Uma lição

Saulo Calderon Relatos, Relatos Saulo Calderon 1 Comment

Salvador 28 de janeiro de 2005

Agora a pouco fui deitar para descansar um pouco, pois passei a madrugada escrevendo este livro de relatos e a apostila do curso. E ao deitar passei mentalmente essa idéia aos amparadores:
– Amigos. Nesse momento estou indo deitar. Coloco-me a disposição de vocês para qualquer trabalho que houver. Porém se possível depois da assistência, me passem alguma experiência ou informação para que eu possa escrever no livro…

Até aí tudo bem, fiz os exercícios energéticos.
Deitado no sofá, após um tempo entro em catalepsia, finalmente consigo levantar do corpo, e logo ao me afastar já vejo um velho amigo amparador em pé me olhando. Fiquei em silencio na expectativa de aguardar alguma orientação. Mas ele continuava me olhando serenamente, como se estivesse lendo a minha mente, e sabia da minha curiosidade, e sorria de forma sutil.
Até que não agüentei e falei:
– Ouviu minha prece?
Ele respondeu:
– Alto e Claro, eu estava do seu lado no momento inclusive. Vamos lá trabalhar?
Eu indaguei.
– E sobre passar alguma coisa nova?
Ele me olhou com aquela cara de quem já esperava essa pergunta e disse:
– Quando você escrever tudo que já tem e já te passamos, aí quem sabe a gente não lhe dê mais responsabilidades.
Eu claro, calei-me envergonhado, abaixei a cabeça e falei:
– Aonde vamos mesmo?

Em alguns minutos eu estava no meio de um local que mais parecia uma favela daquelas bem horríveis, tipo alagados, pois tinha um lodo em baixo das casas.

Nesse momento eu já não via o amigo Amparador que estava comigo e falei cheio de humor querendo esconder o meu medo de mim mesmo: – Olha que esperto, agora ele some e me deixa aqui na barra pesada… Ninguém é bobo, e me fez lembrar o desenho que via na infância, Caverna do Dragão. Onde o Mestre dos Magos sempre sumia quando algo estava para acontecer.

Senti força íntima de olhar para baixo, e vi uma entidade caída no lodo que passava, eu só via o rosto, um pedaço do ombro e um braço. O Cheiro que vinha daquele lodo era horrível.
Fiquei ali olhando, pensando no que tinha que fazer. Quando ouço uma voz conhecida na mente: – Você vai ficar olhando?
Então entendi, eu tinha que entrar ali.
E pensei:
– Aí meu Deus… Lá vou eu de novo.

Pulei no lodo. Senti uma energia fortíssima me proteger nesse momento, eu estava ali no meio do lodo, mas não era praticamente afetado pela energia densa que estava por todo lado, a não ser pelo cheiro insuportável que me dava náuseas. Peguei na mão do espírito caído, e ele ficou desesperado falando: – Não, por favor, não me machuque mais, eu não vou mais andar por aí, prometo que fico aqui caído, não me machuque mais…
Senti uma força interna me controlar, pois eu quase chorei por causa da reação dele, e meio que controlado pelo amigo invisível falei:
– Calma… Deus não desampara seus filhos. Acabou seu sofrimento. Vamos meu irmão, me dê a sua mão e confie. Você não ficará mais nesse lugar feio.

Ele quase sem força, levantou sua mão, enquanto eu via o lodo que mais parecia uma cola preta. Ele tentava respirar, mas saia uma gosma preta esverdeada das suas narinas, ele estava meio que sufocado. E saímos dali às pressas. Chegamos num local mais calmo, perto de uma praça. Dei um passe de limpeza nele, tirando a matéria densa e senti durante o passe uma forte condução magnética vindo de algum lugar. Comecei a acalmar ele, e nesse momento ele adormeceu. Caindo num sono realmente pesado a ponto de eu dar umas balançadas nele e não obter respostas. Era como se fosse um momento de paz no meio de anos de guerra e sofrimento.

Reparei uma luz caindo sobre ele, até que ele sumiu na minha frente.
E perguntei mentalmente ao amigo:
Poxa, quer dizer que nem os assistentes eu consigo ver? Eu to encalhado pelo jeito, e dei uma boa risada, pois nesse momento eu não via nada, mas sabia que tinha alguém no ambiente.

A resposta veio forte na mente:
– Melhor voltar pro corpo agora, pra poder lembrar disso pois, não vai me dizer que deseja que passemos informação mais importante que essa?

Ouvindo o conselho do amigo, pensei no corpo e voltei imediatamente.

Abri os olhos e senti aquele velho e gostoso banho energético, limpando qualquer resquício de energia densa.

E pensei:

Que tipo de informação eu penso em passar no livro? Acho que eles estão preocupados com o trabalho enquanto eu com algo novo. Meditando agora, percebo que não é necessário ter tanta coisa nova, uma vez que o básico que é ajudar e que todos dizem saber, ninguém faz.

Boa lição tomei.

Abraços

Comments 1

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *