos projetores do amor.
Onde com toda abnegação nos conectemos com as esferas superiores dizendo: Alô, por favor, preciso trabalhar…. E como diz aquela música: “Temos a flor da oração para ofertar… Porta aberta, e mão amiga para sempre acalentar… Porta aberta..”

Quando faço um trabalho desse tipo, não me sinto uma grande pessoa, não me sinto melhor, me sinto feliz pelo fato de poder sentir a sensação de utilidade na alma. De poder olhar para minha vida e dizer: Sou feliz por servir, mesmo pequeno, mesmo um aprendiz das trilhas espirituais ainda, mesmo ínfimo, posso ser útil.

Muita paz a todos nós,

Saulo

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